quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Entrevista de Thomas Piketty demonstra que não estamos sozinhos: a nova safra de pensadores pró-sociedade - Piketty, De Masi e Mazzucato

É com extrema felicidade que compartilho com vocês a entrevista publicada hoje, 18/12/2014, no Jornal O Globo On Line, de Thomas Piketty, Diretor da Escola de Altos Estudos Sociais de Paris e autor do best seller "O Capital no século XXI".

Há essa nova safra de pensadores europeus que não repetem mais as velhas e batidas fórmulas econômicas liberais como a receita mais eficiente para garantir crescimento econômcio e bem estar à população dos países. Esses novos estudos vão na exata mesma direção das nossa publicações no Blog Perspectiva Crítica, deixando claro que além de não estarmos sozinhos em nossas posições, estamos em excelente companhia, bem como, ainda mais, estamos na vanguarda do pensamento econômico e social no mundo.

Para demonstrar que você que nos lê e nos acompanha está fazendo excelente escolha de leitura, observe como estamos sintonizados com Thomas Piketty a partir da seleção desses trechos da entrevista mencionada:

"A globalização tem um efeito positivo ou negativo sobre a desigualdade nos países?
A globalização tem sido uma força muito poderosa e positiva para diminuir desigualdades entre os países. É o que permitiu ao Brasil e à China acelerar seu ritmo de crescimento para se reunir às maiores economias do mundo. Mas uma das lições desse processo é que a convergência também pode acontecer dentro dos países. E isso depende de políticas públicas, não se pode contar apenas com as forças do mercado e da globalização para isso.

Então o capitalismo necessita de regulação?
Sem dúvida precisamos de regulação, precisamos de uma reforma na tributação para financiar escolas de melhor qualidade. precisamos de instituições políticas que funcionem bem e façam o mercado funcionar bem também.

Mas essa reforma tributária teria que ser um esforço global? Recentemente, o ator francês Gerard Depardieu tornou-se russo para impedir a incidência de impostos sobre sua fortuna. A fuga de capital é usada como justificativa por muitos países para não estabelecer impostos sobre fortunas.
Em primeiro lugar, é claro que precisamos de uma coordenação internacional nesse sentido, mas não podemos usar isso como desculpa para não fazer nada em nível nacional. O Brasil não pode esperar a perfeita governança global da ONU para estabelecer um regime progressivo de imposto de renda. O imposto sobre herança no Brasil é de apenas 4%, enquanto na Alemanha, esse imposto chega a 40% para os mais ricos. Não estou sugerindo que a Alemanha deveria diminuir seu imposto. Quanto ao esforço mundial, sem dúvida é um acordo difícil de obter, mas não impossível. E o Brasil poderia liderar esse processo no G-20 começando sua própria reforma tributária e aumentando sua transparência fiscal. Há assuntos mais difíceis de se obter acordos como o aquecimento global e estamos avançando, então sou otimista sobre isso.

O senhor disse que não gostaria que seu livro fosse visto como algo pessimista. Mas quando o senhor descreve que a concentração de riqueza tende a ser cada vez maior a ponto de atingir os níveis das oligarquias do século XIX, isso destrói o sonho americano, a crença de que pelo trabalho chega-se ao sucesso. Como o senhor vê isso?

Penso que para a geração jovem que não tem família rica é muito mais difícil conseguir uma propriedade ou mobilidade social do que para a geração da década de 1960, 1970. Isso não quer dizer que não há solução e será o apocalipse. O sucesso do meu livro reflete que o interesse das pessoas, ela não querem deixar a economia apenas para economistas. As pessoas querem participar das decisões econômicas, o que é um primeiro passo para resolver isso. Meritocracia é um objetivo no capitalismo, mas não se pode achar que ela acontece naturalmente. Em todos os países a elite gostaria de dizer que sua riqueza é uma questão de meritocracia. Esse é o discurso dos vencedores do jogo, mas ele é irreal. E um escrutínio republicano dos dados que recolhi mostra isso, que o acesso a educação de qualidade é muito restrita e não depende de meritocracia. Mas eu ainda acho que vivemos em um mundo mais meritocrático do que o do século XIX, aquele descrito por Balzac em "Ilusões Perdidas". Balzac poderia estar escrevendo em 2014, mas agora temos mais chances de aprimorar a sociedade em que vivemos do que o personagem de Balzac no fim do século retrasado."

Leia a íntegra da entrevista em http://oglobo.globo.com/economia/crescimento-reducao-da-desigualdade-nao-sao-excludentes-diz-piketty-14682758#ixzz3MHG4Isyv



Observem, hoje a experiência social mundial já torna identificável que a solução para o mundo não é estrita liberdade de capitais ou mera existência de centros de elite de ensino ou ainda a existência de uma pequena elite intelectual e política ou econômica. Da mesma forma, não mais se sustenta mera defesa  de tamanho mínimo do Estado, nem  exclusividade da área privada no capitaneamento dos investimentos e na economia, pura e simplesmente. Novas pesquisas e novas constatações, muito mais idôneas e informadas dos que as que até hoje disseminaram todos esses tipos de idéias liberais, neoliberais ou anti-estatistas, demonstram que pressupostos estavam errados, como o de que é necessário primeiro aumentar o bolo econômico para depois distribui-lo. Crescimento econômico é compatível com imediata distribuição de renda!

 Assim, juntamente com o livro do Blogger Mário César Pacheco, "O Estado Conformacional - limites possíveis aos atos privados", que sustenta que o Estado ideal deve ser plástico e alterar seu tamanho conforme uma dada sociedade em um dado momento histórico, como forma de se atingir melhor eficiênica da intervenção do Estado na economia e na sociedade, a bem da promoção do bem de todos e do desenvolvimento nacional, igualmente é possível se verificar novas idéias que alertam para o sistema prejudicial à sociedade e à economia que hoje existe de alta concentração de renda, como denunciado por Thomas Piketty, nos termos de seu livro "O Capital no Século XXI". 

Formam, ainda, na visão deste Blog, o arcabouço teórico e intelectual desse novo pensamento crítico econômico e social as publicações do períodico "Le Monde Diplomatique", o livro "O Estado Empreendedor", de Mariana Mazzucato, conselheira do governo britânico que defende uma participação ativa do Estado na geração de oportunidades econômicas e geração e criação de inovações para avanços econômicos e sociais, além do livro "O Futuro Chegou" de Domenico de Masi, filósofo italiano crítico de modelos de sociedade, concluindo pela vantagem que a formatação da sociedade brasileria apresenta para o mundo atual. 


