terça-feira, 16 de setembro de 2014

O preconceito da Globo contra servidores públicos: crítica ao editorial "Ameaça no Horizonte", publicado no Globo em 13/09/2014

Na página 04 da edição do Jornal O Globo de 13/09/2014 foi publicado o seguinte editorial "Ameaça no Horizonte", dando notícia de que o fato de um "servidor de carreira" ter efetuado a alteração de perfis de Miriam Leitão e de Sardenberg do Planalto seria um indício de tomada da máquina pública e afirma que "a infiltração partidária na máquina pública é mais grave do que se fosse realizada por meio apenas de ocupantes de "cargos de confiança", preenchidos sem concurso." Conclui, ainda, que "a contaminação é mais séria e representa um perigo para o futuro governo não petista."Como assim??!!?!

Senhores, não pensei realmente que em algum momento o Editorial de um grande jornal, o maior representante da grande mídia do país, pudesse deixar tão evidente seu preconceito contra servidores públicos.  Facilita muito nossa postura de expor que a grande mídia tem como um de seus objetivos o aniquilamento do serviço público e de servidores públicos e isso, sim, muito mais do que o crime perpetrado pelo tal "servidor de carreira" é muito mais grave para o interesse do País.

Primeiro, o preconceito fica evidente do contraste da leitura do artigo a que se refere o editorial, intitulado "Pai e colegas dizem que servidor que mudou o perfil de jornalistas é do PT" e da afirmação do editorial de que o criminoso não era de cargo em comissão. Observe que no quarto parágrafo do artigo que deu origem ao editorial questionado está assim escrito "Responsável pelas alterações, Vieira Filho é funcionário de carreira do Ministério da Fazenda, mas estava lotadona Secretaria de Relações Institucionais (SRI) na época das alterações. (... ocupava a função de chefe da Assessoria Parlamentar do Ministério do Planejamento. (...) acumulava o benefício de DAS 4 (Direção de Assessoramento Superior". E pouco antes estava escrito que seu pai admitia que "pelo fato de o filho ocupar um cargo de confiança, ele disse considerar natural que ele tenha deixado o cargo."

Então, senhores e senhoras, vejam, o funcionário estava em CARGO DE CONFIANÇA. Como quase sempre, para não dizer sempre, não estava no exercício das atribuições de seu cargo público efetivo. Porque talvez, como a absoluta maioria dos casos, no cargo efetivo ele não teria coragem de fazer algo dessa natureza porque correria o risco de perder o emprego/cargo efetivo.

Então por que o editorial falou que não era alguém em cargo em confiança? E qual o problema de um servidor de carreira ocupar cargo de confiança? Quer dizer que se o cargo fosse ocupado por um empresário e ele tivesse feito as alterações de perfis de jornalistas o risco seria menor para a sociedade? Por quê? Um servidor público petista agir mal torna evidente o quê? Que todos os servidores são petistas? Que o serviço público é uma estrutura partidária? Que o PT está colocando pessoas nos cargos públicos e depois as chama para cargos em comissão e estão se espalhando na estrutura do serviço público para tomar o país, contra qualquer outro partido ou político que entre na Presidência da República?!

Gente... antes de ser servidor público, o alterador de perfis, Luiz Alberto de Vieira Filho, é uma pessoa, um brasileiro, que por suas convicções políticas se filiou ao PT. Por conta disso e por fanatismo personalíssimo, ao que tudo indica, achou que fazendo a imbecilidade que fez ajudaria o PT e, na cabeça dele, o país. Ele errou não como servidor público, mas como pessoa. Assim como o médico geneticista estuprador de clientes errou como pessoa, sem criar uma pecha a todos os médicos geneticistas e auxiliares no processo de fertilização. Ou Sérgio Naya errou ao construir prédio com areia de praia e parte do prédio desabou matando 8 pessoas. E esses outros exemplos são até piores, pois o médico estava no exercício de sua medicina, o engenheiro estava no exercício de sua engenharia, mas o servidor Luiz Alberto não estava no exercício de seu cargo público; ele estava no exercício de cargo de confiança, algo estratégico e que no Brasil está tomando ares de cooptação político-partidária e de troca-troca por favores políticos, sendo mais de 25 mil cargos em confiança no governo federal.

Inclusive propagandear que o Luiz Alberto pode perder o cargo efetivo, não tendo feito nada no exercício das atribuições de seu cargo efetivo, é rancoroso e esquisito. Ele pode responder criminalmente pelo que fez, pode perder o cargo em comissão, que entregou ao assumir a culpa, mas vemos como difícil a perda de cargo efetivo,  cujas atribuições pertinentes ao Ministério da Fazenda não traiu.

E mais, as investigações deveriam continuar, eis que, como tive experiência na área criminal, muitas vezes alguns assumem as culpas dos outros em troca de bens que lhe interessam, escondendo o real criminoso e mandante ou executor das garras da justiça. A investigação não se encerra na confissão de uma pessoa, simplesmente.

Então, senhores e senhoras, deixo aqui meu desgosto e minha consternação com a mais pura demonstração de preconceito contra o serviço público e servidores públicos que o Jornal O Globo sustentou com o infeliz editorial intitulado "Ameaça no Horizonte".

Quando houve o caso que, consoante notícias publcadas pela Carta Capital sobre inquérito da polícia federal sobre quebra de sigilo fiscal, de um servidor da Receita Federal de Minas Gerais ter ajudado supostos ajudantes da campanha de Aécio à indicação partidária para o pleito da Presidência da República em 2010, a verificar a declaração do imposto de renda de Serra, no que foi chamado de fogo amigo, o Globo não disse que isso era risco à República... começou a falar que era enquanto achou que era ordem do PT, mas quando se viu que era fogo amigo do PSDB, parou com as indicações de fascismo partidário-estatal petista.

E o que foi aquilo? O servidor da Receita que colaborou com aquilo foi até muito mais longe do que o Luiz Alberto, pois perpetrou crime de quebra de sigilo fiscal e ainda o fez no estrito exercício do cargo público! Era um psdbista! Então, o problema não é ser funcionário público, mas ser partidário do PT ou PSDB e resolver fazer besteira, pelo que deverá, nesta condição de agente de crime ou contravenção ou ilícito administrativo responder nestas medidas e com a agravante de ser servidor público. Vejam, bem, por ser servidor público suas sanções podem ser multiplicadas e suas penas serem maiores. Então ser servidor até prejudica ainda mais os indicados a cargo em comissão que queiram agira em desacordo com a lei. Ao contrário de pessoas da área privada ou empresários.

Ah, sim, por ser servidor público ele largou o cargo de confiança e voltou à sua atividade anterior habitual? Sim, mas se fosse da área privada também faria o mesmo. Então que tipo de comentário é esse? Preconceituoso. O Globo não deveria ficar insinuando que há um espraiamento de "petistas" fanáticos na máquina pública, em cargos efetivos, mas exigir que o servidor seja punido, como agente de eventual crime (falsidade ideológica, por exemplo), e que seja apurada sua responsabilidade administrativa. E só, e não é pouco e é o correto e devido. Não deve ficar alimentando suspeitas infundadas e cinematográficas sobre toda a estrutura da cargos efetivos e sobre todos os servidores, porque se tudo fosse executado por funcionários particulares, empregados com risco de demissão, haveria, aí sim, uma aproximação muito maior dos interesses privados, políticos e partidários, sem possibilidades de o Estado controlar a imensa corrupção da função pública que ocorreira em todas as esferas de governo, simplesmente porque quem se negasse a executar tarefas corruptas seria demitido imediata e sumariamente.

Pedimos e exigimos respeito aos servidores públicos de carreira e exigimos que O Jornal O Globo não difame a estrutura federal de serviço público e de servidores públicos com cargo efetivo, com base na ação isolada, incauta, temerária, de uma pessoa filiada ao PT, em exercício de cargo em comissão no Planalto e que, por um acaso, também era servidor público efetivo, e não do órgão em que estava lotado no momento em que resolveu alterar os perfis de Miriam e do Sardenberg. Servidores públicos são honestos, dignos, comprometidos com o cumprimento de suas funções públicas e da lei, respondem severamente por seus erros e nada têm a ver com atos isolados de quem quer que seja, mesmo que possa ser um outro servidor público da carreira que seja.

Exigimos o fim do preconceito do Jornal O Globo contra os servidores públicos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Entrevista Póstuma de Adam Smith: Aquilo que os liberais não leram ou não dizem das idéias de Adam Smith

Este artigo foi estimulado a partir da acusação de Rodrigo Constantino, presidente do Instituto Liberal, de que "esquerdistas" não leram Marx (publicado no Jornal O Globo no primeiro semestre de 2014), porque, se lessem, veriam suas incongruências e suas posturas politicamente incorretas (de 1850, diga-se) nos dias de hoje.

