terça-feira, 12 de julho de 2016

Crítica ao artigo "Estatais federais fizeram 55.836 novas contratações de 2010 a 2014", do Jornal O Globo

Este artigo informa que de 2010 a 2014 as 135 estatais "incharam" seus quadros em 55 mil servidores a mais e que o prejuízo delas se dá nos seguintes limites:

"Em termos agregados, o prejuízo das empresas públicas brasileiras, no ano passado, beirou os R$ 60 bilhões, com os resultados negativos de gigantes como Petrobras, Eletrobras, Correios e Infraero. A penúria financeira das estatais contamina as contas públicas. Segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgado neste mês, as empresas públicas responderam por um deficit primário de R$ 1,7 bilhão no ano passado."


Acesse a íntegra em   http://oglobo.globo.com/economia/estatais-federais-fizeram-55836-novas-contratacoes-de-2010-2014-19588640#ixzz4ED8qMkPb 


O crescimento desses empregados todos é aumento de 11% em quatro anos no número total de empregados que as estatais já tinham. E se deu de 2010 a 2014, "ininterruptamente", como publicado.

Não há a lista dessas estatais, mas hospitais e a Embrapa são tratados como estatais que dão retorno social e não econômico. Já vemos aí um erro grave. Apesar de ser mais difícil ver retorno econômico nessas estatais do que no Banco do Brasil, por exemplo, a Embrapa não é responsável pela melhora constante da eficiência da produção agrícola? E por que não colocar estes valores na conta e ver o retorno da Embrapa em arrecadação, por exemplo com a atividade agropecuária? Não entendo.

E hospitais? Estes são mais difíceis de ver o retorno para o Estado, admito, mas talvez, se calculassem a capacidade de trabalho recuperada para o doente que voltará a trabalhar, houvesse um cálculo de retorno econômico dos hospitais. Mas o mais importante, já que não é a busca pela dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III da CF/88), poderia ser o fato de que atendimento público gratuito de saúde é retorno aos cidadãos por imposto pago em serviço público essencial. Aí tem que ter gasto mesmo, porque algum retorno há que se ter do imposto pago, como o há na França, Alemanha e Inglaterra.

É importante que se note que a notícia, que ataca o setor público, não dá a notícia de que o período de contratação foi um período de alta do PIB que em valores correntes só cresceu desde 2009/2013. Segundo o IBGE o PIB em valores correntes nos anos de 2009 a 2013 foram: 3, 33 bilhões de reais em 2009, 3,88 bilhões em 2010, 4,37 bilhões de reais em 2011, 4,80 bilhões de reais em 2012 e 5,31 bilhões de reais em 2013. Não contamos os dados para os anos de 2014 e 2015, que se apre4sentaram maiores do que estes últimos por serem dados previstos com base me dados preliminares e não consolidados como os dados dos anos de 2009 a 2013. Veja o gráfico completo em http://brasilemsintese.ibge.gov.br/contas-nacionais/pib-valores-correntes.html

Mas não só. NO mesmo gráfico você tem link para outros gráficos do IBGE que demonstram que neste período a Renda Nacional Bruta cresceu e o Pib per capita cresceu também, em todos os anos de 2009 a 2013.

Mas não só. O crescimento do PIB foi de 7,6% no ano de 2010, de 3,9% em 2011, de 1,8% em 2012 e de 2,7% em 2013. Em 2009 o crescimento foi negativo em 0,2%, mas havia sido positivo em 5% em 2008, 4% em 2007 e 6% em 2006. o que faz parecer o PIB estável de 2009 um soluço. Acesse os dados em https://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o_do_PIB_do_Brasil

Assim, sem descontrole no meio fiscal e econômico que refletisse em números econômicos, as empresas tinham que se preparar para o crescimento de suas demandas. Houve exageros? Pode ter ocorrido. Mas um aumento de 10% nos funcionários da Petrobrás e de 21% nos funcionários do Banco do Brasil e 19% nos funcionários da Caixa Econômica Federal não parece desapropriado. Até porque, desde 2010 até hoje, em 2016, ao menos o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal só dão altos lucros!!

A Petrobrás? Bom, a queda do Petróleo de 120 dólares o barril para 28 dólares, por manipulação do preço internacional pela Arábia Saudita, que se fosse outro país seria chamado de terrorista econômico mundial e teria enfrentado guerra dos EUA e aliados, prejudicou muito a empresa e agora ela tem que se adaptar, mas esse prejuízo ocorreu a partir desta queda do petróleo, no ano de 2013, quando a maior parte do aumento de funcionários já tinha ocorrido. E quanto aumento a produção de petróleo de 2010 a 2014 pela Petrobrás? Muito mais de 10%!!!