Compartilhamos essas novas idéias com você, nobre leitor, para desafogarmos nossa (incluindo a sua) ilusão de que estamos sozinhos em nossas críticas às abordagens ridículas, artificiosas e ultrapassadas que nos são apresentadas dia-a-dia por grandes redes de notícia nacionais e internacionais desprestigiando o serviço público, o poder enriquecedor social e econômico de uma política para aumento de salário mínimo, adequada assitência social e contratação e remuneração com qualidade de servidores públicos em quantidade e qualidade compatível com as complexidades dos cargos públicos oferecidos à sociedade e compatível com a demanda social em relação à prestação desses serviços públicos.


A sociedade em que vivemos hoje depende daquilo em que cremos, daquilo que observamos, daquilo que concluímos, daquilo que defendemos e daquilo que executamos. Se a Suécia é uma sociedade que existe, que é viável, em que todos vivem bem e felizes, com assistência social de qualidade, salário mínimo digno, serviço público de saúde e educação de qualidade, com liberdade econômica, com segurança e respeito à propriedade privada e com Previdência Social Pública, mesmo que ao custo de uma carga tributária mais alta do que a nossa (lá a carga tributária é de 48% e no Brasil é de 36%), então isso também é possível no Brasil, pois os suecos não nasceram ricos... foram durante muito tempo um país atrasado que, ainda pouco antes do ano 1.100 de nossa era, apresentava-se como uma sociedade pagã, por exemplo, e ainda realizava cerimônias religiosas com sacrifícios humanos!!!!


Ficamos felizes de estar dando a você, leitor, a verdade, ou uma verdade muito mais digna do que a que você lê todo o dia em jornal. Estamos juntos comprometidos em mudar o país para parâmetros de avanço real econômico e social, para termos sociedade com parâmetros de bens, serviços públicos e qualidade de vida semelhante aos melhores padrões mundiais, quais sejam, semelhantes aos dos alemães, franceses e nórdicos.


Não será repetindo fórmulas hoje evidentemente abstratas, ideologicizadas com vetor privatizante absoluto e economicista ao extremo que teremos esse mundo melhor. Mundo maravilhoso para as contas de empresas e bancos não é necessariamente mundo maravilhoso para a melhor qualidade possível de vida às pessoas... quem vivem são as pessoas e não as empresas. O mundo tem que ser construído para as pessoas e não exclusivamente para as empresas e bancos. Empresas e bancos são instrumentos a servir a humanidade, não o contrário.

Sigamos em nossa caminhada! Regozijamos essa virada na conceitução econômica e social que vivemos e chamamos você a participar dela!! As boas notícias que você identificar que podem alterar nossa qualidade de vida para melhor, compartilhe com seus amigos e familiares. Thomas Piketty foi atacado em relação às novas ideias que apresentou porque elas contrastam com os ensinamentos economicistas da prevalente ideologia liberal em todo o mundo. Ajude-nos e a Piketty para acabar com essa dominação cultural e intelectual que empobrece o cidadão em todos os países e nos ajude a melhorar o Brasil e o mundo, para que nossas famílias vivam em um mundo que as mereça.

Um grande abraço do seu Blogger

Mário César Pacheco 



p.s. de 19/12/2014 - Texto revisado e ampliado.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

PEC do Orçamento Impositivo de Emendas Parlamentares: potencial de independência do Legislativo

Importante tecer algumas notas sobre este tema. Nós do Blog Perspectiva Crítica há anos já apontávamos a necessidade de se garantir um mecanismo em que os parlamentares federais fossem menos dependentes do Governo e apontamos duas medidas: extinção de grande parte dos mais de 25 mil cargos em comissão, de livre nomeação, e garantia de valores fixos em Emendas Parlamentares aos Deputados Federais e Senadores da República. Parece que uma das medidas está para se tornar concreta.

Está no prelo para votação do Congresso a chamada PEC do Orçamento Impositivo de Emendas Parlamentares. Esta PEC obrigará que um percentual do PIB seja reservado para Emendas Parlamentares, libertando o Legislativo das chantagens do Executivo clássicas em que este exigia aprovação de medidas legislativas de interesse do governo pela liberação de verbas para Emandas Parlamentares.

Desde que o valor não seja excessivo, o que parece que pode ser a hipótese, o mecanismo é excelente tanto para que sejam implementados investimentos e obras nas bases de representação dos parlamentares, ajudando na desconcentração de investimentos do Estado brasileiro, como na libertação dos parlamentares das garras e chantaagens do Executivo.

Dessa forma, ao mesmo tempo em que a PEC garante o atingimento de brasileiros pelos investimentos do Estado brasilerio, de forma mais dispersa e difusa, o que é bom, a princípio, é fortalecida a democracia através do assecuramento da autonomia dos parlamentares diante do Presiudente da República, ferindo de morte um mecanismo antigo de subordinação do Legislttivo ao Executivo, e podendo, nós, imaginarmos em futuro próximo um Senador ou um Deputado Federal falando com mais altivez com o Presidente da República e não tratando-o como Imperador, como ocorre hoje.

Importante notar que somos uma democracia jovem, com uma história de evolução de um Império para uma República, em processo invertido de difusão de competências e orçamentos, em comparação ao que ocorreu nos EUA, por exemplo. Enquanto eles evoluíram de treze colônias indepentes legislativa e orçamentariamente para ceder competÊncias e orçamento e formar uma Uniõa Federal, nosso Estado Unitário gigantesco, ao migrar de Império para República, é que teve de ceder competências legislativas e orçamentos para Estados e Municípios.

Natural, portanto, çque algum ranço centralizador exista em nosso país, em respeito à cultura institucional e à nossa história. Mas averiguado que alguns mecanismos não funcionam apropriadamente, como a centralização do poder de liberação de verbas para emendas parlamentares na mão do Executivo e o reflexo de parcial escravatura dos parlamentares, convém que se adote as medidas necessárias para fortalecer os pilares da democracia, na hipótese, a autonomia do Poder Legislativo que só existe com a autonomia dos parlamentares em face do Executivo para exercer verdadeira fiscalização deste e cumprir um de seus importantes misteres.

