quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Comentários sobre as reformas da previdência, tributária, administrativa e pacto federativo

Pessoal,

é muito importante, mesmo que não se aprofunde em um único artigo os temas importantíssimos das reformas que se encaminham, que cheguem ao cidadão umas informações básicas sobre as mesmas, para que a péssima informação publicada pela grande mídia de mercado tenha um contraponto, sob a perspectiva do cidadão, da pessoa física, enfim, do brasileiro real, como nós e vocês.

Esse é o objetivo deste artigo e para atingi-lo, faremos os comentários a partir de cada tema, de forma bem objetiva e em bloco. Vamos a eles.

Reforma da Previdência

Sobre esta reforma já escrevemos algumas vezes. De tempos em tempos uma reforma desta natureza deve ser feita, naturalmente, como já ocorreu mais de uma vez na França. Nossa pirâmide etária mudou. Seria insustentável o pagamento de aposentadorias daqui a duas ou três décadas.

Mas, nós do Blog, deixamos patente que a proposta original do Governo era acabar com a previdência social, na prática, porque o regime de capitalização geraria o que ocorreu no Chile há trinta anos atrás. Acabaria praticamente a relevância da Previdência Social no Brasil, todos esses valores iriam migrar, na prática, para bancos privados através de investimento em previdência privada, mas muitíssimos mais brasileiros simplesmente não fariam esta poupança e acabaria o Brasil daqui a 30 anos como acabou o Chile hoje: 95% de aposentados ganhando ATÉ UM  SALÁRIO MÍNIMO. Um crime.

Não era uma reforma para salvar a previdência. Era uma reforma para acabar com a previdência e o maior objetivo era acabar com toda a contribuição de empresas ao regime previdenciário (equivalente a 40% de todos os instrumentos de transferências de renda no país), pois no regime de capitalização cada cidadão cuida do seu fundo para a previdência. Haveria uma contrapartida de empresas e do governo, mas seria mínimo.

Então, a verdade é que o objetivo de Guedes e Bolsonaro foi de acabar com a previdência, enriquecer bancos privados, empobrecer o cidadão, principalmente mais pobre, e acabar com custo de empresas do financiamento da previdência para aumentar seus lucros. Que isso fique claro. O argumento de atacar o déficit da previdência foi subterfúgio a este objetivo torpe de encerrar a previdência social brasileira.

Mas o Congresso, normalmente inútil, não deixou e defendeu o povo brasileiro. A reforma não saiu tão ruim, não, em vista do fim do mundo que poderia ter sido. Nosso aplauso, principalmente, além dos partidos de oposição, PSOL, PT e REDE e aos políticos sérios e independentes, ao Senador do PSDB-CE, Tasso Jereissati, que abrandou muito o crime que em parte se fez ao brasileiro. Esse Senador terminou resgatando um pouco da dívida moral do PSDB, fazendo, ao menos nesse caso, o que um partido social-democrata realmente deve fazer.


Reforma Administrativa

Cabível. Com o passar do tempo, muitas coisas que deviam existir num passado distante, como contratação direta de garçons em 1940, ficam obsoletas, diante da modernização da sociedade, aumento da educação da população, novas formas de trabalho e prestação de serviços.

Também gratificações e benesses que antes podem ter sido concedidas para compensar baixo valor da moeda brasileira, alta inflação, incapacidade do governo dar reajustes e correções aos salários para atrair servidores, após um período de correção desses valores e aquisição pelo Brasil de estabilidade da moeda, pode tornar anacrônicos alguns mecanismos de valorização do servidor, que antes se justificavam, como por exemplo chegar no fim da carreira em 15 anos, haver diferença de 10% entre valor inicial da carreira e valor final da carreira, haver direito de incorporar gratificações para levar para a aposentadoria ou ter número de férias incompatíveis com todos os demais trabalhadores.

Mas ponderamos e concluímos que a reforma foi pensada para acabar com o Estado brasileiro. Isso fica claro quando se analisa a proposta de fim da estabilidade, baixar valores de servidores de cúpula, como Advogados da União e congêneres a R$5.000,00 reais iniciais, criar um sistema de "shut down" (mais uma americanização desnecessária que o governo pretende) com facilitação de demissão de servidores além das hipóteses que já existem em nossa Constituição sob pretexto de salvar o orçamento, implantação de controles totalmente opacos em seus métodos para averiguar a "produtividade" de servidores com vistas a demitir o "improdutivo", etc...

Já há previsão constitucional e na Lei de Responsabilidade Fiscal para que haja demissões de servidores estáveis em caso de excesso de limites de despesas do Estado. O que ocorre é que os chefes dos Poderes do Executivo não executam a demissão para não perder votos e não ter manchetes sobre "a que ponto chegou o descontrole do Estado na mão daquele chefe de Poder Executivo", seja Prefeito, Governador ou Presidente da República.

Tudo o que está sendo apresentado em roupagem de como se fosse garantir eficiência administrativa, na verdade esconde o objetivo de desfazer a máquina pública e nesse sentido deve ser combatida. Uma Reforma honesta preveria o corte de 25 mil cargos em comissão federais (não em funções comissionadas como Bolsonaro fez e que se destinam a servidores de carreira e não a indicados políticos) e mais de 300 mil em todo o país. Uma Reforma honesta tentaria questionar onde existe e onde não existe inchaço da máquina pública e contrataria servidores onde há necessidade destes, como na área de saúde e previdência. Somente cortar funcionário, como Guedes vem fazendo, gera filas de espera delongadas a pobres e integrantes da classe média em busca de prestação de serviço público.

Veja o INSS. Guedes disse que não reporia servidores que se aposentassem. O INSS chegou a precisar de 13.500 servidores e agora tem uma fila de 2 milhões de benefícios que não são analisados e entregues ao cidadão. E qual foi a sugestão de solução do Bolsonaro? Contratar militares da reserva sem experiência em procedimentos previdenciários para que ganhassem mais 30% e a população continuasse esperando eles aprenderem o ofício que ao menos mais 8 mil servidores contratados fariam até se aposentarem, mantendo regular o serviço de forma permanente ao cidadão. Isso é eficiência adminstrativa? Não. É eficiência eleitoral para parte dos eleitores de Bolsonaro.

Criticamos que a reforma não tem como objetivo a melhora da máquina pública, mas a destruição da máquina estatal, o que significa do Estado. Senão respondam: como haveria operação lava jato se não houvesse estabilidade aos servidores públicos que atuaram na Polícia Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal, Procuradoria da Fazenda e no Judiciário? E não nos digam que estes servidores não teriam a estabilidade cortada.. isso é que nem fio de novelo.. começa em um lugar e termina por desfazer todo o novelo.

E saibam: implantação de controle de produtividade, que já existe hoje, é bom que se diga, é bonito de ouvir, mas sem método para proteger o servidor, pode gerar a exclusão de servidores independentes e comprometidos com o interesse público que se negam a fazer o que os chefes, quando são inescrupulosos, mandam fazer contra a lei ou normas institucionais. Muitas vezes esses chefes são indicados políticos ou de outra autoridade e entrou sem prestar concurso público e deve ao padrinho que pode ser inescrupuloso. Então, é muito complicado e a mídia não trata do tema com profundidade e seriedade que deveria ser exigida. Então, vemos risco e não só "oportunidade de modernizar o Estado", como fala a grande mídia, na Reforma Administrativa que se avizinha.


Reforma Tributária

Nessa reforma o problema é mais simples e fácil de ver do que os interesses sorrateiros que estão por trás da Reforma Administrativa: a grande mídia em conluio com o mercado financeiro não ousa falar sobre redistribuição de peso contributivo tributário entre ricos e pobres no Brasil. A grande mídia só fala em diminuir o número de tributos porque gerará "mais eficiência tributária" e "menos horas de trabalho e custos de empresas para recolherem tributos".

Uma reforma tributária digna deveria instituir o imposto sobre distribuição de lucros e dividendos, que daria 250 bilhões de reais em dez anos à sociedade brasileira. Só o Brasil e a Letônia não tributam isso. EUA, França, Inglaterra, Alemanha e todos os países ricos tributam  a distribuição de lucros e dividendos. As famílias donas da Globo, Bradesco e Itaú recebem bilhões de reais anuais sem pagar imposto sobre esta distribuição, por exemplo. É justo?

Uma reforma tributária aumentaria ou discutiria o aumento do imposto sobre a herança no Brasil. Na França a média é de 40%. Nos EUA varia de 3,5% a 77%. Bill Gates pagará 77% sobre a herança que dará aos filhos quando morrer. É claro que ele paga seguro de vida que devolverá o dinheiro à família, mas o fato é que em países de IDH elevado há mecanismo de equilíbrio da desigualdade entre gerações de compatriotas. E aqui? Bill Gates pagaria de 4 a 8%. Isso é paraíso fiscal.