Ao contrário das críticas a idéias completamente temporais de Marx, como suas afirmações a favor de imperialismo sobre a África e a inferioridade de africanos em relação a europeus (visão curta e de poucas luzes com certeza), mas isso nada tinha a ver com a construção da sua teoria socialista, os liberais se lessem Adam Smith naquilo que contradiz suas teses atuais de expansão ilimitada do liberalismo, seriam forçados a admitir que Adam Smith os repreenderia hoje na própria condução de políticas econômicas e de reformulação de Estado.

Smith era realmente genial e quem o lê, sem preconceito é obrigado a admitir isso. E sua genialidade é maior ainda no equilíbrio de suas posições, na crítica da exploração do homem pelo homem, sendo a favor de que o trabalhador pudesse ter melhores salários, na crítica da vinculação de economia e política, na crítica do excesso de privatização e na crítica sobre protestantes votarem em seus próprios pastores. Ele era um filósofo de alto grau. Era crítico até mesmo do imperialismo britânico, em especial em se manter os EUA, à época ainda treze colônias, como colônias, por razões mais econômicas até do que políticas. Muito interessante.

Então, vou enunciar os trechos que pincei da obra "A riqueza das Nações de Adam Smith - Uma biografia" escrito por P.J. O'Rourke, escritor, jornalista e comentarista político do periódico Atlantic Monthly, da coleção "Livros que mudaram o Mundo" da Editora Zahar/Jorge Zahar Editor. E por quê não ler o original? Por pressa. Mas muitos outros motivos existem para você não ler o original de Adam Smith e ler essa aula sobre a obra "A riqueza das nações". Não vou enunciar aqui essas razões, mas se você ler o livro que indico acima, talvez tenha muito mais proveito em ler 250 páginas objetivas com excelentes comentários ricos de O'Rourke, do que ao ler 900 páginas da obra original, das quais grande parte são devido à inexistência da econometria e necessidade de Smith legitimar suas análises econômicas, além de estilo mais floreado de escrever em uma época sem televisões e novelas, além de mais de 200 páginas sobre a oscilação de valor do trigo e da prata... rsrrsrsrs. O'Rourke me convenceu em parar a leitura por aqui, em seu livro, apesar de não sugerir isso.

Bem, além de esse nobre homem ter criado a sagrada lei da oferta e da demanda, ter dado fundamento e criado a teoria liberal econômica de cujas fontes o liberalismo bebe até hoje (e continuará bebendo), ter criado a idéia de divisão do trabalho (a especialização) como forma de aumento de eficiência no trabalho e ter defendido a diminuição do Estado, ele também defendeu limites entre economia e política, na forma como acima apregoamos. E vamos apresentar trechos nesse sentido.

Importante notar, ainda, que sua defesa de uma diminuição do Estado sobre a economia deriva da experiência vivida em 1750 de que a onipresença do Estado inglês prejudicava a evolução e crescimento de empresas e da economia. E é incrível como suas constatações temporais são repetidas por pessoas cultas liberais sem qualquer modulação para os dias atuais, assim como cristãos ortodoxos o fazem com qualquer coisa que esteja escrita na Bíblia, por exemplo. É uma espécia de fanatismo econômico que em alguns casos são de boa fé, mas e muitos sou obrigado a ver má-fé em deturpar o que Smith disse para justificar um avanço da economia sobre a política e de empresas sobre a Administração pública muito além do que Smith mesmo admitia. É uma bandeira política e não mais um interesse pela saúde da economia o que move esses senhores ortodoxos, a meu ver.

Senão vejamos. Vamos à entrevista do Blog Perspectiva Crítica a Adam Smith.

Blog Perspectiva Crítica - O que Smith teria a dizer sobre o interesse de empresários e comerciantes em relação ao interesse público? A lógica empresarial é a salvação do mundo? Colocar megaempresários em altos postos políticos é bom para a política e para o interesse público? Se há sucesso no mundo empresarial, esse sucesso não pode ser reproduzido no Estado? Seria bom que Antônio Ermírio de Morais (falecido e nobre e nacionalista empresário) ou Eike Batista fossem Presidentes da República?

Smith - "O interesse dos comerciantes... em qualquer ramo do comércio ou das manufaturas e em alguns aspectos é sempre diferente e até oposto ao do público." (ob. cit., citação de Smith, pg. 64)

Blog Perspectiva Crítica - O lobby exercido por empresas no Congresso é atividade que ajuda em realização de programas e políticas públicas com interesse público e propalação do bem em nossa comunidade? Afinal, o que for bom para empresas deve ser bom para toda a sociedade, não é mesmo, Adam?

Smith - "A proposta de qualquer nova lei ou regulamento do comércio (vindo dos comerciantes ou manufatureiros) deve ser ouvida sempre com toda precaução e jamais ser adotada antes de longo e cuidadoso exame.. com a mais desconfiada atenção." (ob. cit, citação, pg. 64)

Blog Perspectiva Crítica - Hum.. Adam, talvez se os EUA tivessem prestado atenção nesse seu comentário, não teriam desregulamentado tanto o mercado de títulos e não existiriam o subprime e a crise financeira internacional de 2008.. interessante. Mas você não acha que a privatização de funções do governo tornaria o governo mais eficiente? A lógica empresarial usada no governo seria algo fantástico, não? Veja em sua época  a administração em Bengala, território colonial inglês, exclusivamente pela Companhia das Índias Orientais.

Smith - " O governo  de uma companhia exclusiva de mercadores é, talvez, o pior de todos para qualquer país." (ob. cit. , citação, pg. 64 - O'Rourke  aqui cita literalmente, sobre Smith, que "ele não era entusiasta da privatização das funções governamentais")

Blog Perspectiva Crítica - Mas e a relação entre patrões e trabalhadores, entre o lucro e o salário, entre a riqueza e a pobreza? O que você pode nos dizer em relação a estes temas?

Smith - "a opressão dos pobres deve estabelecer o monopólio dos ricos" e " (o lucro) é sempre mais elevado nos países que caminham para a ruína" (ob. cit. , citação, p.62). "Os patrões estão, sempre e em qualquer lugar, numa espécie de combinação tácita, constante e uniforme para não aumentar a remuneração do trabalho". "Nossos mercadores e mestres manufatureiros se queixam muito dos altos salários sobre o aumento dos preços... das suas mercadorias, tanto aqui quanto no exterior. nada dizem a respeito dos efeitos ruins dos altos lucros. Ficam calados quanto aos perniciosos efeitos dos próprios ganhos. Só se queixam dos ganhos dos outros." (ob. cit., citação, pg. 63)

Blog Perspectiva Crítica - Hum.. deve ser por isso que sempre estão contra criação de cargos públicos (concorrência por mão de obra qualificada entre o público e a área privada que aumenta salários na área privada), aumento de salário minimo, a favor de terceirização na área privada e na pública e nunca comentam que a inflação no Brasil também é resultado do fato de que o lucro aqui é três vezes maior do que nos EUA e Europa... interessante, Adam. também são contra o pleno emprego. pois assim não haveria sobra de mão-de-obra que pressionasse para baixo o salário do trabalhador. O que você acha do pleno emprego, Adam?

Smith - "Se a sociedade empregasse anualmente todo o trabalho que pode anualmente comprar,... o produto de cada ano bem-sucedido teria valor muito maior que o do ano precedente," "(Como Thorsten Veblen resmungava) Não existe , porém, nenhum país cuja produção anual integral seja empregada para manter a indústria. Os ociosos aqui e ali consomem grande parte dela".(ob. cit. citação, pgs. 62/63)

Blog Perspectiva Crítica - Entendo.. quanto mais pessoas trabalhando, mais a produção anual seria maior e mais valorizada, gerando crescimento econômico.. talvez o pleno emprego não deva só ser enfocado como custo de produção.. interessante.. mas então, para finalizar, você acha que empresários deveriam ser governantes? Você não deixou isso muito claro na pergunta anterior. Você acha que o ideal político mundial seria o de dever criar um grande mercado econômico mundial, um mundo reinado pela lógica de mercado?

Smith - "A indigna voracidade, o espírito monopolizador dos mercadores e dos fabricantes, que não são e nem deveriam ser os governantes da humanidade, talvez não possa ser corrigida: pode muito facilmente, entretanto, ser impedida de perturbar a tranquilidade de qualquer pessoa , além das deles." " A violência e a injustiça dos governantes da humanidade é mal antigo, contra o qual, temo, a natureza dos negócios humanos dificilmente admitirá algum remédio." (ob. cit., citação, pg. 179)

Blog Perspectiva Crítica - Rsrsrs.. muito boa Adam.. realmente, é melhor a política ficar com a política e a economia e seus senhores, banqueiros e empresários, ficarem no seu quadrado a bem de todos. Muito boa essa conclusão. Obrigado por sua participação.