Está aí o primeiro passo. Há que se discutir o teor da medida e os procedimentos e seus limites, claro, para que não haja exageros e arporiação orçamentária por parte do Legislativo, naturalmente, mas o passo é em direção correta, apesar de a baixa credibilidade do Legislativo nacional passar a idéia de que é mera manobra parlamentar para se aproprirem de mais dinheiro público para seus interesses pessoais e partidários. Não é bem assim. A medida é boa, mas deve ter limites.

Aguardamos a segunda medida libertadora do Legislativo: corte de 70% de cargos em comissão do Executivo Federal. Assim, o palramentar poderá se dedicar a estar no Legislativo e exercer o mandato parlamentar ao invés de, como ocorre hoje, torcer e mendigar por cargos no Executivo para si e seus familiares, partidários ou amigos de campanha.

Enquanto isso não ocorre, veremos com mais calma essa PEC em comento, assim como acompanharemos sua tramitção no Congresso e os termos de sua aprovação final.

p.s.: Apesar de haver apenas uma mençaõ tangencial à PEC em comento, vale a pena a leitura do artigo acessível em http://oglobo.globo.com/brasil/lideres-da-camara-entram-em-acordo-para-aprovar-aumento-salarial-de-parlamentares-de-267-mil-para-338-mil-14848704

Selecionamos o seguinte trecho do artigo em referência:
 "Foram convocadas três sessões extraordinárias durante o dia de hoje para tentar votar propostas polêmicas, como a PEC do Orçamento Impositivo de emendas parlamentares. O reajuste, assim que ficar definido o valor, deverá ser incluído na pauta com a concordância dos líderes e votado em regime de urgência."

p.s. de 17/12/2014 - Observe nossas ponderações no nosso artigo de junho de 2012 sobre a necessidade de se garantir a autonomia ao Legilslativo através de um orçamento próprio para suas Emendas parlamentares, além de dever haver diminuição de cargos em comissão no Executivo. Veja o trecho que selecionamos do mencionado artigo (era um post script ao artigo) intitulado "Dilma: A Imperatriz do Brasil. A deformação da democracia brasileira.":

"p.s.: deveria ainda ser garantido ao Legislativo um orçamento autônomo como ao Judiciário, que poderia ser através de regras preponderante formais para aprovação desses orçamentos (se está dentro do limite orçamentário do Poder, se respeita a Lei de Responsabilidade Fiscal e superávit primário), mas que também poderia ter dimensão material excepcional (ponderando constitucionalidade, moralidade, razoabilidade de previsões orçamentárias do Judiciário e Legislativo, p.ex.) e, por fim, deveria ser garantido R$1 milhão a cada Deputado Federal e 2 milhões a cada Senador anualmente para ser previsto como gasto onde quisesse em sua base eleitoral. Isso independeria o Legislativo do Executivo e o ajudaria a cumprir sua função e concretamente colaborar para a melhora de vida de seus representados. Não acho que isso seria errado e privilegiaria quem estivesse no Poder, pois que se houver comunicação adequada, todos saberiam que destinar tal valor é uma das atribuições do Deputado Federal e do Senador e que ele aplicar tais valores adequadamente é apenas mais uma atribuição sua. No início o povo menos educado poderia confundir a obra como realização pessoal do parlamentar, mas o povo é mais crítico do que imaginamos.. em pouco tempo isso ficaria elucidado e compreendido. O importante é libertar o Legislativo das garras orçamentárias do Executivo. Essa liberdade de gasto seria relativa, eis que a previsãodo valor por parlamentar não lhe garantiria o gasto direto, mas a previsão de gasto. Portanto ele teria de se organizar com os políticos locais e a adminsitração estaudal e/ou municipal para destinar à realização de alguma obra ou com a administração federal (todos com a verdadeira máquina executiva que poderia efetivar a respectiva licitação), o que lhe confere poder para que seja respeitado como representante popular e não como enjeitado pedindo de verbas como ocorre hoje."

Acesse o artigo na íntegra em http://www.perspectivacritica.com.br/2012/07/dilma-imperatriz-do-brasil-deformacao.html

p.s. 2 de 17/12/2014 - A PEC do Orçamento Impositivo tem número de registro 358/2013. Nosso artigo com tema sobre a garantia de orçamento autônomo ao Legislativo (além do orçamento natural de 4% o orçamento da União e garantido pela CF) data de junho de 2012. Acesse um artigo interessante sobre o início da tramitação da PEC do Orçamento Impositivo em http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/12/16/camara-aprova-orcamento-impositivo-em-primeiro-turno

p.s. 3 de 17/12/2014 - Acesse o teor da PEC do Orçamento Impostivo em http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getPDF.asp?t=135413&tp=1
 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Os graves problemas da Petrobrás: OPEP e capacidade de financiamento

É pessoal... o mundo é complicado e o mundo das finanças e investimentos é muitíssimo complicado, principalmente diante de situações inimagináveis. Até seis meses atrás, sem notícia de petrolão e de determinação da OPEP em baixar o valor de petróleo no mundo, a Petrobrás estava simplesmente entrando em 2015 no ano de uma virada gigantesca a seu favor.

Por quê?

Vejam como era a situação. A virada a favor da Petrobrás era gigantesca porque sua produção de petróleo aumentará uns 30% podendo chegar a mais do que isso em 2015, em função do aumento de produção no pré-sal. Além disso, suas finanças melhorariam muito pois além da geração de caixa, com o inicio da atividade de refinarias, em especial a Abreu e Lima, diminuiria a necessidade de de importação de derivados de petróleo, o que é um grande problema da estatal, devido ao controle de preço da gasolina imposta pelo governo.

Além disso, o governo tinha dado correções da gasolina e acenou que daria o restante em 2015, a partir do arrefecimento da inflação, a qual já está com tendência de baixa e corroboraria a ocorrência dos aumentos. E essa situação apresentava-se como uma espiral positiva, eis que a produção no pré-sal está admitida como crescente até 2018, e durante esse caminho outras refinarias ficariam prontas, produzindo, e tornando a Petrobrás uma mina de ouro sem fim, chegando a dobrar a produção brasileira de petróleo a mais de 4 milhões de barris por dia, e o Brasil em um dos maiores exportadores de petróleo, além de poucos anos depois, talvez em 2020 ou 2022, autossuficiente em gasolina e talvez diesel... e ainda em um período em que se espera que o crescimento mundial se restabeleça, vejam bem (2015 a 2018)!!!