Perguntamos: Não pode a herança acima de 20 milhões de reais pagar 20%?!?!? O potencial de arrecadação pode ser de mais centenas de bilhões de reais em dez anos para equilibrar o orçamento. Vimos uma vez ( e escrevemos sobre) que o Imposto sobre Grandes Fortunas no Brasil daria mais 1 bilhão de reais ao ano ao orçamento. É outro imposto muito menos amplo do que o que aqui mencionamos, mas é arrecadação que combate déficit fiscal. Por que não se fala disso?!?!?! Porque é melhor tungar pobres e classe média na previdência no valor de 840 bilhões em dez anos. Só se discute combate ao déficit fiscal brasileiro pelo lado do corte de despesa e não se discute o lado da arrecadação.

Uma reforma tributária séria tentaria fazer ricos e milionários pagarem imposto equivalente ao IPVA sobre jatos particulares, helicópteros e iates.. mas não é sobre o que a grande mídia publica para essa reforma tributária. Sabe quanto seria a arrecadação desse imposto, leitor? A UOL Economia calculou em 4,7 bilhões anuais, o que equivale a 47 bilhões de reais em dez anos. Mas tira de dinheiro de rico e no Brasil não pode. O Brasil tem que espremer pobre e classe média.

Uma reforma tributária não torna despicienda/desnecessária a reforma da previdência e reforma administrativa, mas enquanto estas tungam mais de 840 bilhões de reais de pobres e classe média (198 milhões de brasileiros), em dez anos, a reforma tributária poderia entregar mais de 2,5 trilhões de reais ao orçamento público do Estado Brasileiro em dez anos, tungando muito menos brasileiros (500 mil brasileiros a 2 milhões, no máximo); e os tungando muito menos do que os ricos e milionários estrangeiros o são em seus países ricos dos mais elevados IDHs  no mundo. Fizemos esse cálculo em artigo específico, há poucas publicações atrás (acesse: http://www.perspectivacritica.com.br/2019/10/o-chile-de-hoje-em-caos-e-o-prenuncio.html).

E a CPMF ou outro imposto que lhe faça as vezes? Pode arrecadar 50 bilhões por ano. Por que não deixam? Você não pagaria 0,25% de todas as suas movimentações financeiras para acabar com déficit de valores na Saúde? Seu plano de saúde poderia ficar mais barato. Claro que você pode. Mas a guerra contra esse tributo é porque ele é o maior instrumento de fiscalização contra sonegação de grandes empresas e pejotizados ricos e autônomos no país. Ricos que não pagam tributo pelos dividendos, que receberam de sua mega empresa, teriam de pagar CPMF, quando movimentassem esse dinheiro no banco. É por isso que não pode.

Então, senhores e senhoras, vejam, a Reforma Tributária que poderia estar contribuindo para diminuir a desigualdade social entre indivíduos e entre gerações, que poderia arrecadar trilhões de reais em dez anos e acabar de vez com o déficit fiscal brasileiro (que hoje já é ficção orçamentária, é bom dizer, principalmente depois da queda da selic a 4,5% ao ano), será uma peça de reestruturação da forma dos tributos, não chegando nunca nos ricos, grandes corporações e bancos (exceto a reforma da previdência que criou uma contribuição específica pra bancos, mas é pouco). Ou seja, a reforma tributária sugerida existe pra reproduzir a desigualdade contributiva que existe hoje e deixar toda a carga do déficit fiscal do Estado Brasileiro a recair sobre as costas de pobres e classe média, na forma da reforma da previdência, reforma trabalhista e reforma administrativa.

Somos 197 milhões de otários para manter bancos, grandes corporações, a grande mídia, pejotizados ricos e ricos, milionários e bilionários brasileiros sem pagar impostos e sem contribuírem para o superávit fiscal do país, bem como deixar o país sem o investimento que seria disponibilizado em saúde e educação e bem-estar social com esses valores que poderiam ser arrecadados como o são em países ricos.


Pacto Federativo

Senhores e senhoras, aqui não iremos nos delongar. Guedes quer que todo o sistema construído por décadas de vinculação de receitas tributárias a gastos sociais e de bem-estar social, em especial em educação e saúde, seja desfeito. Ele quer todo o dinheiro da arrecadação na mão dos políticos para que eles decidam o que pagar, como e quanto e a quem. Ele chama isso de devolver soberania ao Congresso e Câmaras Legislativas Estaduais e Municipais.

Perguntamos: se você fosse um político vagabundo, ladrão mesmo, você estaria feliz ou triste com essa medida do Guedes?!?! Soltando fogos!!! Botar o orçamento livre na mão dos políticos!!! Imagine só! Primeiro o dinheiro iria para pagamento de campanhas, como já tá sendo direcionado via aumento de fundo eleitoral!!!! Segundo, iria para empresas que ajudassem os políticos, como ocorre nos EUA. Depois iria para bancos, a título de pagamento antecipado e "responsável" da dívida pública, diria o mercado e a mídia. Gente, o dinheiro seria minguado para a Saúde e Educação ano a ano até acabar em convulsão social.

O assim chamado Pacto Federativo é o maior crime contra a sociedade brasileira. Ele intenta acabar com os investimentos obrigatórios  que o país, estados e municípios têm de efetuar em saúde, educação e bem-estar social.

Essa reforma descaracteriza a Constituição, ataca a Constituição Cidadã de 1988, que é a maior riqueza do brasileiro, quando obriga o Estado a cuidar do cidadão. Essa Reforma do Pacto Federativo é integralmente perniciosa. Somente a discussão sobre desfazimento de Municípios que não se sustentam é interessante, e mesmo assim é muito difícil, pois não é questão simples.

Para nós, todo o Pacto Federativo pode ser arquivado a bem do Brasil.


CONCLUSÃO

Encerramos essa análise superficial. Cada tema pode ser muito aprofundado, mas entendemos que essas perspectivas criam um mínimo de debate honesto sobre os temas que estão sendo tratados de forma ridícula e enviesada pela grande mídia, em benefício da classe mais abastada da população. E não falamos aqui de classe abastada porque ganha 20 salários mínimos ou 30 salários mínimos..., estamos falando da classe intocada da população, ou seja, aqueles que ganham 100, 200, 400 mil reais por mês, no mínimo, empresas que faturam bilhões de reais por ano, famílias que recebem bilhões de reais de dividendos por ano.

A conclusão fácil é a de que todas as reformas sob a tutela do Guedes e Bolsonaro estão reproduzindo desigualdade contributiva, estão impondo os custos do orçamento deficitário brasileiro exclusivamente sobre as costas de pobres e da classe média, aposentados, servidores públicos e pensionistas e trabalhadores celetistas.

Infelizmente, apesar de necessárias algumas reformas, seu encaminhamento pelo governo é criminoso aos interesses do cidadão e sua família. E temos agora de confiar no Congresso, vejam bem, nos políticos, para que nos salvem. Duro.

Continuamos acompanhando.


p.s. de 24/01/2020 - texto revisado.
 



quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Para você aprender como o mercado financeiro mente para você e os povos de países pobres e endividados

Sempre ele: Elio Gaspari. Ele é de direita, mas é honestíssimo intelectualmente. Seu compromisso com a correta e honesta informação do seu leitor rende-lhe um dos raros casos, para nosso Blog, de não podermos lembrar quando pudemos criticar algo publicado por ele.

No artigo publicado por ele, hoje, no Jornal On Line O Globo, intitulado "Paul Vocker, um servidor público", ele nos conta como entre 1979 e 1985 uma crise bancária norte-americana, que segundo Elio Gaspari, se baseou em empréstimos irresponsáveis, levou o servidor público norte-americano Paull Volcker, como presidente do Banco Central dos EUA, a optar entre salvar os bancos americanos ou explodir com as dívidas de países do terceiro mundo. Ele escolheu a segunda opção, claro, elevando as taxas de juros dos EUA a 21% ao ano, em meio à alta inflacionária dos EUA da época.

É claro que a crise do petróleo de 1979 teve direta causa na questão econômica americana. É claro que os países devem se organizar de forma a não depender demais da economia americana (ou ter reservas cambiais que anulem as respectivas dívidas em dólar), mas vivia-se um mundo criado no pós-guerra, com avanço de uma arquitetura financeira e produtiva global estimulada pelos trilaterais (EUA, Europa e Japão) e em especial pelos EUA, em que a incursão desses países no sistema econômico e produtivo do terceiro mundo era apregoada como uma dádiva para ajudar e desenvolver esses países. Pois bem, eles (países pobres) embarcaram na cantilena e na hora em que apertou o cinto, os ricos se salvaram e definitivamente afundaram os devedores em dólar.

É isso que esse artigo maravilhoso e que será lido por poucos e entendido por menos ainda (exceto o pessoal do mercado financeiro e economistas) te informa. E o pior: fizeram os países de terceiro mundo acreditarem que o problema da "crise da dívida do terceiro mundo", iniciada em 1982, tendo atingido inclusive o Brasil, era deles mesmos. A banca financeira norte-americana não teve sua gigantesca parcela de culpa divulgada.