Encerrada a entrevista, rsrsrrs, tecemos a última consideração.

Por fim, Smith também segue incompreendido em algumas conclusões que fez à época de 1750, a partir de observações e informações disponíveis à época, e gerou idéias liberais aberrantes que são verdadeiras mentiras propaladas pelos liberais e que prejudicam a economia e os cidadãos.

Uma dessas mentiras que hoje acabaram sendo cristalizadas é a de que servidor público é gasto. Veja. Adam Smith ponderou isso. Como? Ele avaliou que uma lojinha produz, gera arrecadação ao Estado e lucro ao indivíduo. Isso é exemplo de produtivo. Mas um policial, por exemplo? Ele não produz nada. Ele não gera arrecadação ao Estado, pelo contrário, gera a despesa de seu salário. E não gera lucro para ninguém pois não produz. Ele, assim como servidores públicos, seriam pesos mortos necessários devido às necessidades da vida e deveriam existir em número mínimo possível ao contrário de empresas. Entendeu?

Mas em 1750 não existiam pesquisas sociais avançadas e nem era possível se avaliar o impacto da segurança para a a atratividade do investimento, de uma eficiente máquina fiscal para a agilidade da burocracia e melhora do ambiente de negócios. Não se avaliava qual o retorno em dinheiro para a economia do investimento em saúde e educação, que o IPEA afirma ser maior do que o investimentos em exportação, por exemplo. Então, algumas conclusões de Smith também devem ser relativizadas e atualizadas. Investimento em serviço público gera riqueza para a nação, para a economia e para o cidadão, como mostra a comparação da lista dos países de maior IDH no mundo se comparadas à lista de países em que o índice de participação de servidores públicos na força total laboral desses países é muito maior, em regra do que no caso dos países de baixo IDH (veja detalhes sobre este fato no artigo de link do p.s. de 16/09/2014, abaixo).

Por tudo isso, sugerimos que todos leiam Adam Smith, mas que os liberais também o leiam, para atualizá-lo e respeitar sua genialidade mais do que justificar suas idéias de política econômica sem comprometimento com o bem da economia, do ambiente de negócios e da qualidade de vida do cidadão.

p.s.: todas as citações de Adam Smith tem a menção ao texto original por P.J. O'Rourke, no livro citado.

p.s. 2: Quando Adam menciona comerciantes e manufatureiros, hoje deve ser entendido como grandes empresários e banqueiros. Na época, os centros financeiros mundiais não eram os donos da economia e do mundo como hoje.

p.s. de 16/09/2014 - Para verificar que países de maior IDH no mundo têm maior proporção de servidores públicos em todo conjunto de trabalhadores de seu país, acesse http://www.perspectivacritica.com.br/2014/08/ocde-comprova-paises-de-maior-idh-e.html

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Unctad afirma: Arquitetura financeira global prejudica crescimento, a culpa é dos países ricos e países emergentes devem focar em mercado interno e menos em exportações a países ricos

Gente, esta informação publicada no Jornal do Commercio de 11/09/2014, sob o título "Entre 8% e 15% da riqueza financeira mundial estão em paraísos fiscais" é essencial para a boa compreensão do que ocorre hoje no mundo: a arquitetura financeira e econômica global atual prejudica o crescimento econômico de países emergentes, a culpa é de países ricos e o foco de emergentes deve ser em mercado interno ao invés de exportações a países ricos, aumentando a renda média per capita do país para aumentar crescimento e desenvolvimento econômico.

Senhores e senhoras, essa informação é de relevantíssima importância. observe os trechos que selecionamos deste artigo do Jornal do Commercio On Line publicado em 11/09/2014:

" Em relação às empresas, o principal veículo de evasão fiscal ou de evasão e fuga de capitais dos países em desenvolvimento é ouso indevido de "preços de transferência” – quando as empresas internacionais definem preços para bens e serviços fornecidos a diferentes partes de sua rede de forma a gerar lucros ou perdas que minimizem o pagamento de impostos. A estimativa da Unctad é que os países em desenvolvimento estejam perdendo mais de R$ 160 bilhões de dólares por ano, valor bem superior ao dasoma dos orçamentos de ajuda dos países desenvolvidos.

A Unctad observa ainda que a arquitetura fiscal internacional não se adaptou adequadamente a essa realidade. “Os centros financeiros offshore e as jurisdições sigilosas que os hospedam estão totalmente integrados ao sistema financeiro global e a quantidade significativa de fluxos comerciais e de capital é canalizada por meio deles. O uso dessas jurisdições hoje faz parte da prática empresarial 'normal' na maior parte das grandes empresas e bancos.”

Mobilizar a receita fiscal nacional é fundamental,de acordo com o relatório, que reconhece os esforços recentes destinados a melhorar a transparência e o intercâmbio de informações sobre questões fiscais.O alerta, entretanto, é sobre o fato de que tais iniciativas são, na maioria,lideradas pelas economias desenvolvidas – algumas das quais abrigam jurisdições sigilosas e poderosas corporações transnacionais.

Com isso, o texto constata que governos de países ricos e pobres precisam ampliar os gastos públicos em infraestrutura, serviços básicos e transferências sociais, além de financiar investimentos, para reverter o atual quadro econômico de lento crescimento. “Com níveis mais elevados de renda média, surgem uma base tributária mais ampla e fontes mais confiáveis de arrecadação por parte do Estado”, informa o relatório. “A atual estrutura da economia global está dificultando a expansão das receitas”,acrescenta.

Para evitar o risco de uma queda acentuada do crescimento, o documento orienta que os países em desenvolvimento deem menos ênfase às exportações aos países desenvolvidos e mais destaque às demandas doméstica e regional. (Agência Brasil)"

Acesse o original em http://www.jcom.com.br/noticia/149978/Entre_8_e_15_da_riqueza_financeira_mundial_estao_em_paraisos_fiscais
 
Há enorme fuga de capitais e de arrecadação de países por conta de engenhos financieros globais que prejudicam a arrecadação e investimentos governamentais em diminuição da desigiualdad social e impedindo maior transferência de renda e crecimento econômico em países emergentes. 
 
Importante salientar que a pesquisa da Unctad também revela que o aumento de renda média per capita proporciona base mais estável de arrecadação apra os governos, indicando que países emergentes deveriam focar mais em políticas que gerem aumento de renda média do que em políticas que aumentem exportações a países ricos. Muitíssimo importante.
 
Isso significa que a pesqusia do IPEA há muitos anos que sugeriu qyue o investiumento em educação e saúde gera mais riqueza do que o investimento em exportação estava correto. Segundo o IPEA, em artigo inclusive publicado por esta Blog, enquanto 1 dólar investido em exportação gera 1,04 dólar para nossa economia, um dólar investido em saúde gera 1,4 dólar  para a economia e cada dólar investido em educação gera 1,85 dólar par a economia brasileira. 
 
Portanto, a abertura do Brasil ao ALCA, por exemplo, fica diminuído em importânmcia à políticas de crescimento do mercado interno, por exemplo. Isso porque a Uncatad percebeu que aumento de renda per capita média gera base de arrecadação maior e mais estável do que crescimento de negócios entre transnacionais gigantes internacionais que blindam seus lucros e receitas em offshores (paraísos fiscais), longe da arrecadaçao de países ricos ou emergentes, impedindo o aumento de arrecadação e a disponibilidade de valores para investimentos na economia nacional e na transferência de renda dos mais ricos para os mais pobres em cada país.
 
Cada vez mais o sistema multipolar internacioanl, representado pela ONU, Unctad, OCDE e outros organismos multilaterais, declaram sua autonomia em relação aos grandes centros financeiros interncionais, produzindo informação que cria perspectiva real para o enriquecimento dos cidadãos no mundo, ao invés de reforçar sistemas que blindam interesses de empreas transnacionais contra o orçamento de países, crescimentos de economias e diminuição de desigualdade social em todo o planeta.
 
O Blog Perspectiva Crítica se regozija com este tipo de informação  e aplaude o Jornal do Commercio por divulgar este tipo de informação que não se vê na grande mídia nacional, por seu evidente vetor em prol do sistema financeiro interncanional que privilegia, acima de tudo bancos, em prejuízo a empresas nacnioansi de todos os países, em prejuízo do emprego e da busca pela qualidade de vida do cidadão em todo o mundo. 
 
Parabéns Jornal do Commercio.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O Espetáculo da Corrupção e o Engôdo Social

É muito interessante o gigantesco alarde em torno da nova questão de corrupção em torno da Petrobrás, a partir da declaração de um envolvido que pretende diminuir sua pena, o ex-diretor Paulo Roberto Costa.