Nesse quadro que se desenhou há até seus meses atrás, senhores, o investidor em ações da Petrobrás podia esperar valorização muito grande de ações, porque grande parte da desvalorização das ações da Petrobrás até aquele momento derivava da pressão financeira que sofria para viabilizar a exploração estratégica, mas gigantesca do pré-sal. Com o aumento de produção, acerto de preço da gasolina no mercado interno, aumento de demanda internacional, e diminuição de compra de derivados para o País, a Petrobrás era um passaporte garantido para os lucros aos acionistas pelos próximos cinco a seis anos, com potencial altíssimo de valorização.

E agora?  

Bem, agora duas coisas pesadas ocorreram: Petrolão e OPEP. E as duas atacam a capacidade de financiamento da empresa que é essencial para manter os investimentos e realizar aquele potencial produtivo no prazo determinado e concretizar aquele horizonte dourado.. ou negro (de petróleo), se preferirem..

A OPEP, por maioria, decidiu implementar uma guerra de preço de petróleo para inviabilizar a produção do petróleo norte-americano não convencional. Com valor de petróleo mais alto, viabiliza-se pesquisa e exploração de petróleo não convencional e de áreas ultraprofundas como o pré-sal. Se a Opep mantiver o preço baixo, diminui seus lucros, mas diminui a concorrência, inviabilizando exploração e pesquisa.

Por conta disso, o barril que já foi do valor de US$110,00 está em US$62,00 e já se fala que pode chegar a US$40,00, em artigo publicado hoje, no Jornal O Globo, página 19, sob o título "Opep não cortará produção mesmo com petróleo em queda - Produtores já consideram possível recuo da cotação para US$40,00". Segundo informações também publicada pelo Jornal O Globo deste mesmo dia à fl. 17, Rodrigo Más, sócio da Bain & Company afirmou que "O pré-sal é viável com o preço do petróleo entre US$45 e US$57."

Bom gente... a situação não é confortável.. a pergunta é essa ação do cartel internacional da OPEP chegará a inviabilizar o pré-sal? E continuará baixo assim o preço do barril por quanto tempo? Afinal, sacrifica o tesouro dos países árabes, mas sem democracia naquele local, não há grandes pressões por serviços públicos ou qualidade de vida... não há pressão orçamentária e a riqueza dos países se confunde com a riqueza das famílias reais que dirigem aqueles países...

Nessa seara o problema é político e talvez somente uma pressão política norteamericana pudesse resolver.. como os EUA mantém a segurança local para as famílias reais desses países, seus pedidos são muito considerados... mas mesmo que não respondessem positivamente à pressão norteamericana, ficaria difícil os EUA se ausentarem daquele espaço estratégico.. então o poder dessa pressão não é tudo isso... intrincado. Por outro lado não se pode contar ainda com a pressão da demanda para aumentar o preço do barril, pois a economia internacional ainda patina com Europa, China, Índia e EUA crescendo pouco e menos do que podiam. Europa, então está muito ruim e o melhor crescimento vem mesmo dos EUA, mas baixo. Complicado.

Se fosse outro produto, essas ações de controle de preços pelos fornecedores poderia gerar uma ação anti-dumping ou taxações para equilibrar o preço externo com o preço interno do petróleo, mas nunca se viu algo assim... rsrsrs. Imaginar que os países desenvolvidos não comprarão petróleo mais barato por ideologia ou por outro motivo, baixando a demanda para pressionar o preço para cima, não é factível. Então, sim, estamos a mercê da política de preço da OPEP, apesar de produzirem 1/3 do petróleo mundial.

E o petrolão?

A descoberta da rede de corrupção gigantesca na Petrobrás envolvendo dezenas de contratos, empresas e executivos da área privada, dezenas de políticos e meia dúzia de funcionários da estatal foi um soco na imagem da empresa, na de suas contas, na perspectiva de retorno dos investimentos e, enfim, no valor das ações. Há risco de perda de rating pelas agências internacionais e tudo isso reflete no encarecimento da captação de valores para financiar a produção do pré-sal, peça estratégica para as atividades da Petrobrás e realização de suas perspectivas produtivas e de retorno.

Quem poderia prever a ação da OPEP e o Petrolão? Ninguém. Mas e agora? é o fim da Petrobrás?

Bem gente, difícil imaginar isso. Enquanto estivermos no nível da especulação, tudo é possível, mas a verdade é que o barril já caiu a quase 50% do seu preço. que os prejuízos que a Petrobrás tem mostrado com o Petrolão estão ainda dentro de uma média de 5% da perda que toda a área privada tem com a corrupção, como já apontado pela KPMG em uma pesquisa há alguns anos informada por Elio Gaspari.

Além disso, as parceiras da Petrobrás no Pré-sal confirmaram os investimentos para os próximos anos, além de que se discute alteração no marco regulatório da exploração do pré-sal para diminuir o impacto sobre as finanças da Petrobrás e aumentar a concorrência na área de exploração. 30% de investimento é muito e sempre fomos contra. Mexer no marco não é bom, mas se a situação pedir, sendo no sentido de mais liberdade econômica e mais participação do mercado, será bem avaliado e pode ser uma saída. Mas se o barril for abaixo de preço que viabilize a produção no pré-sal, nada disso adiantará.

Conclusão

Então, senhores, a regra é clara, pra quem já entrou nas ações da Petrobrás, não adianta sair realizando o prejuízo atual. E no momento o investimento nessas ações são de grande risco mesmo. Se todas as previsões ruins não se concretizarem, o investimento por agora pode ser o investimento de maior retorno em uma vida.. rsrsrs. Mas se as perspectivas ruins se concretizarem, as ações viram pó. Acho difícil a última hipótese. Mas isso é uma crença pessoal.

Investir em ação da Petrobrás agora é somente para quem admite perder o dinheiro investido. Se subir, pode ser muito. mas pode zerar. Então é um investimento de alto risco. É impressionante... não é à toa que há diversas histórias de gênios econômicos que muito perderam em investimentos em ações... Keynes parece que foi um.

Mas a regra básica continua e continuará valendo: ações são investimento de longo prazo e nesse sentido sua possibilidade de retorno alto é bem maior. Warren Buffet ensina que em ações ele investe em um pequeno número, de boas empresas e de produtos necessários à sociedade e que não exijam grandes investimentos para que o produto seja vendido, como é o caso de carros e aviões. E investe por longos prazos. Rockefeller já disse que a melhor empresa do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada e a segunda melhor empresa do mundo é... uma empresa de petróleo mal administrada. Lendo o livro "O TAO de Warren Buffet", você é incentivado a concluir que empresa que produz petróleo, coca-cola e chiclete são bons investimentos.