Essa movimentação se repetiu na crise financeira de 2008/2013. Não foi dito que a culpa foi dos empréstimos mal concedidos pelos bancos americanos a devedores incapazes de pagar suas dívidas imobiliárias. E o mundo inteiro pagou e ainda paga hoje, em desemprego em massa e em baixo crescimento econômico, para salvar os bancos americanos e europeus, na hipótese.

A conclusão de Elio Gaspari é que é o ponto alto do artigo sobre essa movimentação de salvação de bancos americanos entre 1979 e 1982 ter sido publicizada de forma diferente do que realmente foi, isentando os bancos americanos: "A grande proeza dele (Paul Volcker), da banca e do FMI foi conseguirem que todos os governos devedores contassem aos seus povos que a crise era deles."

Transcrevo, como peça de estudo, o fantástico artigo revelador sobre essa trama que se repete cotidianamente no Brasil e no mundo:

"Paul Volcker, um servidor público - Ele mandou na economia americana e quebrou o Terceiro Mundo. Vestia-se mal e morava numa quitinete.
No final do século passado, Paul Volcker estava num coquetel na Universidade de Princeton, uma daquelas confraternizações nas quais os americanos tomam vinho branco em copos de plástico. Um curioso aproximou-se da sua imponente figura (2m01cm) e, no meio da conversa, arriscou:
— O seu livro publicado em parceria com o ex-presidente do Banco do Japão deixa a impressão de que em 1982 o senhor quebrou o Terceiro Mundo para salvar os bancos americanos.
Volcker assumiu o Federal Reserve Bank em 1979, com a inflação americana acima de dois dígitos. Como presidente do banco central mais poderoso do mundo, paulatinamente jogou os juros para cima, e eles chegaram a 21% ao ano. Com isso, num cenário de alta do petróleo e baixa de outras matérias-primas, as dívidas dos países do Terceiro Mundo atreladas às taxas americanas explodiram. Em 1982, o México não conseguiu pagar suas contas. Meses depois, foi a vez do Brasil, e em alguns meses, só na América Latina, 16 países estavam quebrados. Deu-se a esse período o nome de “Crise da Dívida do Terceiro Mundo”.
Volcker respondeu ao curioso:
— Esse era o meu serviço (“That was my job.”), e a conversa migrou para amenidades.
Em 1982 não houve a tal “Crise da Dívida do Terceiro Mundo”, houve uma crise da banca internacional que emprestou dinheiro a quem não devia, mas os credores, com a ajuda dos governos caloteiros e do Fundo Monetário Internacional, inverteram o jogo. (Em 2007, quando a banca atolou-se, ninguém disse que havia uma crise dos devedores americanos inadimplentes.)
Anos depois, William Rhodes, chefe do cartel dos bancos, condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem do Cruzeiro do Sul, escreveria:
“A crise da dívida latino-americana não foi apenas uma punição a excessos de endividamento. Foi também uma crise bancária.”
Volcker salvou a banca porque os servidores públicos americanos defendem os interesses de seu país. 
Ele era um economista do Federal Reserve de Nova York e aceitou a presidência do banco central sabendo que perderia metade do salário. Mudou-se para uma quitinete de estudante em Washington, e sua mulher alugou um dos quartos de seu apartamento em Manhattan. Fumava charutos baratos, comia congelados de mercearias e, certa vez, o presidente Jimmy Carter mandou-lhe um recado: ou comprava um terno novo, ou não o receberia na Casa Branca. (Há uns 20 anos, o milionário presidente da Goldman Sachs chegou em casa com um sobretudo novo, de uma loja caríssima. A mulher mandou que o devolvesse, pois já tinha abrigo para o inverno.)
Volcker tinha dois caminhos: quebrava os endividados do Terceiro Mundo ou quebrava os grandes bancos americanos. Seu serviço, como presidente do Fed, era defender o sistema financeiro dos Estados Unidos. Pouco importava se o presidente da estatal petrolífera da Indonésia havia fechado um empréstimo de 25 milhões de dólares assinando numa caixa fósforos de boate.
A grande proeza dele, da banca e do FMI foi conseguirem que todos os governos devedores contassem aos seus povos que a crise era deles.
Depois de sair do Fed, Volcker foi para a banca privada e contava que lá, num só dia, ganhou mais dinheiro do que em 30 anos de serviço público. Ele morreu na segunda-feira."

Acesse o original em https://oglobo.globo.com/opiniao/paul-volcker-um-servidor-publico-24130241

 Esse artigo mostra para você a importância de bons servidores públicos. Mas mostra como os países ricos se salvam sem compromisso com o bem-estar dos países pobres ou daqueles a quem dizem ajudar. Mostra ainda o método de obliteração da verdade. Mostra como as justificativas que aparecem em sociedade, divulgadas pela grande mídia, são destituídas de qualquer verdade ou de grande parte da verdade.

Para quem acompanha o mercado e as publicações mentirosas da grande mídia, isso é simples, mas a maioria dos cidadãos e dos leitores podem não ter ideia disso e é importante divulgar. O sistema de mentir socialmente sobre orçamento, dívidas, origens e consequências dessas dívidas públicas e as medidas que devem ser adotadas para solucionar e pagá-las ou resolvê-las é o mesmo sempre. Os fatos mudam no tempo, as soluções são apontadas como adequadas a cada caso, mas o vetor retórico é o mesmo: culpa do país, culpa da máquina pública, culpa de trabalhadores com excesso de direitos, culpa de aposentados e servidores... nunca é culpa do mercado... o mercado nunca admite a sua parcela de culpa, sugere o sacrifício popular e todos concordam e aplaudem isso.

O mesmo ocorreu na crise financeira de 2008/2013 (admitem de 2008 a 2011 somente, mas temos reflexos dela até hoje (dez/2019), inclusive no mundo rico). A culpa foi dos bancos americanos e também europeus. Não foram punidos. Milhões de pessoas perderam empregos, em especial nos EUA e Europa. E a crise foi admitida como algo natural e cíclico, algo com o que se conviver.

No Brasil, a mesma coisa se faz com a construção de uma realidade mentirosa sobre a evolução da dívida pública, evolução da crise econômica brasileira de 2013 para cá. Não falam a verdade, culpam exclusivamente o PT e suas administrações, nada falam da influência da bolha imobiliária originada com a crise mundial de 2008, nada falam do menor patamar histórico do petróleo e minério de ferro, nada falam da consequência de majoração de aluguéis comerciais e residenciais para a falta de valores disponíveis das famílias e queda do giro econômico. Você nunca sabe da verdade.

Nessa falta de verdade, criam um culpado ou dois, e massificam que isso é que é a verdade. Você nunca sabe o real e concorda com sugestões de soluções para a causa falsa do problema econômico, orçamentário ou social. A solução sempre empobrece pessoas físicas e enriquece bancos e grandes corporações.

O mesmo foi feito com o "déficit público brasileiro". Ninguém fala que se cobrarmos metade das taxações que países ricos cobram de seus cidadãos ricos e de de suas grandes corporações e bancos o Brasil teria em torno de 3 trilhões de reais disponíveis em 10 anos. Melhor é o Paulo Guedes espremer os direitos previdenciários de milhões de brasileiros e diminuir direitos de aposentados, trabalhadores, pensionistas e servidores públicos e obter 1 trilhão em dez anos. Empobrecer pessoas físicas ao invés de instituir a participação tributária de grandes corporações, pejotizados e bancos...

Temos de entender essa sistemática, senhores. Quanto antes, melhor. Enquanto isso, os direitos, renda e patrimônio das pessoas físicas, os 99,9% da população, definham. Ao fim, sem a sua compreensão e intervenção, nossos filhos estarão recolhendo migalhas da economia, enquanto nos próximos 30 anos os filhos dos bilionários e milionários americanos (somente americanos) estarão recolhendo e compartilhando mais de 36 trilhões de dólares em herança (https://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2019/11/19/herancas-nos-eua-devem-somar-us-36-trilhoes-em-30-anos.htm).

Pare e pense, amigo leitor. E compartilhe, claro.   

p.s.: texto revisado em 11/12/2019.
p.s. 2: texto revisado e ampliado em 12/12/2019.   

terça-feira, 29 de outubro de 2019

O Chile de hoje, em caos, é o prenúncio do Brasil que Guedes quer - Guedes deixa de cobrar 2,897 trilhões em dez anos de grandes empresas e milionários brasileiros

Observe este trecho do artigo do Jornal O Globo on line:

"— Aqui no Chile, se você não tem dinheiro, não pode optar por nada de qualidade, saúde ou educação. Eu expliquei isso aos meus filhos e é por isso que viemos hoje — disse à Reuters Agustín Valenzuela, 44 anos, na marcha de Santiago. — Tudo aqui é privatizado, é um sistema que enriquece às custas de todos nós. Existem muitas injustiças, são baixas pensões, problemas de saúde, tudo é um negócio."