A coluna hoje da Miriam Leitão, intitulada "Águas Profundas" noticia o fato, a questão de ter sido declarado o envolvimento de, segundo artigo da Veja sobre o caso, "três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e 25 deputados". E, claro, tanto ela como Merval e todos das mídias de direita estão vociferando contra o furacão de milhões de corrupções e tal, que somente a existência do PT no poder ocasiona algo dessa natureza e mostra o descalabro do governo... Enfim, e qual artigo aponta a solução para este problema? Nenhum.

Enquanto a mídia fatura com a publicação do "caos" na Administração Pública, do "caos" endêmico da corrupção no Brasil (rsrsrs), ninguém faz a conexão desses casos com os diversos outros casos em outros governos brasileiros, estrangeiros e muito menos com a corrupção existente na área privada e a partir da área privada. Não se trabalha a idéia global da causa da corrupção e muitíssimo menos a solução, a qual passa pelo investimento nos serviços públicos que combatem a corrupção, como Promotoria de Justiça, Procuradoria da República, Tribunais de Contas, Polícia Técnica, Judiciário, Auditorias Fiscais.

Pior ainda. Enquanto se alarda que a corrupção está aí, solta, livre, gigante e, claro, "petista" (rsrsrs), a mídia, na outra ponta, recrimina investimentos nos setores públicos que ajudariam a combater a corrupção. E nesse sentido, apóia cortes de gastos públicos na polícia, cortes em valores para contratação de servidores para polícias e para fiscais, cortes inconstitucionais que o governo faça nos orçamentos do Judiciário e do Ministério Público para remuneração e contratação de mais servidores, juízes e promotores... Quer dizer, enquanto lucra publicando como caos um fato social que é espraiado pelas sociedade em todo o mundo, por todos os governos brasileiros, inclusive por todos os povos da história, e explorando uma petetização da corrupção na administração pública para apoiar seu candidato a governo, a grande mídia também mina as possibilidades de a sociedade resolver tal problema, o qual só pode ser resolvido com fiscalização, provas criminais, investigação e trabalho da Promotoria Pública e do Judiciário. Isso é ou não é enganar a sociedade?

Enquanto explora um fato que envolve a Petrobrás que deveria ser considerado um caso de polícia, como todo caso de corrupção, em momento nenhum é discutido o que deve ser feito para solucionar a questão da corrupção. Aí está o engôdo social. Posso imaginar que não haja o efetivo compromisso, portanto, da mídia com essa idéia, qual seja, do fim da corrupção.

O que eu gostaria que a mídia, então, fizesse? Veja. Se não sabe o que fazer, nós do Blog Perspectiva Crítica podemos dizer, para ajudar a mídia em sua função de publicar fatos verdadeiros e impulsionar a sociedade a resolver seus problemas na vida real.

Primeiramente, deveria ser dito que uma pesquisa da KPMG, publicada, creio, no Anselmo Gois, há alguns anos, informou que a a corrupção na área privada leva em torno de 5% de toda sua produção. Era algo nesse sentido. Já publicamos sobre isso em alguns dos vários artigos sobre corrupção. Assim, como a arrecadação do Estado é de 38% do PIB (carga tributária), pode-se observar que a corrupção na área privada é dimensionada em 5% de 62% do PIB do Brasil. Para que a corrupção na área pública fosse do mesmo tamanho nominal da corrupção na área privada o percentual de perda na área pública deveria ser em torno de 10%.

Numa arrecadação federal de 1 trilhão de reais por ano, a corrupção federal deveria ser de 100 bilhões de reais anuais para se comparar com a corrupção da área privada, a qual pode ser quantificada, a grosso modo, em 125 bilhões de reais ao ano (5% de 62% de 4,5 trilhões de reais, o total do PIB do Brasil em 2013, mais ou menos).

De posse desses números, temos que o mensalão do PT foi de 130 milhões de reais, o do DEM foi de 730 milhões de reais, o do PSDB não foi dimensionado em valores, o prejuízo da Petrobrás com Pasadena chegou a uns 900 milhões de reais (há que se discutir aqui o que foi risco de investimento, o que foi erro de avaliação e o que foi prejuízo), enfim... seria interessante entender que qualquer ato de corrupção é grave e deve ser denunciado, mas deve ser dimensionado adequadamente sobre o que se está falando, principalmente vendo que na área privada o quantitativo de valores envolvido aparenta ser maior do que na área pública.

E quanto sobre quem pratica corrupção? Bem, sobre governos, temos fatos no PT, nos trens de São Paulo sob governo do PSDB, por doze anos, mensalões no PT, no DEM e no PSDB, investimentos em pista de pouso/aeroportos de tio-avô de Aécio Neves. Importante informar que é sempre envolvido por empresas privadas, pois o Poder Público sozinho não corrompe e nem é corrompido. E então temos uma grande parcela de culpa da área privada, que não é só vítima, mas partícipe. E temos que considerar então que é praticada nos EUA, por empresas de plano de saúde quando enganam seus clientes (ver filme SOS SAUDE SICKO - Michael Moore), por empresas farmacêuticas quando fazem lobby em baixo nível pra que a autoridade de Farmácia (FDA) lá não deixe aprovar o uso de um medicamento melhor para combate a Aids para não prejudicar vendas de outro remédio (ver filme Clube de Compras Dallas), por empresas como a IBM que ajudou a organizar o III Reich Alemão de Hitler, inclusive a organizar os escravos judeus, pela Siemens, envolvida na questão dos trens de São Paulo, e inclusive a corrupção é praticada por integrantes de famílias reais, como o príncipe espanhol, por exemplo, em caso recente. Fora a tremenda corrupção que envolve prestações de serviços ao Estado através de empresas privatizadas, Organizações Sociais e Ongs, em que parte do dinheiro ganho vão para campanhas políticas dos políticos que ajudaram na contratação dessas mesmas entidades.

Então, de posse dessas informações, nós do Blog teríamos ainda a dizer que toda a Corrupção exige a participação de uma empresa privada como partícipe ativa. Enquanto somente nos casos de concussão é que a empresa privada é vítima. Na concussão o servidor público exige algo da empresa para fazer o que deve ou se omitir. A empresa é coagida, vítima e se submete. Esse número de casos é infinitamente inferior aos casos de corrupção, em que, por definição na lei, há a conduta ativa, da empresa pedindo para que o servidor faça ou deixe de fazer algo ilicitamente,  a que, em seguida, há a conduta de corrupção passiva, em que o servidor aquiesce ao pedido do particular e participa do crime de corrupção. Aqui o Estado é vítima do particular, e é o maior número de casos.

Colocado então por esse prisma, nós do Perspectiva Crítica, já tendo exorcizado o demônio da "corrupção" sempre na "área pública" e que cria risco á Nação (u-hu-hu-ha-ha-ha..), trataríamos, se a grande mídia fôssemos, como fato grave e que merece denúncia, mais uma vez, como sempre ocorreu, como sempre ocorre e como sempre ocorrerá. E assim compreendido, passaríamos da fase de "estupefação" ridiculamente explorada comercialmente e até eleitoralmente, para a fase da proposta e ação. O que fazer?

E aí nós diríamos que a grande mídia poderia apoiar a valorização de Policiais Civis e Federais, que investigam os casos de corrupção. Apoiaria a aprovação da PEC 300, por exemplo. Também poderíamos dizer que a mídia apoiasse o investimento em cursos na polícia técnica e fizesse entrevistas com policiais considerados ótimos em seus serviços de investigação. Transformasse-os em celebridades, como fazem com empresários. Enaltecer seus brios e transformá-los em modelos a serem seguidos por seus colegas de profissão seria ótimo para a moralização dos policiais e para a impressão de que servidores públicos honestos também podem ser admirados em sociedade. Não somente mulheres bonitas e de corpo esbeltos e rapazes jovens esbeltos que pretendem ser atores e atrizes em novelas deveriam ganhar esse enaltecimento, segundo nosso ver.

Se o Blog Perspectiva pudesse ainda indicar outras coisas à grande mídia sobre o tema "corrupção e sua solução", apontaria que o desrespeito à autonomia do Judiciário e do Ministério Público em gerir seus orçamentos é responsável pelo fato de haver milhões de processos sem solução. Porque os promotores e juízes, assistidos por seus servidores, não existem em quantidade suficiente para a demanda social e o impedimento por parte do Executivo, aplaudido pela mídia como austero, de que Judiciário e Ministério Público possam gerir seus orçamentos impede execução de política de remuneração, reajustes salariais e contratação de servidores, juízes e promotores, esvaziando os quadros da Magistratura e do Ministério Público, condenando Promotores e Juízes a pilha e pilhas de processos que não poderão resolver e os crimes de corrupção à inevitáveis prescrições, safando os bandidos.