Então senhores, nesse momento de desgraça para a Petrobrás, só aposte o que você pode perder e admita perder. Segure o que já investiu e torça para a tempestade passar.

p.s. de 17/12/2014 - Importante nesse momento ter frieza e verificar que a corrupção na Petrobrás que está sendo descoberta é grande mas ainda parece estar ainda abaixo da média da área privada cujo prejuízo com corrupção é calculado pela KPMG em torno de 5% em prejuízo da receita das empresas privadas... para se informar sobre a diferença da corrupção na área privada e na área pública e estatais, sugerimos a leitura dos seguintes artigos http://www.perspectivacritica.com.br/2013/05/corrupcao-na-area-privada-desvendando-o.html

http://www.perspectivacritica.com.br/2011/01/diferenca-entre-roubo-na-area-privada-e.html



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Sobre o aumento do juros para 11,75%: o enquadramento total do BC ao mercado

Pessoal, o que significa esses aumentos de 11% para 11,25% e de 11,25% para 11,75% da Selic? Algumas coisas claro, mas a principal é que o Banco Central se adequou à pressão de mercado clássica e vai combater a inflação somente com juros básicos. Como já havia dito Tombini, as medidas macroprudenciais estão banidas da paleta de controle de inflação. Ponto. Isso tem prejuízos ao orçamento e aos setores da economia que vão bem, pois juros básicos altos prejudicam e resfriam toda a economia, sem um ataque específico e mais inteligente que as medidas macroprudenciais poderiam fazer, como, por exemplo, o aumento de depósito compulsório, conforme faz a China em seu controle inflacionário.

Então, nesta seara, neste momento de total enquadramento do Banco Central a seu cantinho delimitado pelo mercado, pela ala financeira e pela grande mídia, pouco podemos contribuir ao debate que não seja esclarecendo em miúdos o que já é escrito pela grande mídia e dizendo que havia outras formas de combater a inflação sem gerar gastos orçamentários e resfriamento geral da economia. O Banco Central combate a inflação e obterá êxito com a fórmula clássica; mas há eficiência nesse combate? Não.

A eficiência do combate à inflação nós medimos pelo combate às causas da inflação e pelo nível de reflexos negativos na economia que a atuação causa. Medidas macroprudenciais como aumento de depósito compulsório esfriam a demanda, não esfriam a produção e não aumentam custo da dívida pública. Isso é bom e eficiente. Aumento de juros básicos esfria produção, esfria demanda e aumenta dívida pública. Isso também baixa a inflação, mas não é eficiente.

Então, voltamos a ser "o último peru de natal", como foi ouvido entre investidores internacionais. Ok. É isso.

Dentro desse quadro, há motivos para se combater a inflação. O governo gasta (pressão inflacionária). Mas porque tenta manter crescimento e emprego. O dólar está subindo no mundo todo (pressão inflacionária). Isso mexe com a inflação e exige medidas de controle... mas não aumento de juros básicos, como dissemos.

Entretanto as famílias não gastam (pressão desinflacionária/deflacionária). O mercado internacional está fraco (pressão desinflacionária/deflacionária) e os juros brasilerios, mesmo a 11%, geravam e ainda geram os juros reais mais altos no mundo, mesmo sem risco de pagamento da dívida pública, que está estável em 35% líquida e 58% bruta (ver p.s. de 09/12/2014)... das menores do mundo rico e da OCDE. Esses juros e mercado interno e internacional fraco desestimula investimento produtivo e manda divisas da área privada para o mercado financeiro. Assim, a taxa de investimento, que poderia ajudar o Brasil a ter mais crescimento econômico não sobe.

Bem, a inflação mais uma vez fechará o ano dentro da meta inflacionária, apesar de desde janeiro de 2014 a grande mídia dizer que isso não ocorreria.. e isso em ano de eleição em que há, e houve, descontrole orçamentário. Precisava, então subir tanto o juros? Não. Mas antecipar o aumento pode, mais à frente, e assim esperamos, antecipar a queda da taxa para parâmetros interncionais compatíveis com a conjuntura de nossa economia.

Mas agências de rating estão nos ameaçando... Paul Krugman já explicou em artigos, e nós já até publicamos sobre isso, como que as agências de rating prejudicam análises de economias por preconceito ou por filosofia e ideologia.. assim o fizeram contra a França, porque na crise européia, se negava a atacar e diminuir os benefícios assistenciais e previdenciários e trabalhistas franceses para aumentar garantias ou pagamentos a banqueiros internacionais. Mas Krugman falou que tal assistência  social e direitos trabalhistas e previdenciários mantinham um sistema de valores circulando na economia francesa que a protegiam de piores reflexos da crise financeira internacional.

Então, senhores, é isso... ser autônomo, ter política autônoma, ser uma Nação soberana não é fácil no nosso mundo dominado pelos centros financeiros internacionais. A inflação chegou a ser de 0,03% em julho deste ano.. que descontrole inflacionário é este? Não há descontrole inflacionário. "Mas há diminuição de superávit fiscal"... sim.. grave... "e o governo quer relaxar a meta de superávit para esse ano!"... sim.. mas o Presidente americano Obama pediu por duas vezes durante a crise financeira mundial que o Congresso Americano aumentasse o limite de endividamento do seu País!!! Não foi pedido de aumento de superávit fiscal, que já não têm há mais de uma década!!! Foi pedido de aumento de limite de endividamento!!!

Então senhores... a coisa no Brasil não está nada feia se comparado com o mundo.. as agências de rating se apresentam como instrumentos validadores de pressão política e econômica internacional sobre o Brasil e países que não seguem o Consenso de Washington (Estado Mínimo, menos direitos trabalhistas, previdenciários e assistência social com liberada de total de mercado e fluxo de capitais internacionais, traduzindo). A inflação terminará de novo na meta. Nosso crescimento para 2014 é pífio, em 0,3%, mas é realizado em cima de crescimentos anuais durante toda a crise econômica (* ver p.s. de 08/12/2014). E em mais um ano aumentou a renda do brasileiro e foram gerados mais de um milhão de empregos novos.