Veja a integra em https://oglobo.globo.com/mundo/maior-marcha-do-chile-reune-mais-de-um-milhao-de-pessoas-em-santiago-por-reformas-sociais-1-24042959

É muito importante que os brasileiros entendam o que está ocorrendo no Chile porque é o prenúncio, 30 anos antes, do que poderá ocorrer no Brasil, caso a visão ultraliberal de Guedes prevaleça sem limites em nosso país magoado com a política, após uma traição da esquerda, bem explorada pela grande mídia, mercado e pelas elites.

O Chile, há 30 anos atrás, capitaneado pelos Chicago Boys (elite intelectual chilena formada em Chicago), optou por privatizar sua previdência social. Claro que baixou muito a dívida pública. Todo país sem previdência social tem baixo déficit público, como Chile e China.

Dentre outras medidas liberais adotadas, a principal foi esta e é a que mais assanha o mercado financeiro, pois aumenta estratosfericamente os investimentos em previdência privada (para quem pode fazê-la), e melhora os números econômicos dando a impressão de melhora geral da economia.

Realmente a renda média no Chile é a maior da América latina, mas os índices econômicos não podem esconder mais a sua feia faceta social:

1 - o Chile é a economia com maior desigualdade social da OCDE;
2 - o Chile depende dos preços do cobre e níquel, commodities internacionais, para ter tranquilidade econômica;
3 - o Chile importa quase tudo para sua economia e gera empregos fora do país ao invés de dentro;
4 - 93% de todos os aposentados chilenos ganham até, NÓS DISSEMOS ATÉ, um salário mínimo chileno que equivale a R$1.300 reais e é insuficiente para bancar vida minimamente digna no país de custo elevado.

É isso o que está ocorrendo. As pessoas, depois de 30 anos, ficaram pobres, apesar de as empresas, especialmente as grandes empresas, terem ficado ricas com exportações. O país tem divisas e baixo déficit público, mas as pessoas foram excluídas do sistema econômico e muitas não conseguem viver ou sobreviver dignamente. Pedem mais educação gratuita, saúde gratuita e aumento de aposentadoria.

O Brasil que Guedes quer, sem um freio pela sociedade e pelo Congresso, irá por esse caminho, a nosso ver. Guedes quer libertar ricos e empresas de tributos e para isso prometeu um país mais justo, com equalização tributária, tributando a distribuição de lucros e dividendos, aumentando a tributação de Pejotizados e diminuição de IRPF, para que houvesse maior igualdade contributiva; mas a reforma tributária prometida para após a aprovação da Reforma da Previdência, agora ficará para após a Reforma Administrativa...

Talvez não dê tempo para a reforma tributária, mas a Reforma Trabalhista que prometia 2,5 milhões de empregos e nada trouxe foi feita por Temer; e a Reforma Previdenciária que tira direito de aposentados, pensionistas, trabalhadores celetistas e servidores públicos foi feita.

Guedes queria a Previdência integralmente paga pelo cidadão. Em outros termos, resultaria no que ocorreu no Chile com a privatização do Regime de Previdência Social. Isso, que não foi aprovado pelo Congresso, terminaria com o maior instrumento de transferência de renda no país, o que contribui para não piorar os índices de desigualdade social no Brasil.

40% de toda a transferência de renda no país se dá pela Previdência Social, com o pagamento de diversas contribuições sociais por empresas de todo o país para garantir, juntamente com a contribuição dos trabalhadores da área privada,  a aposentadoria de 60 milhões de brasileiros.

Em 2/3 das cidades brasileiras, na sua maioria cidades pobres, é o dinheiro da previdência social e previdência pública dos servidores que movimenta a economia local. Isso não é dito nos jornais da grande mídia dessa forma.

Não é que não tenha de haver reformas de vez em quando. Elas são necessárias, mas o déficit público está sendo visto somente pelo lado da despesa e ninguém está cobrando a solução pelo lado da receita.

Enquanto se empobrecem mais de 60 milhões de brasileiros (aposentados da área privada e pública), NADA É COBRADO DE GRANDES EMPRESAS, GRANDES EXECUTIVOS QUE SÃO PAGOS COMO PEJOTIZADOS E NEM DE RICOS, MILIONÁRIOS E BILIONÁRIOS.

Enquanto tungaram todas as pessoas físicas que trabalham no Brasil em direitos trabalhistas, sem lhes garantir emprego, e em direitos previdenciários, "para que todos deem sua parcela de contribuição", veja o que continua igual para grandes empresas e milionários no Brasil e seu potencial de ajuda no combate do déficit público que não se realiza:

1 - Continuam subsídios para grandes empresas que montam 300 bilhões de reais por ano - poderiam cortar 100 bilhões, não é?
2 - Continuam indiscutíveis os pagamentos de juros da dívida que, agora a 5,5% ao ano geram gastos anuais de em torno de 250 bilhões de reais - um devedor em situação delicada não discutiria isso? Donald Trump fez, quando devia 9 bilhões de dólares a vários bancos. Pediu desconto e conseguiu. Está em seu livro. Então será que não dá para obter 50 bilhões de desconto?
3 - Continuam não cobrados impostos sobre a distribuição de lucros e dividendos, que têm potencial de arrecadar 25 bilhões de reais pior ano ou 250 bilhões de reais em dez anos, ou seja, 1/4 do corte na Previdência. Mas a previdência atacou o bolso de todos os brasileiros, praticamente teve efeito sobre 100 milhões de brasileiros, e a taxa sobre distribuição de lucros e dividendos chegaria somente a 300 mil pessoas, mais ou menos. Isso é que é ser Robin Hood às avessas. Cobra-se de classe média e pobre para não se cobrar de rico.
4 - Continuam não cobrados IPVA sobre jatinhos, helicópteros particulares e iates... segundo o UOL/Economia seriam 4,7 bilhões de reais anuais. Seus proprietários não podem pagar esse IPVA, mas você, leitor, pode pagar o IPVA de sua motocicleta e seu mero carro. Gostou?
5 - Pejotizados como os mais bem pagos da grande mídia e do mercado financeiro, pagam entre 6% e 15% de Imposto de Renda, mesmo ganhando de 70 mil a mais de 1.000.000,00 por mês, dentre apresentadores de jornais televisivos, colunistas, apresentadores de programas de entretenimento no Domingo... mas você que ganhar acima de 5 mil reais, como pessoa física, deve pagar 27,5% de Imposto de renda. - Aqui não li o potencial arrecadatório, mas deve ser para lá de R$50 bilhões ao ano. E, no mínimo, seria uma medida de justiça social e contributiva, não?
6 - Grandes devedores do INSS devem 50 bilhões de reais. Isso é somente a parte dos 500 maiores devedores, dentre Jornal o Globo, Bradesco e Itaú... isso não poderia ser cobrado ou feito acordo par ajudar na diminuição do déficit?
7 - O imposto sobre herança na França é de 40% e nos EUA variam de 3% a 77%. Bill Gates pagará 77% de imposto ao governo americano quando falecer. Ele com certeza faz seguro de vida no valor que paga desse imposto para não prejudicar os herdeiros ou fará uma fundação e empregará os filhos. Justo. O dinheiro circula na economia antes e depois da morte de Bill Gates. Mas no Brasil, não. Não taxamos herança acima de R$20 milhões de reais de forma diferente, segundo sua capacidade contributiva. Todos pagam igualmente de 4 a 8 %. Mas o slogan da previdência não é "COBRAR MAIS DE QUEM PODE PAGAR MAIS?". E isso não funciona com imposto de herança porquê? Já vimos que imposto sobre grande fortuna teria o potencial arrecadatório de 1 bilhão de reais por ano. Como o de herança é mais abrangente, podemos decuplicar isso, né?

Só aqui senhores, já podemos calcular que apesar de Guedes tirar o que pode de você, pessoa física, pobre, classe média, aposentado, pensionista, trabalhador celetista e servidor público, ele deixa de arrecadar pelo menos 239,7 bilhões de reais anuais, fora mais 50 bilhões que seriam cobrados e pagos no primeiro ano pelos grandes devedores do INSS. Ou seja, 289,7 bilhões de reais no primeiro ano e 239,7 bilhões de reais nos anos seguintes, ou seja, pouco menos de 2,897 trilhões de reais em dez anos!!!!!

Vejam senhores: o Chile foi enganado. Não precisamos seguir o Chile. Podemos ter mais liberdade econômica, mas devemos cobrar justiça social e contributiva.

Se deixarmos cobrarem o custo do estado somente em cima de direitos de pessoas físicas, sem antes exigirmos que mais abastados paguem também, o patrimônio e a renda dos brasileiros cairá e sofreremos o que o Chile sofre, em menos de 30 anos possivelmente.

Seguimos no nosso dever de alerta. Sim a uma reforma da previdência justa, mas queremos que grandes empresas e milionários brasileiros contribuam também.

A conta do déficit público, muito baseado em juros subsidiados a bilionários e empresas gigantes e em pagamento de valores estratosféricos da dívida pública brasileira, não pode recair exclusivamente sobre as costas das pessoas físicas, pobres e classe média.             