Então, esperamos que a mídia, que vem melhorando com nossa crítica, possa ver o que faz de errado, muito errado no tema "corrupção e sua solução". Esperamos que mude suas abordagens superficiais, descomprometidas com a solução do problema corrupção. Queremos que mude com a abordagem mentirosa e preconceituosa de que corrupção só existe por causa do Estado e que mostre que o Estado também é vítima e que a corrupção privada é muito maior. E queremos que mostre que sem investimento em Polícia, Ministério Público, Tribunais de Contas e Judiciário, não é possível combater eficientemente a corrupção.

Do jeito que a mídia aborda o tema, está instituída a desinformação em massa sobre o que é, qual o tamanho e quem pratica a corrução, tanto quanto está instituída a ocultação da real solução contra a corrupção: o aumento de investimento público em polícia, ministério público, tribunais de contas e no Judiciário. Ou seja, está instituído o engôdo social, a partir do espetáculo da corrupção.

P.s. de 10/09/2014 - Texto revisado.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Preço de imóveis desacelera há nove meses consecutivos, segundo notícia do Globo e FIPEZAP

Hoje foi publicado na versão on linbe do Jornal O Globo a seguinte matéria: " FipeZap: preços de imóveis desaceleram pelo nono mês consecutivo no País".

Observe o trecho que selecionamos.

"— Há, sem dúvida, uma tendência de acomodação dos preços depois do crescimento dos últimos anos — avalia Bruno Oliva, economista da Fipe, acrescentando que a inclusão de quatro novas cidades não influenciou nos números do mês. — Essa inclusão é feita com rigor estatístico para impedir que haja distorções. O índice ficaria abaixo dos 10% de qualquer forma."


Acesse a íntegra em: http://oglobo.globo.com/economia/imoveis/fipezap-precos-de-imoveis-desaceleram-pelo-nono-mes-consecutivo-no-pais-13812639#ixzz3CNsmEYc2

Há a informação que ainda há valorização anual de imóveis, mas que essa valorização está caindo mês a mês, ano a ano. E o que já foi valorizção de 50% no ano, hoje não passa de 6% no RJ no acumulado do ano, com alta em agosto, por exemplo de 0,47%, o que anualizado para frente dará 5,64%. E esta valorização foi menor do que outras cidades como Goiânia (9,81% acumulado no ano) e Campinas (7% acumulado no ano), já havendo queda real em cidades como Brasília (-1,07% no ano) e Porto Alegre (-2,22% acumulado no ano).

Não sabemos como são calculadas as promoções de 35% a 55% de imóveis pelo método FipeZap, mas até mesmo o índice mais conservador verifica a queda de aceleração de valorização, o que significa que os imóveis rumam para valorizações anuais até abaixo da inflação do ano. Isso caracterizaria esvaziamento de bolha, a não ser que este movimento se intensificasse muito, gerando a perdade de valor real de imóvel a partir de 30%, a nosso ver. Por enquanto, Somente algumas cidades já apresentam perda real de valor de seus imóveis e ainda em percentuais não superiores a 2,2%, neste ano. Não há notícia se este cálculo já está deflacionado, caso contrário, some a inflação de 6% no ano sobre esta perda e Porto Alegre já teria queda média de valor de seus imóveis pode chegar a até 8% a 10% no fim desse ano.

Continuamos acompanhando.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Análise dos candidatos à Presidência e suas propostas/projetos de governo, segundo o Blog Perspectiva Crítica

Importante o Blog Perspectiva Crítica se posicionar sobre os principais candidatos à Presidência da República para este pleito de 05 de outubro de 2014. Nós gostamos de deixar claro que somos propositivos e declaramos voto para nossos leitores, como alguns jornais britânicos e americanos fazem, pois isso é mais honesto do que posar de neutro e na verdade estar catapultando alguma candidatura a seus leitores, como a grande mídia costuma fazer.

Antes de nos posicionarmos queremos tecer um elogio ao William Bonner. As entrevistas aos candidatos à Presidência da República foi vigoroso e contundente com todos. Isso é bom. Houve uma imparcialidade e profissionalismo na abordagem a que este Blog não estava acostumado, vindo da grande mídia. Parabéns, William. Esta atuação acrescenta ao debate e ajuda a democracia. Repercute bem, também, para a imagem do veículo de mídia, neste particular.

Em seguida, para analisarmos os governos temos de fazer uma pequena consideração sobre o governo atual para partirmos de um ponto comum, já que as propostas que são feitas muitas vezes se referem a continuar isso ou mudar aquilo que está sendo feito pelo governo atual. Para verificar se isso é bom ou ruim, temos de ter nossa própria posição sobre o que fez e não fez o governo atual.

Então, agora daremos início à nossa análise, que não poderá ser profunda, porque é um artigo de Blog que se propõe a ser sucinto.

Do Governo Atual

O atual Governo Petista, continuidade do governo de 2002 e do subsequente governo de 2006, iniciou-se em 2010 e manteve um estilo muito importante para o Brasil, segundo as perspectivas do cidadão e do Blog Perspectiva Crítica. Com bons balanços finais arrancados até de editais da Folha de São Paulo (ver p.s. de 10/09/2014), em especial quanto à candidatura à reeleição de 2010, obtida com êxito, a verdade é que os três governos do PT mudaram o País e deram continuidade de melhoria econômica e social ao domínio da inflação obtido por dois governos anteriores do PSDB.

Projetos de décadas nunca retirados do papel saíram, como a transposição do Rio São Francisco, que pode debelar ou amenizar muitíssimo a seca do Nordeste. Ainda não está pronto, mas o Exército, após terminar metade do empreendimento em tempo e devolvendo 150 milhões de reais aos cofres públicos, agora se incumbe de terminar a outra parte que a iniciativa privada não terminou, mas cujo dinheiro gastou.. rsrsrs. Isso não saiu no Globo, né? Rsrsrs. A iniciativa privada é demais.

Mas o governo desenvolveu o comércio exterior que saiu de 100 bilhões de dólares em fins de 2002 para mais de 500 bilhões de dólares em 2013. Grandes bancos deram recordes seguidos de lucros. Empresas obtiveram grandes lucros e acréscimos patrimoniais. O PIB cresceu a mais de 4,5 trilhões de reais. A taxa de desemprego é das menores da história e se mantém constante assim. O dólar não dispara. A inflação não sai da meta, mesmo que fique no teto, há mais de dez anos. O salário mínimo aumentou muito, saindo de 60 dólares na época de FHC para em torno de 300 dólares agora. E a Petrobrás multiplicou quase dez vezes seu valor de mercado em 2002, mesmo estando hoje metade do valor de cinco anos atrás (Segundo o Blog Preto no Branco, a Petrobrás valia 15,3 bilhões de dólares em dezembro de 2002 e em 27 de agosto de 2014 valia 127 bilhões de dólares. Confira em http://oglobo.globo.com/blogs/preto-no-branco/posts/2014/08/29/dilma-valor-de-mercado-da-petrobras-547693.asp)

O aumento do salário mínimo e o aumento do Bolsa Família, assistência social direta, diminuiu a extrema pobreza e quase extinguiu a miséria no País. De 40 milhões, agora são 6 milhões de miseráveis. A educação evoluiu muito e pessoas de baixa qualificação estão difíceis de serem encontradas no mercado; vagas estas que estão sendo ocupadas por estrangeiros, como na Alemanha, p.ex., o são por turcos e portugueses.

Pela primeira vez se ouviu falar em punição de operadoras de telefonia celular e de planos de saúde. Houve uma explosão de consumo de planos de saúde. Não houve apagão elétrico de 65% do país como ocorreu na época de FHC.

E os erros? Também tiveram alguns, mas menos do que acertos, ao nosso ver. A tentativa de ajustar contratos elétricos ainda não está sustentável. Não se sabe se as chuvas fossem mais abundantes essa situação estaria assim (já foi publicado que não), mas o sistema tem que ser sustentável, contando com eventual falta de chuva também. Isso precisa de ajuste. A falta de previsibilidade de preços de gasolina para a Petrobrás é um problema e um erro. Compreensível para quem quer gerenciar (alguns diriam manipular.. mas essa manipulação é feita em todo o mundo rico com enormes subsídios) a inflação. Mas tem que se ajustar isso, pois o peso está caindo muito sobre a Petrobrás. E a política para o álcool? Praticamente acabou. Um erro e um prejuízo para muitos empresários que foram estimulados a investir na Arábia Verde Brasileira. Isso também precisa de ajuste.

E o investimento no serviço público? Durante o Lula aumentou bastante. Mas Dilma freou o investimento no serviço público. Um erro, já que a Noruega e a Dinamarca têm entre 35 a 39% de todos seus trabalhadores da sociedade como sendo servidores públicos e o Brasil, muito mais carente do que Noruega e Dinamarca, tem apenas 10,7%, segundo dados da OCDE. Alemanha (+/-18%) e França (+/- 24%), Inglaterra (+/- 16%), EUA (14,7%) e Chile (+/- 15%) também são países com mais servidores públicos em sua base de trabalhadores do que o Brasil. No mínimo eles têm mais 50% de servidores do que nós. Então, para nos aproximarmos do nível de vida europeu, o melhor do mundo, com assistência social, previdência pública, saúde e educação públicas e gratuitas de qualidade e bom ambiente de negócios, precisamos investir nos quadros públicos. Errou Dilma nesse quesito, pois hoje investe 4,2% do PIB em servidores, enquanto FHC já investiu 5,4% do PIB.