O aumento da Selic para 11,75% foi um erro, desestimula o investimento e a produção, desestimula o crescimento econômico e a geração de emprego, aumenta custo da dívida pública e faz a alegria dos centros financeiros internacionais. Mas o mundo é este. Nem com um governo trabalhista é possível se flexibilizar a política monetária... e não se pode recriminar nem o governo e nem, de todo, o Banco Central. Realmente, ser cordeirinho do mercado garante reconhecimento mais rápido de credibilidade pelo mercado e amansa as agências de rating.

A questão é em que medida e quantas vezes é necessário fazer-se concessões ao mercado sem abrir mão de uma autonomia de projeto de nação e de gestão da economia. Esse limite é que é o Santo Graal... o mercado internacional é um fato e não dá pra substitui-lo... para flexibilizar satisfação a suas exigências, somente com uma economia forte... então, é hora, como disse George Vidor, de se preparar para conviver com um câmbio mais elevado, alavancar exportações, desonerar a produção (sem afetar a arrecadação da previdência pública, bom que se diga), fazer projetos  e executar muitas concessões de serviços e obras públicas, mas investindo no serviço público, salário mínimo, para termos mercado interno, investimentos e crescimento econômico, pois só assim é possível obter crescimento econômico e autonomia para a política monetária como já tivemos uns dois ou três anos nos últimos doze.

p.s. de 08/12/2014 - Texto revisto. Errata: onde se lia "nosso crescimento para 2014 já se aproxima da esperada para a Alemanha (0,8%) e em mais um ano aumentou a renda do brasileiro", se lê "nosso crescimento para 2014 é pífio, em 0,3% (mas é realizado em cima de crescimentos anuais durante toda a crise econômica - * ver p.s. de 08/12/2014) e em mais um ano aumentou a renda do brasileiro". Houve equívoco em confundir, no texto, o crescimento previsto para o Brasil de 0,8% em 2015 com o previsto para o ano de 2014 de 0,3%. A Alemanha deve crescer 0,8% em 2014.. mas sobre pibs crescimentos de pib anuais menores do que o Brasil durante a crise econômica. E é relevante acrescentar que há recente informação de que até o superávit fiscal pode ser atingido em 2014, mesmo sem alteração de LDO e relaxamento de meta fiscal/superávit primário, graças, mais uma vez a receitas extraordinárias... apesar de a grande mídia caçoar do uso de receitas extraordinárias para fechar superávit fiscal, senhores... receita é receita.. e se ocorrer deverá ser admitido que a meta foi atingida.

p.s. de 09/12/2014 - A grande mídia ora publica 58% e ora 62%... Delfim Neto uma vez explicou a diferença de valores para a dívida bruta brasileira imputada pelo governo (58%) e pelo FMI ?(65%) seriam 7% da dívida que estariam estocados no Banco Central. Segundo ele, como estão no Banco Central, na posse do Banco Central que também investe nestes títulos, não deveriam ser contados como dívida, pois como integra a Adminstração Direta, o banco Central não executará dívida referente a esses títulos contra a União. Daí, estar certo não contar isto como dívida bruta, pois dívida é o que pode ser cobrado. Em ordem de grandeza, mesmo que eventualmente as publicações da grande mídia não explicitem a que número de dívida bruta se referem, como o valor de díferença está em torno de 7 ponto s percentuais da dívida ou pouco mais de 10% da dívida integral bruta, não há grandes problemas para entendimento dos comentários e efetividade dos raciocínios expostos.

p.s. de 10/12/2014 - Texto revisto integralmente, inclusive com aperfeiçoamento de redação.

A posição do Blog sobre o petrolão e impeachment de Dilma

Neste caso seremos breves porque a questão tem contornos imediatos simples, apesar de ter conteúdo ainda opaco para ambos os casos, mas muito mais opaco para a questão de impeachment. 

Gente, o que é o Petrolão? Roubo, desvio de dinheiro e corrupção. A posição do Blog é simples: apoiamos a investigação livre do caso e a punição para todos os culpados. Agora, a última informação de que pagamentos de propina combinada com figurões da Petrobrás eram pagas viam doações oficiais aos partidos de base de governo e ao PT, isso sim é gravíssimo. Isso seria lavagem de dinheiro. Inclusive para a campanha de Dilma à Presidência?

Vejam, aí entramos na questão do impeachment... em que medida pode haver impeachment de um presidente eleito por votos diretos dos cidadãos por problemas de contabilidade ou origem de verbas de campanha? A campanha da Dilma custo mais de 100 milhões de reais. Se 4 milhões de reais fossem da máfia italiana, altera o voto do cidadão na Dilma? Creio que não.

Cristina Kirchner foi eleita com ajuda financeira de Chavez... isso gera impeachment de Cristina Kirchner? Gente, não é o dinheiro que vota, mas o cidadão. 

É claro que participar do jogo democrático de forna idônea, com contas honestas é pressuposto legal e moral da participação do candidato nas eleições. Mas até o deslinde de quem fez, quem lavou, quem destinou verba para a campanha, fica difícil chegar até o candidato, no caso a Dilma. E ela teve a maioria de votos da população e foi legitimamente eleita pelo voto dos cidadãos. Complicado.

O correto seria que houvesse o julgamento das contas de campanha do PT à Presidência da República e, no caso de não ser aprovada, as sanções previstas ocorressem.. mas se a oposição se açodar por impeachment antes da hora, com o apoio da grande mídia, pode haver um grande sismo institucional.

Vemos com cautela e apreensão toda esta movimentação e conclamamos a oposição e a grande mídia a serem cautelosos e responsáveis na condução de todo esse tema desafiador de corrupção na Petrobrás, desvio de verbas públicas e financiamento de campanha por empresas privadas...

Aí o grande tema: acabando com o financiamento de campanhas políticas por empresas, nada disso estaria acontecendo!

Agora, seguimos acompanhando esse mar de lama e prontos a tomar as posições necessárias em qualquer seara.. mas a seu tempo, com fundamentos de fatos e jurídicos sustentáveis para tanto. Responsabilidade e serenidade são muito importantes em momentos graves. Sensacionalismo e açodamento podem ser muito caro para a oposição e a mídia que estão no caminho correto de exigir esclarecimento de fatos.