Importante ainda dizer que quando a renda das pessoas sofre, todo o pequeno comércio, cujos interesses não são equivalentes ao do grande empresariado e dos bancos como a grande mídia faz crer, e que empregam 80% dos brasileiros (ao menos empregadas no setor terciário), sofre junto.     

Blog Perspectiva Crítica contra o engôdo e contra a espoliação da pessoa física.

p.s.: Texto revisado em 12/12/2019.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Análise sobre o Governo Bolsonaro - 240 dias

Senhores, há muito destilávamos o momento para esta análise. Como todas as mídias estavam aguardando e anunciando análises para os primeiros 100 dias, inclusive por próprio anúncio do governo de apresentação de metas e e resultados, deixamos passar mais tempo para que houvesse um momento após o período anunciado.

Muitas coisas permaneceram as mesmas desde os 100 primeiros dias, mas outras evidentemente mudaram e uma face mais clara se demonstra para a sociedade do Governo Bolsonaro. Vamos a ela.

Embate Grande Mídia x Governo Bolsonaro

Primeiramente, temos de enfatizar que a grande mídia está caçando o governo de todas as formas. É algo figadal mesmo. O pano de fundo para isso está em alguns fatos que se interrelacionam:

(1) A grande mídia sempre atacou o Bolsonaro, não sem motivo, porque ele sempre foi polêmico, para dizer o mínimo. Suas grosserias e falta de qualquer reflexão antes de se comunicar em público, principalmente diante de questionamentos de jornalistas, sempre alimentou esse conflito entre ele e a mídia, a qual tinha nele fonte certa de matérias polêmicas e venda de notícia.  O relacionamento por quase 30 anos, portanto, foi de conflito. Bolsonaro agora está dando o troco. Não prestigia a grande mídia, prioriza as redes sociais e prometeu diminuir em praticamente 2/3 os gastos com propaganda estatal da administração direta ou indireta (autarquias federais e empresas estatais) em canais de televisão. Pode haver uma perda de receita de 3 bilhões par a Rede Globo. Segundo um quadro informativo que compara os gastos do governo e estatais com televisão nas principais redes de televisão no Brasil, a Globo recebe três vezes mais do que os demais, em média. Isso seria corrigido.

Veja o gráfico que aparece no Google lincado ao Blog do Fernades Rodrigues - UOL(não conseguimos comprovar a veracidade desses dados que não estão disponíveis com facilidade na rede):   

Acesse: https://www.google.com/search?q=governo+economizar%C3%A1+bilh%C3%B5es+com+propaganda+em+televis%C3%B5es&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR850BR851&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=HxS2Ay7b45RlWM%253A%252C41FaA6X_nYmAJM%252C_&vet=1&usg=AI4_-kQXrmv2dzOivTGeelgiE_msZCLh8A&sa=X&ved=2ahUKEwjGpKyFhankAhW4E7kGHc46DIQQ9QEwBXoECAkQCQ#imgrc=HxS2Ay7b45RlWM:

Então o clima é de confronto. Nesse sentido achamos um exagero a cobertura sobre o conflito informativo sobre Bebbiano, antigo integrante do governo e ex-presidente do PSL, por exemplo, a despeito de ter iniciado tudo com o problema de desvio de valores do fundo partidário por laranjas no PSL. (veja sobre isso: https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/02/17/saiba-quem-e-gustavo-bebianno-e-entenda-a-crise-gerada-no-governo-de-jair-bolsonaro.ghtml)

Os conteúdos das conversas não tinham nada de demais. Foi estimulado, não só nesse momento, o conflito interno no governo pela grande mídia. E com resultados palpáveis em prejuízo do governo.
Mas neste ponto é isso:  A grande mídia quer sobreviver e o Bolsonaro quer atacar.

(2) Bolsonaro encontrou um modelo em Trump. Trump é da área privada, de direita, com péssima conduta, péssimo comportamento, administra de forma personalizada o governo americano e não como estadista e mente em público, cria fake news e usa a rede social para se comunicar com seu eleitorado. Bolsonaro se encontrou nesse modus operandi. Encontrou um paradigma que lhe desse a liberdade de fazer o que pensa mas que não teria tanta coragem em realizar se não tivesse um exemplo desta dimensão para apontar e fazer de modelo e paradigma. Pior, ele percebe que pode movimentar a máquina do Executivo para realizar suas vontades e ensaia fazer isso mesmo (alterações na PF, Receita Federal, COAF, alterações de investimentos e gastos do governo, indicação de filho para cargo proeminente no Itamaraty e outras).

(3) Quanto mais pressionado, mais o Bolsonaro se excede e deixa exceder. Isso gera um efeito de retroalimentação de conflitos que geram publicações e de publicações que geram conflito, dentro e fora do governo.

A parte que nos interessa deste embate e a análise do governo Bolsonaro é que a ala militar, o staff do governo e o porta-voz têm tido muito trabalho para manter a comunicação em uma linha profissional, coerente e útil em benefício do governo. Mas a espoliação da mídia contra o Bolsonaro não é ruim para o brasileiro. Ele foi eleito. Ele terá sua pressão e deve responder a isso. Entretanto é importante dizer que a grande mídia não está se comportando com total enfoque na divulgação da verdade e tal. A grande mídia está sob ataque do governo e quer retirar o Bolsonaro do Poder. Essa é nossa avaliação. O Blog acha interessante para o país que o presidente termine seu mandato. Tem que parar essa prática brasileira de eleger o Presidente e ficar com o Vice, apesar de nós entendermos que talvez fosse  melhor para o país, nesse caso.


AS REFORMAS

O Presidente está com crédito eleitoral no início de governo. O País precisa de reformas. E na medida em que obtém estas reformas tem uma parte do que promete realizado. O Bolsonaro está cumprindo o que prometeu. Ele não pode ser acusado de não cumprir o que prometeu em campanha e o viés é de direita, ou seja, facilitar a vida de empresas e retirar direitos das pessoas, no caso, os trabalhistas tinham sido alterados pelo Temer, mas os direitos previdenciários estão sendo alterados pelo governo atual.

Mas já havia um clima a favor da aprovação da reforma da previdência. Não é tudo mérito do governo. A condução do governo e do novo congresso foi efetiva. Mas a admissão na reforma da previdência do sistema de capitalização acaba com a Previdência Social, como já abordamos. Não parece que Bolsonaro queira isso, pois não dá muita força pessoal a esta tramitação com aprovação do regime de capitalização, em que cada brasileiro poupará sozinho para sua previdência, mas se passar será reputado ao seu governo.

A previdência social brasileira é responsável por 40% de toda a transferência de renda no país. Nem se compara de forma alguma ao que ocorre no Bolsa Família. Os valores do INSS movimentam muitas vezes dois terços da economia de pequenas cidades, que são a absoluta maioria no país. Essa transferência de renda se dá via pagamento pelas empresas de contribuições sociais e impostos que têm valores direcionados para a Previdência Social. Acabar com isso com a implantação do Regime de Capitalização concentra a renda no país, liberará as empresas e bancos do pagamento de bilhões de reais anualmente para a previdência e terminará com a principal política de transferência de renda criada pelo constituinte brasileiro em 1988. É um crime de lesa-pátria. Esperamos que não passe. Se passar, esse crime ficará na história como instituído pelo governo Bolsonaro.

Aguardamos a reforma tributária. Guedes prometeu criar a taxa sobre distribuição lucros e dividendos e a equalização do índice de 20% para imposto de renda de pessoa física e PJs. Não me lembro da referência em relação a este índice ser adotado também para o IRPJ. O fato é que a alteração da previdência bate em celetista, pensionista, servidor público e aposentado. Só pessoa física. É verdade que foi criada uma contribuição para bancos. Ótimo. 

Mas o que ocorre é que enquanto a reforma tirou 700 bilhões de pessoas física pelos próximos dez anos, somente a taxa sobre distribuição de lucros e dividendos daria 250 bilhões. Pouco se fala isso. A conta tá indo nas costas de pessoa física e que vivem de trabalho. E da reforma tributária, em que poderia ter a contribuição de empresas e bancos, só se vê a retirada de compensação por gastos com educação e saúde no imposto de renda de pessoas físicas. Só pessoa física tá pagando.

Avaliamos que por enquanto somente pessoas físicas estão pagando nas reformas e com reflexo para a maioria de cidades do país, as mais pobres.

A reforma econômica mais importante que poderia ocorrer seria abrir o mercado financeiro para os estrangeiros. Coloquemos os lucrativos e sanguessugas bancos brasileiros para competir pela renda e patrimônio do brasileiro com bancos acostumados a receber menos juros de seus empréstimos. Isso foi falado que seria feito. Mas até agora não vimos nada. Isso dariam bilhões e bilhões, talvez trilhões de reais em crédito para nossa economia, beneficiando empresas, as dívidas do governo e as dívidas e investimentos e compras de pessoas físicas. Parece que teremos que aguardar mais. Nem mais se fala sobre isso.