Demorou a Dilma a investir  e conceder portos, rodovias etc.. apesar de ter tentado ao máximo entregar energia elétrica suficiente para a produção, entregando em média 6 gigawatts/ano (* ver p.s. de 05/09/2014 e p.s. de 08/09/2014 abaixo) . Importante dizer.

Há um desgaste do governo, no entanto, em virtude de grande dimensão da publicidade da corrupção, adoção de alguns atos anti-republicanos e anti-democráticos, tais como não respeitar a gestão do Orçamento do Judiciário pelo Judiciário, ter o PT apoiado a Lei da Mordaça para os Promotores Públicos, a proposta do Sistema Nacional da Participação Social, dentre outros casos de menor dimensão. Isso acaba incutindo um sentimento de mudança, mesmo tendo sido um governo que não acobertou investigações, um governo que mais que triplicou o contingente de policiais federais em todo o País, desde 2002, que não engavetou ações penais federais e teve elogios pela ONU para o funcionamento da Controladoria Geral da União (CGU), idealizada pelo FHC e instituída pelo PT.

Em termos gerais, é isso.

Como se apresenta Marina?

Ela se apresenta com um programa de esquerda reciclada, admitindo a manutenção dos principais instrumentos econômicos e de política econômica defendidos por bancos e consagrada pelo mercado financeiro mundial. Mas ela declara intenção no investimento em serviço público. Isso nos aproximaria da vida européia. Não se declarou contra a energia nuclear, da qual precisamos para gerar um pouco de energia elétrica, mas, mais importante, para podermos ter um mínimo de sistema econômico sustentável para produzir urânio enriquecido que tem aplicação em nosso submarino nuclear, bem como em medicina (exames de tomografia computadorizada demandam urânio enriquecido, p.ex) e agricultura.

Ela também disse ser contra a aula religiosa obrigatória e disse que esta questão já está equacionada pela Lei de Diretrizes e Bases do Ensino que a deterrmina como facultativa. Disse que acredita e defende o Estado laico. Que manterá o tripé econômico e declarou a autonomia do Banco Central. Disse que não é contra a Reforma Tributária, mas que a Reforma Política (Concordamos. Somente a proibição de financiamento privado de campanhas por empresas pode extirpar 50% de toda a corrupção na política, cremos) é mais importante. Disse que aliará desenvolvimento com sustentabilidae ambiental.

A visão do Blog é a de que o programa do PSB é de esquerda moderna. O PPS, principal partido da base da candidatutra do PSB, teve, cremos, importância nessa configuração, pois se apresenta como um partido socialista moderno e sem medo e sem preconceito do mercado. Eles estão sendo equilibrados e conservadores na economia, e pretendem um incremento no serviço público, em especial no que tange à saúde e educação.

Discordamos de que Marina seja radical de qualquer espécie. Não nos parece isso de seus discursos. Não parece que não teria sustentação política para governar, pois se aproximaria do PSDB, DEM e manteria o PPS e PSB. Tem trânsito junto ao PT, de onde se originou. Tem apoio dos verdes. Vemos possibilidade de governabilidade. E os partidos pequenos debandam para quem está no governo. A eleição exigirá da Marina que seja flexível. Que converse com raposas. Ela parece aberta a passar por essa provação.

No Mercosul, ela deseja a flexibilidade de realizar acordos bilaterais. Em princípio o Blog não apoiaria isso, mas a situação da Argentina está muito complicada e complicando nosso potencial de realizar negócios. Somos contra o ALCA e prioridade a acordos bilateriais que não tenham proposta equilibrada de acesso mútuo a mercados, pois senão somos prejudicados, como o Chile está sendo prejudicado pelos EUA, por mais que a mídia diga o contrário. Mas uma flexibilidade hoje não é estapafúrdio.

Achamos, hoje, que Marina é talvez a melhor opção para quem quer continuidade de assitência social,  segurança jurídica para investimentos, controle inflacionário com parâmetros clássicos (tripé), e investimento no setor público com enfoque na melhora da qualidade de vida do cidadão. Pelo que vimos até agora, ela nos aproxima do nível de vida europeu. Ela também renova os quadros públicos, retirando todo o grupo anterior, o que é bom para CPIs, e demonstração de seriedade e combate à corrupção, ampliando a esperança na política, o que é bom para todos; inclusive para o PT, caso nada seja descoberto a não ser as maracutaias comuns de empresários com a política em alguns cantos da máquina pública, o que sempre existirá.

Como se apresenta Aécio?

Aécio é um bom quadro do PSDB. Ele representa, na visão do Blog, uma volta mais economicista da política. Aécio representa o grupo de direita atual, com apoio da mídia e trânsito no centro financeiro internacional. Representa o Estado Mínimo, o que significa menos servidores públicos, o que vai na contramão do que fizeram França, Inglaterra, Noruega, Dinamarca e até, em parte, EUA.

Não vi exposições sobre política externa, mas creio que Aécio significa uma abertura maior do Brasil ao exterior. Não sei se garantindo vantagens à nossa indústria também, pois a direita defende o internacionalismo, apesar de não citar que os países ricos, que propagandeiam o livre comércio, não deixam que nós entremos com produtos em que somos competitivos, mas querem entrar no Brasil com produtos e serviços com os quais não podemos competir. A direita também não informa que os países ricos são os que mais "investem" em subsídios econômicos em suas economias, sem o que, por exemplo, o leite nos EUA custaria o dobro do que custa hoje. A inflação assim fica menor artificialmente, mas a grande mídia não sublinha isso e compara direto com nossa inflação não subsidiada (ao menos não como a deles).

Apesar de FHC não ter conseguido a Reforma Tributária e nem a desburocratização da máquina pública e das exigências para criação e extinção de empresas, Aécio representa essa idéia de que isso seria efetivado. No tocante à política econômica, Aécio nada mudaria, pois o PT faz o que o PSDB fazia, mas o PT participou da criação dos BRICS, do G-20, e da quadruplicação do comércio exterior com aumento de diplomatas.

Aécio também promete esquecer o trem de alta velocidade e usar o dinheiro para expadir terns e metrô por todo o País.

Bem, nós entendemos que posição mais conservadora seria interessante quando o país tiver uma qualidade de vida mais semelhante à européia, o que, hoje, demanda aumento de investimento em serviços e servidores públicos. Como Aécio é contra isso, e a favor de privatização de ensino e educação e saúde, com cooperativas e Ongs, a princípio nós somos contra. Gostamos de ele querer substituir o Programa Mais Médicos por quadro de servidores públicos federais médicos, como sugerido pelo Blog, mas não disse como isso seria feito, pois médicos brasileiros não querem ir pro interior do Amazonas, Acre, Mato Grosso, Nordeste.

Entendemos que não é o momento para voltarmos ao economicismo. Algo que nos aproxime da social democracia européia é melhor do que algo que nos aproxime da vida nos EUA. O pagamento de tributo pelo cidadão deve ao menos garantir-lhe saúde básica de qualidade e gratuita e ensino básico de qualidade e gratuito. Isso só é possível com contratação de médicos e professores pagos com muito bons salários pelo Estado. A Justiça célere também precisa de mais servidores e Juízes com política de valorização remuneratória. A arrecadação precisa de fiscais. E mais fiscais tornam mais céleres as tramitações burocráticas, melhorando o ambiente de negócios. Então, precisamos de investimentos no serviço e em servidores públicos, pois se entendemos que na área privada bons salários atraem melhores empregados, não podemos entender o contrário para a área pública, pois isso não teria sentido lógico, não é mesmo? Rsrsrsr.

Duvidamos da Reforma Tributária, pois todos os Governadores terão de concordar para pedir para suas bancadas apoiarem a alteração, mas ninguém sabe ao certo quanto ganhará ou perderá imediatamente. A Reforma Tributária é um dilema.

Como se apresenta Dilma?

Na nossa opinião, o governo de Dilma, assim como os de Lula, foram excelentes. Diminuíram a desigualdade social. Diminuíram a desigualdade regional. Aumentaram o PIB. Diminuíram a taxa de desemprego. Aumentaram salário mínimo. Tudo isso com controle inflacionário e responsabilidade fiscal. Tiveram coragem de diminuir superávit fiscal para que a economia privada e os empregados não sofressem. Desenvolveram tudo com autonomia e soberania.