Sugerimos que oposição e mídia fiquem dentro desse escopo de esclarecimento de fatos. Consequências penais e políticas serão corolário natural justamente desses esclarecimento e prova de fatos e atos. Demonstrar  que uma campanha suja chega ao candidato eleito legitimamente pelo voto popular é tarefa muito, muito difícil. E para que realmente ocorra, não pode depender de emoção e de instigação da população contra o governo. Isso só interessa a quem quer bagunça.

Para quem quer realmente solucionar a questão, é preciso seriedade, calma, passo a passo, publicação de fatos e ponderação equilibrada de fatos. Isso ajudará o entendimento popular dos fatos e isso respeitará a honra dos envolvidos inocentes. O vislumbre de uma remota possibilidade de arrancar a presidente do palácio não pode se transformar em descontrolada horda bradando sua retirada com sangue nos olhos e bocas espumantes.. isso não vai parecer sério, mas uma vingança da oposição por perda do pleito.

Eu ficaria mais convencido da legitimidade das pretensões da oposição quanto à defesa da democracia se os fatos novos e graves fossem exortados no Congresso com falas surpresas e mais taciturnas demonstrando sentimento mais de luto quanto a um possível processo eleitoral eventualmente prejudicado do que com falas retumbantes e aguerridas quase comemorativas dessa lama que gera a chance de "pegar o trono".

Serenidade e atenção é o que aconselhamos à grande mídia e à oposição, para que façam seu trabalho sem perder o comprometimento com a democracia e com sua própria imagem perante a sociedade. Muitas vezes a mídia errou. Quanto maior a gravidade dos fatos e a responsabilidade da mídia e da oposição, que são essenciais á democracia, maior é a necessidade de serenidade e de pisadas firmes em solo comprovadamente sólido para evitar uma percepção de que mídia e oposição atuam em conjunto com objetivo de solapar a opção do povo brasileiro pela Dilma na Presidência da República.

Isso é como atuamos. E isso sugerimos à mídia e à oposição. Serenidade, calma, resolução e perseverança. E acima de tudo isso ou como diretriz de tudo isso: total comprometimento com a verdade, democracia e o interesse público.

   


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Por que dizemos que há margem para a alteração do índice de correção das dívidas dos Estados e dos Municípios?

Por que dizemos que há margem para a alteração do índice de correção das dívidas dos Estados e dos Municípios?

Pelo seguinte: as dívidas dos Municípios e Estados contraídas com a União Federal, boa parte ainda da época em que FHC federalizou corretamente a dívida de Municípios e Estados, são corrigidas pelo IGP-DI mais de 6% a 9% ao ano e seriam agora corrigidas pelo IPCA ou Selic, mais 4% ao ano. Havia crise de confiança em relação à capacidade de pagamento de alguns Estados e Municípios, inclusive Minas Gerais do Governador Itamar, na época, se bem me lembro. E a decretação de moratória como estava sendo cogitada respingaria em perda de credibilidade de todos osdemais Municípios e Estados brasielrios e até par a prórpia União Federal. Daí federalizar a dívida dos Estados e Municípios à época.

Então veja, há justificativa porque o IGP-DI toda a família desse índice tem grande carga de dólar, o que na época da federalização de dívida tinha sentido, pois o objetivo era demonstrar segurança aos investidores em dívidas de Municípios, Estados brasileiros e da União Federal, que havia segurança no recebimento dos valores devidos pelos entesda federaçlão brasileira e a época nossa moeda não era o real estável como hoje. Com a moeda estável e a economia forte, nada impede que se adote o IPCA, índice oficial de inflação, mais compatível com a perda de valor de nossa moeda e realidade interna, para a correção da dívida entre entes da federação e a União Federal.

E o juros de remuneração da dívida? Por que cair de 6% a 9% ao ano para 4% ao ano? Bem, trata-se de empréstimo entre entes da federação. O que se cobra de juros dos Municípios e Estados deixa de ser aplicado na sociedade nesses Municípios e Estados.. a União Federal não é banco atrás de lucro, mas a existência da dívida tem uma finalidade social: demonstrar que há preço para o financiamento com a União e um custo para pagmento de dívidas. Então não há problema em o financiamento da União gerar lucro de 4% ao ano, até porque o investimento em títulos da dívida americana e européia, o que o Tesouro e o Banco Central também fazem, geram muito menos (atualmente entre 0,25% e 1,5%)!! Tudo bem que em moeda forte.. Aí pergunto, porque receber menos de financiamento da dívida americana ou européia e mais do financiamento da dívida de Estados e Municípios brasileiros?!?!

Então, senhores e senhoras, nós sabemos que diminuição de retorno financeiro desses créditos que a União tem com Municípios e Estados brasileiros diminui, contabilmente, segurança para investidores da dívida pública da União Federal, mas qual a proporção disso? Qual o custo/benefício? Parece-nos que diante do gargalo de Municípios e Estados para conseguirem ter orçamento para investir em serviços e bens a seus cidadãos, em especial a cidade de São Paulo, e como isso afeta a vida de cidadãos brasileiros, não é desarrazoado a tentativa de diminuir esse custo para Municípios e Estados e essa remuneração para a União, até porque enquanto na época originária de tais contratos o risco Brasil estava em 2000 pontos, hoje está em 160 pontos. Então há margem financeira e teleológica, como dissemos, para a troca do índice de correção da dívida dos Municípios e Estados.

Claro que essa troca impactaria menos a expectativa estrangeira se juntamente com isso viessem medidas de rigor fiscal, como diminuição de investimentos públicos e "gastos da União Federal", mas cremos que a colocação do Levy no Ministério da Fazenda pode ter esse efeito.. apesar de que os credores estrangeiros não estão interessado em compensações assim, mas somente no acúmulo maior e maior de garantias para seus investimentos, independente do custo para a população.. compreensível.. por isso que há dez anos os europeus sofrem com desemprego de dois dígitos. Tudo são escolhas e suas consequências e reflexos...

p.s.: Esta é uma publicação de um p.s. no artigo anterior sobre a alteração da LDO. O texto ficou grande e com matéria autônoma em relação ao texto a que se referia, exigindo destaque e facilitação de acesso a essa informação, o que gerou esta publicação com algumas inserções para complementar a idéia.

p.s. de 08/12/2014 - E é relevante acrescentar que há recente informação de que até o superávit fiscal pode ser atingido em 2014, mesmo sem alteração de LDO e relaxamento de meta fiscal/superávit primário, graças, mais uma vez a receitas extraordinárias... apesar de a grande mídia caçoar do uso de receitas extraordinárias para fechar superávit fiscal, senhores... receita é receita.. e se ocorrer deverá ser admitido que a meta foi atingida.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A questão da alteração de meta de superávit na LDO de 2014: irresponsabilidade fiscal ou necessidade real?