QUANTO À QUESTÃO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Claro que indicar filho para Embaixada em Washington não é política séria de estado para relações internacionais. Também não é o alinhamento com os EUA em bases personalistas por alegação de administração e amizade pessoal com o presidente atual do EUA. Isso é brincadeira. Isso não é bom para o país que tem que criar relações de Estado e não pessoais dependentes das pessoas do atual presidente brasileiro e atual presidente norteamericano. 

Mas o fechamento do acordo comercial UE-Mercosul foi um super ganho e com mérito para o governo Bolsonaro. O Brasil teve vantagem aí. A negociação de mais de duas décadas foi feita com uma ótica de defesa da nossa economia, com dificuldades enormes. A discussão foi séria por todo esse período. O que tivemos que abrir mão no fim com o Bolsonaro para fechar não parece ter sido nada demais de prejuízo para nossa economia, pois nenhuma confederação econômica do setor produtivo reclamou.

Importante que apesar de em campanha falar mal do Mercosul, no governo voltou o respeito a este grande instrumento de desenvolvimento nacional e regional. Bom isso também.  Falar contra a China também não surtiu efeito e tudo começa a voltar à normalidade por aí também. Bom isso.

Nesse quesito os méritos não são tanto do governo Bolsonaro, mas das instituições brasileiras que funcionaram e funcionam no governo, apesar do governo.

Um ambiente internacional conturbado com a conduta tempestuosa e caótica do Trump tem ajudado também aos países estrangeiros buscarem segurança em outras relações e o Brasil aparece como algo importante aí. Sorte nossa também. O Bolsonaro com sua crassa veia de alinhamento automático com os EUA também parece ter surtido o efeito de os outros países aproximarem-se o que podem para evitar grandes perda de de seus interesses por aqui. Então mesmo com conduta ruim na área internacional, Bolsonaro, que não ficará para sempre, pode, sem querer, estar atraindo a Europa e a China para nossa economia, estes adotando medidas de damage control.

O alinhamento com os EUA da forma como faz é que é um grande erro. Os EUA não tem histórico de respeitar países que não sejam fortes militarmente. Como amigos com alguma experiência dizem "onde eles entram, não saem jamais". Esta associação deveria estar sendo costurada profissionalmente, mas estamos com atuações personalistas de Bolsonaro de Trump e os EUA de  uma forma que só nossa sociedade poderá, através de novo de suas instituições, calibrar para que não gere prejuízo à interesses internos e externos brasileiros. Preocupante isso.

A questão de copiar os EUA sugerindo mudar a Embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém foi a maior bola fora do governo. Não negociamos quase nada com Israel e temos grande comércio com os árabes. Aquilo foi um absurdo.    

Bater em europeus depois de fechar o acordo UE-Mercosul também é coisa de genialidade realmente inalcansável. Mas os outros são profissionais e sabem da importância estratégica dessa parceria. Bom para o Brasil e o Mercosul. Bom para a Europa que ganha um eventual fornecedor de commodities para substituir eventualmente um problema pelo lado americano. Mais uma vez temos de agradecer Trump. A concorrência bem dosada em mais de uma década de período de adequação do nosso mercado, também deve melhorar a qualidade de serviços e bens prestados e oferecidos ao brasileiro e crescimento de troca econômica como ocorreu com o Mercosul (não nos mesmo moldes, mas quantitativamente em valores) e isso significa mais empregos e aproximação das sociedades. Muito bom por aí.

QUANTO À RELAÇÃO COM O CONGRESSO

Aqui foi talvez o maior bônus que nós pudemos notar par o país. Bolsonaro não cedeu na retórica de que não faria toma lá dá cá. O Congresso, sem saída para seus métodos fisiológicos, passou a tentar roubar a cena política se conduzindo mais seriamente como o fez no curso da Reforma da Previdência. 

Sem vantagens de carguinhos, muitos dos quais o Bolsonaro extinguiu (mais funções comissionadas do que cargos em comissão, aliás.. deveria ser o contrário), os políticos passaram a querer fazer política de verdade. Mas o Bolsonaro também recebe parlamentares, o que a Dilma não fazia, e seu governo está trabalhando bem as negociações políticas para aprovar pautas do governo.

AS relações estão boas? Não tanto. mas desse conflito, assim como ocorre com a mídia, o brasileiro está se beneficiando porque está havendo uma atuação mais institucional e republicana do Congresso com a sociedade e do Congresso com o Executivo.

QUAIS OS MAIORES TRUNFOS DO BOLSONARO?

Moro e o combate à corrupção. Paulo Guedes a a busca pelo acerto orçamentário e crescimento econômico.

No primeiro caso, está havendo ruído. O que começou como uma lua de mel entre Bolsonaro e Moro, como assim pareceu até os 100 dias de governo, as divulgações do Intercept estão revolvendo. As questões do filho Flávio Bolsonaro às voltas com investigações policiais e da Receita e Coaf também criaram uma motivação para o Bolsonaro agir com intenções pessoais, personalistas e não republicanas, mudando a PF, Receita e o COAF. Não se sabe até onde isso vai. Se ele errar no que faz, pode acabar com um impeachment e perda de apoio popular. Atacará um pilar de seu governo.

Paulo Guedes está com menos problemas. Ninguém quer ficar na frente da economia. E a economia já estava melhorando desde o ano passado, com 1% de aumento do PIB pouco comentado e comemorado pela grande mídia para manter clima tenso social para fazer passar a reforma da previdência.

A aprovação da reforma foi ótimo. O acordo UE-Mercosul também. Mas onde estão as medidas para obter contribuições tributárias de bancos? E de ricos? Por que ninguém quer CPMF, mas não é contra diminuição de gastos com a previdência? O orçamento também corrige déficit pelo aumento de receita e não só pelo corte de despesa. O Brasil é paraíso fiscal de milionários e bancos e grandes corporações. E abrir a economia para bancos estrangeiros? Por que a demora? Será que é porque Guedes é banqueiro?

Então, senhores, vemos que quem paga o pato é sempre a pessoa física, pequenas empresas e microempresas, todos aqueles que estão mais próximos do cidadão. Mas a economia está reagindo e Bolsonaro capitalizará isso. acompanharemos para dizer o que foi mérito seu e de paulo Guedes e o que não foi.

O déficit público, só com a queda da taxa selic cairá demais esse ano. Será informado como uma surpresa, mas já está contratado. Deixaremos de pagar uns 130 bilhões de juros a bancos esse ano, com a queda que ocorreu de 14,5% de juros selic par atuais 6%. pouco se fala disso também. E isso, essa selic alta era um absurdo, um rouco ao orçamento, um roubo do meu e do seu dinheiro. Mas esse roubo a grande mídia não condena porque é cooptada pelos conglomerados financeiros, como o artigo anterior já detalhou.

As commodities estão valorizadas. As licitações estão saindo. As privatizações de empresas lucrativas estatais é um erro, mas das deficitárias é correto. Liberações de concessões. Tudo isso ativará a economia. Deveria ter sido feito antes, mas foi segurado para chantagear você e nossa sociedade para passar a reforma trabalhista e a previdenciária.

Se o presidente não fosse o Bolsonaro, você  já estaria vendo manchetes de melhora econômica. O emprego é o último fator a melhorar. Mas a macroeconomia melhora, 7 em nove setores econômicos melhoraram, como anunciado pelo O Globo há três meses. Então, a economia melhorará. até o setor imobiliário se movimenta.

Então, apesar dos problemas de reflexos da briga China x EUA em nossa economia, não vemos grandes problemas a frente, principalmente com a aprovaçãdo da reforma da previdência e o corte brutal de juros selic que reverterão o déficit público, mas que poderia ter a ajuda do bolso de bancos e ricos. Ainda não foi a vez deles. Rsrsrs


CONCLUSÃO

No geral, senhores, o governo ainda está bem. O amadurecimento institucional está ocorrendo. A economia está melhorando. As brigas de Bolsonaro e a mídia são boas para o cidadão. As bravatas internacionais não são boas, mas têm potencial de prejuízo pequeno ainda a nossos interesses, até porque Bolsonaro já está sendo visto como um pândego, como George Bush Filho foi e como Trump é.

O problema de má conduta informativa em relação às queimadas na Amazônia é que foram o grande furo atual de Bolsonaro. Ele está certo em dizer que sempre houve queimada, que há queimada em outros lugares, e tudo mais. O pulmão do mundo é o oceano, onde se dá em torno de 75% a 85% da troca de carbono do planeta através de fitoplânctons. Mas todo mundo quer a Amazônia. Não se pode dar pretexto.

Vemos que Bolsonaro, na nossa análise se comporta como palhaço, mas não é tanto. Recua quando o erro é demais. Cuida muito de sua base eleitoral mas não de pode dizer que não descuida da imagem quanto aos demais eleitores. O que foi aquilo de chamar governadores do nordeste de "governadores de paraíbas"? para nós essa frase acabou com sua reeleição mesmo que a economia bombe.