A parte da corrupção foi grave mais porque envolvia uma ideiá de financiamento de projeto de poder, pois o dinheiro envolvido foi de 130 milhões de reais enquanto que o mensalão do DEM foi de 730 milhões de reais. E o mensalãio do DEM e do PSDB nem foram votados pelo STF.. e pelo jeito nem serão.. rsrsrs. A mídia não anda reclamando.. rsrsrsrs.

Na opinião do Blog, o grande problema do PT não é seu programa. Mas seus isolados, mas que estão se somando, atos anti-republicanos e anti-democráticos. Nada de bolivarianismo, ainda. Nossas instituições não deixam. Mas o desrespeito à gerência do orçamento do Judiciário pelo próprio Judiciário, a defesa da Lei da Mordaça aos Promotores Públicos, e a criação do Sistema Nacional de Participação Social, para nós, são atos gravíssimos. Pior do que não deixar a gasolina aumentar, alterar o contrato do sistema elétrico (de aceitação voluntária das geradoras de energia, é bom que se diga.. quatro não aceitaram e não tiveram alteração em contratos.. isso não é rasgar contratos). O questionamento federativo que criou com o pré-sal teve legitimidade, mas foi muito arriscado para a federação.. quase teve um fratricídio federativo.

Então, por mais que o Blog apoie muitas das coisas efetuadas pelo governo, inclusive o Programa Mais Médicos, sabendo que não é a solução perfeita, mas que salva vidas todos os dias e diminui idas a hospitais das regiões pobres, o protagonismo de candidatura perde para a Marina que passa uma imagem de respeito à democracia, respeito à República, com respeito ao cidadão e ao mercado. Isso, esse espírito de renovação, a Dilma não pode oferecer. E por isso, apesar de seu programa nos aproximar da Europa e nos afastar do estilo americano de vida, o Blog entende melhor, ao que se pronunciou até agora, o voto em Marina.

Fica aí nossa opinião e contribuição para a consideração dos leitores.

p.s. de 02/09/2014 - Texto revisto e ampliado.

p.s. de 05/09/2014 - A afirmação de entrega de 6 mil Megawatts/ano, foi de Dilma, pelo que me lembro, em 2013. Entretanto, recentemente foi informado em um artigo do Jornal O Globo que a previsão de consumo energético para o ano de 2014 caiu de 67 mil megawatts, ou 67 Gigawatts, para 65 Gigawatts, tendo em vista a queda de produção e do crescimento do PIB. Então, senhores, é possível que o governo Dilma tenha entregue no total 6 Gigawatts. Ou mesmo que todo o governo petista tenha entregue isso, pois três anos de governo Dilma entregando 6 Gigawatts por ano geraria 18 Gigawatts entregues em 2013, ou aumento de mais de 30% da capacidade disponível de energia elétrica em 2010. Pode ter ocorrido? Bom, só uma das hidrelétricas gigantes de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte tem a capacidade de entregar 11 Gigawatts. mas não está pronta. Não sei se foram contadas várias hidrelétricas pequenas, mais termelétricas, mais parques eólicos e solares e geração própria de indústrias disponibilizadas no mercado livre para que se fizesse tal conta de entrega de 6 Gigawatts por ano no governo Dilma (ou até a disponibilidade disso em mercado por conta de mera conclusão de obras de instalação de linhas de transmissão), mas cremos que é mais crível que tenha sido entregue isso em todo o governo Dilma ou em todo o Governo petista. Enquanto não faço a pesquisa no site da EPE ou da Aneel, fica aqui essa ponderação sobre a informação dada.

p.s. de 08/09/2014 - Texto revisado. E é importante mostrar como as informações passadas pela mídia muitas vezes são incompletas e até equivocadas. Publica-se uma coisa e mais à frente se publica outra. Como ninguém, a não ser os especialistas da área, acompanha ninguém vê que a informação acabou sendo passada equivocada. Foi assim com a informação de número de diplomatas contratados e efetivos no Brasil no início do Governo Lula, quando chegaram a afirmar que havia um número menor de diplomatas do que realmente havia. E depois um artigo melhor corrigiu para 1.500 o número de diplomatas no Brasil. A informação vem sobre um fato, e incompleta e depois acaba sendo completa, por quem segue a informação. Temos de nos acostumar a isso, pois jornais não são centros de pesquisa. Eles publicam um fato e não têm o compromisso ou missão de explicar tudo direito ou corretamente ou dar parâmetros completos e perfeitos. Mas nós do Blog que queremos passar isso aos leitores sofremos um pouco com isso. Rsrsrsrs E agora sobre a energia disponível na economia. Observe. Foi publicado, em 05/09/2014, como descrito no post acima, que a EPE previa demanda de 65 Gigawatts. Admitimos que isso era algo próximo do total que o parque brasileiro produzia, até porque a mídia comentava há meses que estávamos próximos de apagão, certo? Por isso fomos obrigados a admitir que talvez a informação de Dilma de que entregou 6 Gigawatts por ano pudesse estar errada. Bem, foi publicado hoje, 08/09/2014, na página 15 do Jornal O Globo, um mapa da produção de energia elétrica no Brasil, esclarecendo tudo direitinho. O parque total brasileiro tem 136,777 Gigawatts (Mil megawatts), sendo 86,625 Giga de hidrelétricas, 36,269 Giga de usinas térmicas, 4,725 de pequenas hidrelétricas, 3,862 Giga de usinas eólicas, 1,99 Giga de usinas nucleares, 0,016 Giga (16 Megawatts) de usinas fotovoltaicas e 0,288 Giga (288 Megawatts) de outras fontes. Estão sendo construídas usinas que gerarão 36,684 Gigawatts, de todos os tipos acima mencionados, e a previsão de acréscimo ao sistema no tempo para os próximos três anos é de 3,430 Gigawatts em 2014, 10,185 Giga em 2015 e 6,16 Giga em 2016. Não há informação dos acréscimos ocorridos durante o período de governo do PSDB e do PT. Portanto, senhores, não seria absurdo nenhum que Dilma tenha entregue até 6 Gigawatts por ano, conferindo esses anos. Mas não podemos afirmar que tenha ocorrido, pois não houve publicação desses dados. Chama a atenção que o jorna não tenha querido publicar a entrega de Gigawatts por ano antes de 2014, claro.. rsrsrsrs. Se a entrega tivesse sido pífia, creio que teria sido publicado.

p.s. de 10/09/2014 - No início do artigo corriginmos que houve publicação favorável na "Folha Dirigida" para "Folha de São Paulo".. rsrsrsrs... imagina se a Folha Dirigida iria fazer balanço político de governos.. rsrsrs. O editorial do Jornal a Folha de São Paulo que elogiou o governo petista em campanha de re-eleição, inclusive foi objeto de publicação e comentário em nosso Blog. Desculpem a falha. Também revisamos todo o texto e efetuamos correção de digitação.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Análise econômica Agosto/2014 - muito além das automáticas más notícias da grande mídia

Bem, senhores e senhoras, a grande mídia é obrigada a publicar fatos econômicos, vez por outra, mesmo que não queira apresentar dados positivos sobre a economia. Neste artigo vamos colocar a realidade econômica atual, sem partidarismos da grande mídia pró mercado financeiro e sem partidarismos esquerdistas. Economia é economia.

Só para variar, hoje, 27/08/2014, no Globo On Line tem várias notícias interessantes e dissonantes das costumeiras publicações da grande mídia sobre irresponsabilidade fiscal, crescimento de dívida pública, e ocaso da economia brasileira.. rsrsrs. Parece até que quiseram publicar tudo de uma vez para voltarem a pingar notícias de caos de agora em diante.. rsrsrs

Veja estas notícias:

Dívida Pública Federal recuar 1,35% em julho - acesse http://oglobo.globo.com/economia/divida-publica-federal-recua-135-em-julho-13745236

BC registra entrada em agosto de R$1,2 bilhão até 22 de agosto - Acesse http://oglobo.globo.com/economia/bc-registra-entrada-em-agosto-de-12-bilhao-ate-dia-22-13744002

Internacionalização das empresas brasileiras cresceu em 2013, diz Fundação Cabral - Acesse http://oglobo.globo.com/economia/negocios/internacionalizacao-das-empresas-brasileiras-cresceu-em-2013-diz-fundacao-dom-cabral-13742499

Observe. A dívida pública federal baixou porque há gestão da dívida pública, mesmo que os juros nababescos de 11% ao ano, totalmente desnecessários, continuem diminuindo o esforço do governo e do Banco Central em enxugar a dívida pública brasileira. Então, a despeito dos juros exorbitantes, há responsabilidade fiscal no governo. Isso contraria as principais publicações da mídia sobre o tema.

A entrada líquida de investimentos na economia em 1,2 bilhão de dólares não me parece demonstrar aversão a investimentos no Brasil ou pânico no mercado internacional contra o investimento no Brasil e me parece corroborar a manutenção do Brasil entre os maiores atratores de investimento direto estrangeiro em todo o mundo. Isso também vai contra a idéia de que a economia brasileira é mal gerida e assusta investidores.