Gente, a abordagem pela grande mídia do tema da alteração proposta pelo governo na LDO, consistente em descontar da meta de superávit primário os investimentos do PAC e as desonerações tributárias efetuadas até agora está muito ruim. É irresponsabilidade ou necessidade? É boa ou ruim a alteração proposta?

Observem, a questão é simples. Se você quer pura e simplesmente ser conservador e monetarista ou financista, é claro que defenderá que não se altere a proposta de superávit primário. Ser econômico com finanças, seja pública ou privada, sempre gera o lado bom de saúde financeira mais forte das empresa ou do Estado. O ideal, temos de concordar, é que se pudesse exigir do governo os investimentos do PAC, que arcasse também com as desonerações tributárias para o setor produtivo e que, ainda mais, entregasse o superávit primário de 1,9% do PIB, que já foi de 3,1%. Mas qual o custo disso? O crescimento e emprego. Entenderam o dilema?

O que a mídia está fazendo? Como a oposição não ganhou, tanto ela como a grande mídia, aliada da ala financeira, estão tentando impor ao governo a política econômica que aplicariam e que apóiam. Claro que é o que acreditam que seja melhor. Mas ambos não têm a mesma preocupação com a manutenção de crescimento e emprego que o governo tem. E essa política foi a que ganhou nas urnas.

Observem que os EUA teve de obter autorização duas vezes do Congresso Americano para aumentar seu limite de endividamento para não parar sua economia e decretar moratória de pagamento de dívidas!!! O que o governo brasileiro está pedindo, no fim da crise financeira internacional, é meramente alteração na meta de superávit primário!!! A diferença é enorme!! É poupar menos! De outra foram podemos dizer que é considerar investimentos e desonerações como poupança efetuada no lugar do superávit, o que não é de todo ruim, apesar de que não aumenta a capacidade de pagamento de juros da dívida... claro.

Então, o governo está tendo de fazer escolha de manter investimentos e desonerações ou fazer superávit primário. Se fizer superávit a todo custo, esfria economia e não estimula tanto emprego. Se fizer investimentos do PAC e mantiver desonerações, não pode fazer, esse ano, superávit primário.

Esse é o dilema. Nós apoiamos a alteração, se valer somente para esse ano e tendo de ser avaliada e autorizada para o caso de dever ser feita no próximo ano também.

O mesmo acontece com a alteração da correção das dívidas dos Estados e Municípios com a União. Quem for contra, quer ver aumento de garantia de pagamento de dívida pública da União. Ok. Mas diminui valores para investimentos dos Estados e Municípios. E há margem para a alteração do índice de correção (* ver p.s. de 04/12/2014). Não somos contra, a princípio.

Então, é isso. As propostas do governo não são irresponsáveis e visam a aumentar o índice de crescimento e geração de emprego. Daí, se se apóia crescimento e emprego ou aumento imediato de garantias para dívidas públicas à custa de crescimento e empregos no curto prazo, é uma questão de definição de prioridades. Quais são as suas?

p.s. de 04/12/2014 - Texto revisado.  Por que dizemos que há margem para a alteração do índice de correção das dívidas dos Estados e dos Municípios? Pelo seguinte: as dívidas dos Municípios e Estados contraídas com a União Federal, boa parte ainda da época em que FHC federalizou corretamente a dívida de Municípios e Estados, são corrigidas pelo IGP-DI mais de 6% a 9% ao ano e seriam agora corrigidas pelo IPCA ou Selic, mais 4% ao ano. Veja, há justificativa porque o IGP-DI toda a família desse índice tem grande carga de dólar, o que na época da federalização de dívida tinha sentido, pois o objetivo era demonstrar segurança aos investidores em dívidas de Municípios, Estados brasileiros e da União Federal, que havia segurança no recebimento dos valores devidos pelos entesda federaçlão brasileira e a época nossa moeda não era o real estável como hoje. Com a moeda estável e a economia forte, nada impede que se adote o IPCA, índice oficial de inflação, mais compatível com a perda de valor de nossa moeda e realidade interna, para a correção da dívida entre entes da federação e a União Federal. E o juros de remuneração da dívida? porque cair de 6% a 9% ao ano para 4% ao ano? Bem, trata-se de empréstimo entre entes da federação. O que se cobra de juros dos Municípios e Estados deixa de ser aplicado na sociedade nesses municípios e Estados.. a União Federal não é banco atrás de lucro, mas a existência da dívida tem uma finalidade social: demonstrar que há preço para o financiamento com a União e um custo para pagmento de dívidas. Então não há problema em o financiamento da União gerar lucro de 4% ao ano, até porque o investimento em títulos da dívida americana, o que o Tesouro e o Banco Central também fazem, geram muito menos!! Tudo bem que em moeda forte.. Aí pergunto, porque receber menos de financiamento da dívida americana e mais do financiamento da dívda de Estados e Municípios brasileiros?!?! Então, senhores e senhoras, nós sabemos que diminuição de retorno financeiro desses créditos que a União tem com Municípios e Estados brasileiros diminui, contabilmente, segurança para investidores da dívida pública da União Federal, mas qual a proporção disso? Parece-nos que diante do gargalo de Municípios e Estados para conseguirem ter orçamento para investir em serviços e bens a seus cidadãos, em especial a cidade de São Paulo, e como isso afeta a vida de cidadãos brasileiros, não é desarrazoado a tentativa de diminuir esse custo para Municípios e Estados e essa remuneração para a União, até porque enquanto na época originária de tais contratos o rsico Brasil estava em 2000 pontos, hoje está em 160 pontos. Então há margem financeira e teleológica, como dissemos, para a troca do ínidice de correção da dívida dos Municípios e Estados. Vou publicar como artigo pois ficou grande e merece destaque.

p.s. de 08/12/2014 - E é relevante acrescentar que há recente informação de que até o superávit fiscal pode ser atingido em 2014, mesmo sem alteração de LDO e relaxamento de meta fiscal/superávit primário, graças, mais uma vez a receitas extraordinárias... apesar de a grande mídia caçoar do uso de receitas extraordinárias para fechar superávit fiscal, senhores... receita é receita.. e se ocorrer deverá ser admitido que a meta foi atingida.