Apesar de serem 4 anos a correr ainda, ninguém esquecerá isso e os adversários não deixarão o Nordeste esquecer essa galhofa. É incrível o problema de língua solta do presidente. Parece que ele não tem maturidade de adulto. O Nordeste são 30% dos votos do país! Brincadeira. Fazer o quê?

Continuaremos acompanhando.

Que ele faça bom governo. Nós precisamos e merecemos. Que ele termine seu mandato. O Brasil precisa disso e a institucionalidade também. Seguimos acompanhando e torcendo.

     
  



Uma grande verdade sobre a mídia atual no Brasil e no Mundo

Somos obrigados a reproduzir na íntegra o artigo que segue do jornalista Paulo Moreira Leite, publicado em seu Blog em 12 de julho de 2011.

Obras-primas são atemporais. É importante que este tipo de informação circule, em que um profissional qualificado de comunicação reclama da falta de ética que impregna a grande mídia em todo o mundo.

Ele denuncia um movimento que imputa ter sido incrementado e até revolucionado por Rupert Murdoch, bilionário das comunicações, que transforma os grupos de mídia em máquinas de negócios e vendas de notícias com menos comprometimento com a verdade, com aproximação com conglomerados financeiros e prejuízo para a informação de qualidade produzida e repassada em sociedade.

Enunciamos e reproduzimos este tipo de matéria para afastar o argumento de que quando se faz esse tipo de crítica, de falta de neutralidade da grande mídia na produção de notícia, está se reproduzindo uma história da carochinha baseada em "teoria conspiratória".

Devemos levar isso a sério porque existe.

Reprodução abaixo:

"Do blog de Paulo Moreira Leite
12 de julho de 2011
A herança que chegou a todos nós
Na medida em que surgem novas indecências no arquivo de imoralidades praticadas pelos jornais de Robert Murdoch, torna-se obrigatório fazer uma pergunta maior.
A questão é definir o papel de Robert Murdoch, o maior empresário de comunicações do planeta, no negócio mundial da mídia. É uma questão imensa e complicada, vamos combinar. Mas é possível fazer algumas observações.
Todos nós, jornalistas e leitores, temos consciência de que no mundo inteiro existe um fenomeno que costuma ser descrito como uma crise nos meios de comunicação. Jornais e revistas não param de perder leitores. O mesmo ocorre com canais abertos de TV e com emissoras de rádio.
O conteúdo da mídia, diz-se, tornou-se menos profundo, menos plural, mais superficial e mais vulgar. Sem dúvida, é cada vez mais apelativo.
Não há dúvida de que boa parte dessas dificuldades é o resultado de mudanças no modo de vida das sociedades contemporâneas.
Podemos listar vários fatores. Por exemplo: os cidadãos querem viver num mundo mais horizontal — e a velha mídia funciona no esquema clássico das sociedades verticais. Graças não só a internet, mas também a formidável elevação dos níveis de educação, o leitor comum possui hoje um acesso primário à informação e a cultura que lhe permite dispensar boa parte das reportagens e análises que as revistas e jornais tem para oferecer.
Há outras mudanças, porém, que são produto de transformações ocorridas dentro da mídia. Não foi só o mundo que mudou. O produto também mudou. E, sob vários aspectos, mudou para pior.
Acho difícil negar que Murdoch e suas empresas tenham dado uma contribuição importante nestas mudanças.
Com um império econômico de vários bilhões de dólares, instalado no centro do capitalismo mundial, operando no segundo idioma dos 6 bilhões de moradores do planeta, Murdoch ajudou a trazer uma nova lógica para um velho negócio. Não foi o único, com certeza. Mas, pela economia e pela geografia, foi um dos mais importantes e talvez o mais decisivo.
No passado, quando  o  jornalismo era uma profissão invejada pela influencia e prestígio havia a preocupação com um certo rigor na informação, com a separação entre o público e o privado, na distinção clássica entre os interesse da Igreja (o jornal) e o Estado (a empresa).
É claro que todos procuravam equilibrar o negócio. As vendas e a conquista de novos leitores sempre foi um ponto essencial da atividade. Mas havia um pouco de pudor. Nem tudo era industria, comercio e finanças. A preocupação com vendas não fazia parte da pauta das redações.
De uns anos para cá, ocorreu uma mudança no eixo da profissão.
Para dizer muito numa frase curta, o jornalismo banalizou-se. Tornou-se uma atividade empresarial como tantas outras. Frequentemente procura ser rentável como um investimento de alto risco,  alienada como uma fábrica de sabonetes, descartável como filminho que a TV  exibe à tarde.
Murdoch foi um dos homens que ajudou a alterar a lógica dessa atividade. Não por acaso, o crescimento de suas empresas coincide com uma mudança no padrão do jornalismo, nos valores em vigor em muitas redações, na meta de trabalho e formação dos profissionais.
Antes, as empresas jornalísticas eram fruto de investimentos de origem familiar, com compromissos definidos por seus fundadores e patronos, competindo por leitores num mercado onde não faltava espaço para a diversidade e a concorrência.
Com uma reconhecida capacidade para encontrar oportunidades favoráveis a seus interesses e batalhar com afinco por eles, Murdoch ajudou a transformar as empresas de comunicação em grandes corporações, impessoais, sem perfil e sem história, dependentes e até associadas a grandes grupos financeiros. Em suas mãos, o pequeno negócio deixou de fazer sentido. Precisava do grande capital, do monopólio do mercado.
Embora nunca tivesse renunciado a suas idéias políticas, de profunda matriz conservadora, sua prioridade real não envolve a qualidade do conteúdo que oferecia — mas a força de mercado que cada novo jornal, cada nova emissora de TV, poderia lhe acrescentar. Seu interesse fundamental não envolvia a mídia como entretenimento, como formação de cidadãos, como parte da democracia, como notícia, mas como instrumento de poder.
Daí a profusão de aquisições, compras e fusões. Embora jamais tenha aberto mão de escândalos em seus veículos, a estratégia não era competir mas eliminar os adversários, transformando-se na única opção para anunciantes e consumidores.
Denuncias e investigações fizeram a glória do jornalismo desde sempre. Mas, enquanto bons jornais e revistas produzem revelações com alguma relação com o interesse público, a rede de Murdoch procura o sucesso em questões privadas, em reportagens que desmoralizam e humilham seus personagens.
Se fosse um empresário fraco, numa cidade remota da Austrália, Murdoch teria criado uma igreja de jornalismo de alcance local e folclórica, como tantas que se encontra em pontos diversos do mundo.
Mas, pelo seu tamanho e sua influencia, tornou-se um padrão imitado e copiado, com outra lógica e outra finalidade. Pela força econômica e pela crescente influencia política, impôs seus métodos aos países onde passou a atuar, num processo de contágio crescente e irresistível, contaminando concorrentes incapazes de enfrentar a chamada desvantagem competitiva.
Como me disse certa vez um dos grandes empresários de mídia do Brasil:
– Se o seu maior concorrente é um grande sonegador de impostos, você tem tres coisas a fazer: ou começa a sonegar impostos como ele, para competir em igualdade de condições. Ou prepara-se para ter custos maiores e lucros menores. Ou muda de ramo.
Foi isso o que ocorreu com a mídia em torno de Murdoch — e não estamos falando de sonegação de impostos, evidentemente.
Felizmente, não é em todo lugar que os repórteres contratam empresas de investigação para promover escutas telefônicas e bisbilhotar a saúde de crianças.
Nem todos os governos se curvam diante dos senhores da mídia de seus respectivos países.
Seria igualmente errado dizer que todas as empresas de comunicação aplicam os mesmos métodos e exibem a mesma falta de escrúpulos.
Mas é difícil negar que há um pouco de Robert Murdoch no pior do que a imprensa mundial exibe hoje, concorda?"


Esse texto foi copiado de um texto em que Merval Pereira estava sendo criticado pelo Blog da Cidadania por ser desonesto em publicar sobre o tema "controle da mídia" que estaria sendo buscado por Lula e José Dirceu à época do debate sobre a criação desse controle, seguindo parâmetros existentes, segundo o crítico, na Alemanha, França, Portugal, Espanha e Inglaterra.

Acesse:https://blogdacidadania.com.br/2011/07/desmascarando-merval-pereira/

Não conseguimos achar o artigo acima no Blog do Paulo Moreira Leite porque a pesquisa naquele Blog é difícil para artigos de 2011. Mas você mesmo pode tentar.

Acesse: https://www.brasil247.com/authors/paulo-moreira-leite?page=37Quanto mais pessoas entenderem o nível baixo a que a grande mídia está submetida para sobreviver como negócio, mais estaremos ajudando a mídia brasileira a se comprometer com uma repaginação e comprometimento com revisão de princípios e disseminação da verdade, com mais neutralidade.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

Lançamento do Livro A Guerra pelo PIB - 24/07 - Livraria da Travessa de Botafogo


Caros leitores,

é com muito orgulho e alegria que compartilhamos o dia do lançamento do primeiro livro do Blog Perspectiva Crítica: A Guerra pelo PIB.