E a internacionalização de empresas brasileiras indica que empresas brasileirasd estão bem financeiramente, pois as operações de investimentos no exterior requerem elevadíssimas somas, com preparação anterior de longo prazo e previsibilidade de gastos e receitas bastante detalhado e discutido em função do fluxo de caixa e da capacidade financeira das empresas que decidem avançar por esse tipo de operação estratégica. Isso viola as informações de que as empresas brasileiras estão em estado de mendicância e miséria diante de um caos econômico interno.. rsrsrs.

Somemos a essas informações o fato de que o IPCA mensal cai desde março de 2014. Somemos a isso que a previsão de inflação já está abaixo de 6,5%, para dezembro de 2014, pelo próprio mercado, que há uns dias atrás previu (somente agora.. rsrsrs) inflação em 6,27% em dezembro de 2014. E somemos a isso os juros selic em 11% ao ano, queda de produção e previsão do crescimetno do PIB abaixo de 1% para esse ano e queda na produção de emprego. Esses elementos indicam ou subsidiam a previsão de que os juros Selic devam aumentar?!?! Claro que não. Mas é o que o "mercado" projeta.

Bem, gente. A verdade é a seguinte, seguindo nossas coesas análises há quatro anos seguidos.

O Banco Central está fazendo o contrário do que deveria estar fazendo. Ele deveria ter equilibrado o juros básicos à solidez de nossa economia, aproveitando que os juros no mundo estão baixos para nivelar nossos juros com os níveis internacionais. Mas não. Portugal, recém-saído de estado pré-falimentar, paga 3,5% de juros básicos e nós, sólidos e e dia com nossas contas e dívidas, sem sofrer o menor abalo em nossa capacidade de pagamento pelos nossos títulos da dívida pública, pagamos 11%. Nossa relação dívida/pib é das menores dos países ricos, mas na Europa e nos EUA os juros básicos estão próximos de zero e aqui pagamnos 11%.

O Banco Central, que está seguindo a cartilha do mercado, do qual não é mais autônomo, está entregando os juros que o mercado pede e que só o Brasil paga. A pressão inflacionária não é tratada de foram real, verdadeira e profissional. Pressão de alimentos, combustível e energia elétrica porque falta chuva não pode ser compensado por aumento de juros selic que aumenta dívida pública e compete pelo dinheiro disponível em empresas para fazerem investimentos produtivos. Aumentar juros selic não aumenta chuva, oferta de alimentos ou oferta de petróleo. A pressão inflacionária de demanda deve ser combatida com aumento de depósito compulsório, como a China faz. Isso não retira dinheiro dos investimentos, não baixa taxa de investimentos e não aumenta dívida pública. Mas diminui operação e lucro de banco, então não pode fazer no Brasil.

Considerando então essa realidade de juros absurdos e incompatíveis em 11% nominais (Selic) ou 5% reais ( o maior juros reais no mundo), temos de dizer que é normal que a economia esfrie, pois o objetivo de um juros desse tamanho é esse mesmo. Aliado a isso, as famílias estão com endividamentos altos que foram incentivados pelo governo em atividades anti-cíclicas para evitar perda de empregos ao Brasil e perda de crescimento econômico do PIB. Chegamos no limite dessa política que foi boa. Teve exageros, mas não foi um movimento irresponsável, a nosso ver.

O aumento nominal da dívida pública por todos esses dez anos foi pífio em relação ao aumento da dívida pública de europeus e americanos. E nós aumentamos a dívida via injeções de bilhões de reais ao BNDES para incentivar a atividade econômica enquanto eles injetaram trilhões de dólares para salvar bancos e empresas da bancarrota e evitar o ocaso de suas economias. É muito diferente. Nós chegamos a aumentar dez por cento o valor nominal da dívida pública, mesmo baixando a relação dívida/pib todos esses anos, o que indica que o PIB cresceu mais do que a dívida e o investimento (injeções de verba pública no BNDES) foi bom e atingiu seu objetivo anti-cíclico. Os europeus e americanos tiveram aumento nominal estratosférico de sua dívida pública e também, muito pior, da relação dívida/pib de seus países. Enquanto o Brasil está com 34% de dívida líquida ou 55% de dívida bruta (somada as injeções do BNDES para turbinar a economia), europeus e americanos experimentam dívidas entre 85% e 125% (com injeções de valores que salvaram bancos e empresas da falência e que podem não voltar aos cofres públicos).  E isso é apontado como bom pela mídia para americanos e europeus, e ruim para o Brasil. Interessante e cômico até.

O que se apresenta é que a inflação está sob controle. Mais esse ano do que no ano passado. As medidas governamentais e do Bacno Central, se não foram as melhores, continuaram mantendo nosso crescimento econômico com qualidade superior ao de países como Colômbia, México, Peru (o que são esses países diante do Brasil? rsrsr) e ao de países de economia do tamanho mais assemelhado ao nosso, como EUA (nem tanto.. rsrs), Espanha, França, Alemanha e Itália. Por quê? Porque nossos bancos e empresas não estão endividados com o governo ou com títulos podres da dívida pública e nossa taxa de desemprego é menor do que de todos eles. Isso indica uma saúde melhor do Brasil, que ainda oferece Previdência Social Pública aos brasileiros e um atendimento médico público de emergência que não há em EUA, Colômbia, Peru e México. Isso é custo orçamentário. Mas mesmo assim estamos melhores. Isso é indicação de qualidade de parâmetros econômicos e sociais.

Então com inflação batendo em quase 0% no IPCA de julho e pouco mais do que isso em agosto de 2014, com famílias endividadas, com aumento nmenor do salário mínimo para os próximos anos, a tendência é de queda na inflação. Somente a falta de chuvas, crise no petróleo e quebras de safra de alimentos aliado a pouco crescimento econômico internacional é capaz de pressionar a inflação de forma contundente. Fora isso, a devolçução de aumentos de gasolina e preços administrados podem fazer uma pressão interna no próximo ano mas que pode compensar a queda da inflação pelos outros componentes. Assim, a queda da inflação pode não ser tão grande como seria sem essas compensações, mas é sorte do nosso país que pudemos criar essas compensações e que houve vontade política nesse sentido, pois isso mantém nível inflacionário mais ameno, equilibrado e não prejudica o ambiente de negócios, já que a meta inflacionária é atingida ano após ano há mais de doze anos.

A construção civil e a venda de carros também diminui. Outro item desinflacionário. E a economia internacional não dá sinais de grandes avanços. O que é desinflacionário também. A nossa produção de petróleo cresce vertiginosamente por causa do pré-sal e de mais 311 blocos concedidos no Nordeste e Norte. Então, pelo lado do petróleo, quando atingirmos a produção de 4 milhões de barris de petróleo em 2018, haverá um forte fator desinflacionário (ou deflacionário) e de grande saldo em balança comercial, hoje mais murchinha muito por causa da conta petróleo.

As perspectivas para aumento de inflação e do câmbio são pequenas em quantidade, mas existentes, em especial por conta da política monetária americana em diminuir injeção de 30 bilhões de dólares diários na economia americana (decisão recente do FED). Isso tem condão de subir o valor do dólar independente das ações do BC e do governo. É fato externo à política monetária, como clima (alimentos), chuva (energia elétrica) ou guerra no Oriente Médio que prejudica o valor do petróleo e o inflaciona, atingindo nossa economia.

Para aumentar crescimento, mantendo inflação baixa, somente com o Banco Central invertendo o que fez, ou seja, baixando juros selic, à medida em que aumenta depósito compulsório. Aí poderá deslanchar a taxa de investimento ao mesmo tempo em que se controla inflação sem aumentar dívida pública.

O horizonte está bom para inflação. Mas podia estar melhor para o investimento.

p.s.: texto revisto e ampliado.

p.s.2: Importante salientar que em fins de julho e durante agosto também houve uma devolução de auemntode preços de hotéis e passagens aéreas, com o fim da Copa. Mas a queda dos alimentos foi mais imporante e de repercussão mais dissemidnada no índice de inflação. Houve queda na inflação de serviços, o que é importantíssimo, pois era um grande problema. Então, para frente (inflação prospectiva) se não teremos mais quedas grandes de hotéis e passagens aéreas, pelo menos nada indica que teremos grandes altas de alimentos ou do setro de serviços. Possibilidades de inflação sempre há, mas não pode o Banco Central continuar a fixar juros com base em inflação possível. Isso não existe no mundo. Juros existem para influir sobre inflação efetiva. Com o argumento do "risco" e mero "risco da inflação", as financeiras estão chantageando o Banco Central vendo inflação futura e pedindo alta interminável de juros Selic.