O lançamento será hoje, 24/07/2019, na Livraria da Travessa de Botafogo, a partir das 19h.

Trata-se de uma coletânea especial de 84 artigos dentre os mais de 950 artigos escritos durante a existência do Blog, o qual completou 9 anos em 21/06/2019.

Até aqui foram mais de 416 mil acessos por mais de 50 países, sendo os campeões de acesso o Brasil, seguido dos EUA, Alemanha, França, Rússia e Israel.

Nosso objetivo de apresentar um novo vetor interpretativo de fatos sociais, políticos e econômicos se galvaniza e você, leitor, seguidor, comentarista, crítico, faz parte desse movimento de independência da consciência e da capacidade crítica do cidadão brasileiro.

Repetir o que ditam as manchetes de jornais ou suas publicações, sem crítica de seu conteúdo, sem perguntar como o cidadão comum pode se beneficiar da informação que é apresentada será, se Deus quiser, algo cada vez menos comum.

As grandes corporações de mídia não podem ser as Igrejas Medievais que detinham o poder da incontestabilidade em sociedade. Elas devem ser o veículo de informação de fatos para que a sociedade conheça, critique e tire suas próprias conclusões.

Hoje, há sim uma guerra interna no Brasil e no mundo pela absorção das riquezas do país. Grupos organizados democraticamente competem entre si para obter maior participação no PIB. Hoje, bancos e grandes corporações estão ganhando esta guerra e os perdedores são o cidadão, o trabalhador celetista, o trabalhador informal, os servidores públicos civis e militares, os aposentados e pensionistas.

Desenvolvendo uma forma autônoma de pensar e interpretar os fatos que nos são diuturnamente publicados, teremos a organização que falta ao cidadão comum, hoje disperso e desagregado em seus objetivos, para entender os movimentos dos grupos que se aproveitam dessa incapacidade de organização da sociedade, enquanto indivíduos que são incentivados a pensar cada vez mais em si próprios e cada vez menos em termos coletivos ou como cidadãos integrantes de um meio social.

Os artigos selecionados dão exemplo dessa nova forma de interpretar os fatos em sociedade, sempre com o enfoque que beneficie o cidadão, que enriqueça a pessoa física, que nos leve cada vez mais próximos do nível de vida de países de IDH elevado, como Alemanha, França, Inglaterra e Noruega.

Esse é o nosso caminho.

Aguardamos todos lá.

Grande abraço.

Mário César Pacheco
Blogger
Aguardamos

sábado, 30 de março de 2019

Crítica aos artigo "Desemprego volta a subir", do Jornal O Globo. Chantagem social sobe mais um nível da falta de ética.

Você, leitor ou leitora, que acompanha as notícias econômicas deve estar pasmo. Como, se em menos de uma semana o Jornal Nacional divulgou uma melhora em sete de oito setores da economia, se houve criação líquida de 175 mil empregos de carteira assinada em fevereiro de 2019, como, repetimos, há um artigo pessimista de tal magnitude publicada na primeira página do caderno econômico do Jornal O Globo, em 30/03/2019?

O título do artigo é "Desemprego volta a subir - Número de brasileiros sem trabalho ultrapassa os 13 milhões em fevereiro". Veja bem. Não vamos nem evoluir muito. Houve crescimento econômico de 1,1% do PIB brasileiro em 2018. Isso gerou 500 mil empregos líquidos com carteira assinada. A indústria de petróleo e de minério (mesmo com Brumadinho) estão em alta porque há crescimento mundial.

Estamos saindo da crise. Finalmente licitações estão ocorrendo. Licitações estas que ficaram estancadas para manter clima negativo para aprovar a reforma trabalhista que não criou em um ano inteiro um emprego sequer, dos 2,5 milhões de empregos prometidos. A Reforma foi em novembro de 2017. Em dezembro de 2018 tivemos saldo líquido de 500 mil empregos com carteira assinada. Não foi a reforma trabalhista. Foi a economia. A crise não ficaria para sempre, como nunca fica. Assim como nenhum momento de bonus fica para sempre, como nunca fica.

A perspectiva para o Brasil melhorou. Com o crescimento mundial melhorando e investimentos ocorrendo no Brasil, claro que um crescimento do PIB já está contratado. E isso gerou melhora econômica que foi divulgada há uma semana, inclusive pelo Jornal Nacional, com Bonner dizendo que sete setores em oito cresceram e 175 mil empregos foram criados só em fevereiro de 2019.

Você que trabalha deve ter notado bares mais cheios. Nós notamos. Aluguéis residenciais e comerciais foram renegociados. Está havendo margem para novos gastos das pessoas. Isso e um inicial crescimento mundial estão alavancando a economia brasileira.

Agora, como vem esse artigo, o qual, mesmo em todo o seu texto interno, aquele que só poucos leem além da manchete, com um viés negativo de uma informação já conhecida? todos sabem que quando há uma melhora no emprego, como o fim do anos de 2018 e fevereiro indicam, há aumento de procura por empregos e isso aumenta o índice de percentual de desempregados do PNAD.

Então senhores e senhoras, não pudemos deixar, mesmo com a fila de artigos a serem escritos sobre o governo e últimos fatos econômicos e políticos, de retorquir esse artigo mentiroso. A informação existe de 13 milhões de desempregados, mas o viés foi mentiroso. E dizemos mais: segundo a promessa de mais 2,5 milhões de empregos com a Reforma Trabalhista, deveria esse números estar em no máximo 11,5 milhões de desempregados!!!

Abrimos mão de direitos trabalhistas e não ganhamos empregos. Abriremos mão de direitos previdenciários, em meio às já contratadas criação de empregos e melhora da economia? Que se faça a reforma da previdência, mas não sob chantagem social e informações mentirosas. Façamos a reforma por sustentabilidade da mesma no futuro e não para obter empregos que já estão chegando e melhora econômica que já está contratada.

Outra coisa: a bolsa de valores sobe e desce. Não é porque o jornal falou que uma única questão política ocorreu que vai subir e descer e que temos de fazer tudo o que o mercado quer para manter subindo porque ela nunca sobre para sempre. Ela sobe e desce baseada em milhões de decisões diárias de milhões de empresas, pessoas e instituições financeiras em todo o mundo. Ela sobe e desce porque lucros devem ser realizados e oportunidades de compra se apresentam todos os dias.

Há uma margem de influência de política nesse movimento? Sim, também. Mas o investidor vê o longo prazo e os fluxos da economia. Os investimentos diretos no Brasil bateram recordes duatne a crise porque ficamos baratos. Antes da crise a media era de 60 bilhões de dólares por ano de investimentos diretos. Durante a crise chegou a 85 bilhões e em 28 de janeiro de 2019 foi publicado que o Banco Central fechou a conta de IED em 88,6 bilhões de dólares (https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2019/01/28/internas_economia,1025294/investimento-direto-no-pais-soma-us-88-314-bilhoes-em-2018-diz-bc.shtmlhttps://www.em.com.br/app/noticia/economia/2019/01/28/internas_economia,1025294/investimento-direto-no-pais-soma-us-88-314-bilhoes-em-2018-diz-bc.shtml)

 O Globo tinha publicado uma semana antes que a um organismo estrangeiro tinha calculado nosso IED de 2018 em 59 bilhões de dólares (https://oglobo.globo.com/economia/fluxo-de-investimento-estrangeiro-direto-no-brasil-cai-12-em-2018-para-us-59-bi-23388370). O Banco Central desmentiu.

Esse índice em 2015 mudou de nomencaltura de IED (Investimento Estrangeiro Direto), que é adotado em todo o mundo, para Investimento Direto no País, IDP. Por quê? Porque ficava incongruente falar mal da economia em crise com o IED, que é investimento de nível e de longo prazo, querido em todo mundo e por todos os países, crescendo. Aí mudaram o nome e você perde a continuidade da evolução do índice no tempo.

Então, senhores, a grande mídia mente. mente para realizar os projetos de mercado. E estes projetos de mercado excluem a qualidade de vida da pessoa física e almejam a concentração de capital nas empresas. Só queremos denunciar isto. Isto é um acinte. O cidadão está órfão de veículos de massa honestos que publiquem fatos sob sua perspectiva e estão refém de estratagemas que que legitimam argumentos que enriquecem ricos, super-ricos e grandes empresas e bancos, empobrecendo, na mesma medida, pessoas físicas, microempresas e pequenas empresas.

A mentira sobre o desemprego ou a grande omissão informativa, como você achar melhor, tem o objetivo de manter viva a chantagem social para aprovar uma previdência social que beneficia empresas e bancos e vilipendia pessoas físicas, servidores, aposentados, trabalhadores celetistas e pensionistas. 

Nós estamos atentos e denunciando. Aqui é publicada a verdade dos fatos.