Naturalmente, com a queda de preço internacional os valores podem mudar, mas para o crescimento da produção de petróleo bater recordes e sair de pouco menos de 2 milhões de barris diários para 4 milhões daqui a alguns anos, parece necessário contratar pessoal, não? E olhem as informações de produção prestadas pela Petrobrás em janeiro de 2016. Selecionamos os seguintes trechos:

"No ano passado, a produção de petróleo que realizamos no Brasil superou a meta fixada para o período de acordo com o Plano de Negócios e Gestão pela primeira vez nos últimos 13 anos. A marca de 2,128 milhões de barris por dia (bpd) atingida no período representa alta de 4,6% diante do resultado do ano anterior e 0,15% acima dos 2,125 milhões previstos em nosso plano de negócios.


A média anual da produção operada na camada pré-sal em 2015 também foi a maior da nossa história, atingindo uma média de 767 mil barris por dia, superando a produção de 2014 em 56%.


Se considerada também a extração de gás natural, que cresceu 9,8% diante do ano anterior, a produção total chega a 2,6 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) - 5,5% maior que os 2,46 milhões boed de 2014."


Acesse a íntegra em http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/producao-de-petroleo-anual-no-brasil-aumenta-4-6-e-supera-nossa-meta-de-2015.htm

Então, gente, infelizmente, como soe acontecer, o artigo que criticou a contratação foi fraco. Muito fraco. Podia ter falado que na cúpula das estatais apadrinhados são colocados sem conhecimento0 técnico. Disso não teríamos o que falar. Poderia dizer quais são todas as estatais listadas, para que o leitor tivesse noção do que o artigo propagandeia; isso seria mais transparente. Mas aí o leitor se depararia com hospitais e fundações públicas que são escolas também... não apoiaria cegamente o viés do artigo contra as contratações.. ou seja, causou desinformação em massa.

Triste. O artigo bateu em um ponto importante ao tentar discutir a Administração Pública, mas foi omisso em informar com qualidade. Nem todas as contratações foram ruins, e muitas delas geraram aumento de prestação de serviço público e inclusive crescimento de lucros para algumas estatais e foram, então, contratações sustentáveis, efetuadas em ambiente de crescimento econômico, antes da queda generalizada da economia e do orçamento, a partir do segundo semestre do ano de 2013.

Essa é a verdade.


 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Contra a corrupção no CARF, Procurador da República sugere concurso público

Essa notícia, que você não vai ler nunca na grande mídia, foi publicada em 22 março de 2016 no site da Câmara dos Deputados, em função de audiências sobre a Operação Zelotes.

O Procurador da república responsável pelas investigações e medidas judiciais no caso que apura a corrupção dos membros daquele Tribunal Administrativo que revê autuações fiscais em empresas, vê como ponto fraco da instituição a indicação de membros oriundos da sociedade sem concurso público, eis que por influência política, gera a indicação de advogados e representantes das empresas que justamente pretendem decisões favoráveis a seus interesses no órgão contra o interesse público de arrecadação de tributos.

Vejam a transcrição integral do artigo:

"Procurador defende mudanças na composição do Carf para evitar corrupção
O procurador da República Frederico Paiva, responsável, no Ministério Público, pelas investigações da Operação Zelotes, da Polícia Federal, disse, em depoimento, à CPI do Carf, que a única maneira de evitar tráfico de influência e corrupção nas decisões do órgão seria acabar com a paridade na composição dos conselhos responsáveis por julgar reclamações de empresas que devem à Receita Federal.
A Operação Zelotes apontou indícios de venda de sentenças em cerca de 70 processos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda encarregado de julgar recursos de empresas autuadas pela Receita Federal.
As suspeitas da PF recaem sobre conselheiros, ex-conselheiros, advogados e executivos de empresas devedoras, entre as quais grandes grupos empresariais. O esquema, segundo a PF, pode ter provocado um prejuízo de quase R$ 20 bilhões aos cofres públicos.
Os conselhos responsáveis por julgar os recursos das empresas devedoras respeitam a paridade entre representantes da Fazenda Nacional e dos contribuintes – definida pelo Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Medida Provisória nº 449/08. Isso significa que representantes da Receita Federal e das empresas têm o mesmo poder no órgão.
Na semana passada, o presidente do Carf, Carlos Alberto Freitas Barreto, descreveu a composição dos conselhos, formados por seis membros: um representante do contribuinte, outro da sociedade, outro da OAB, outro do Ministério da Fazenda, da Receita Federal, além do presidente do Carf.
Segundo o presidente do Carf, uma das mudanças feitas nos procedimentos internos foi sortear os relatores dos processos para evitar direcionamento. Os advogados também foram proibidos de exercer a profissão se forem escolhidos conselheiros do Carf. Além disso, foram vetados sucessivos pedidos de vista dos processos.
O procurador elogiou as mudanças, mas não considerou suficientes. “O Carf tem que ter estrutura própria, com servidores concursados”, disse.
A reunião está sendo analisada no plenário 13."

Pois é... não foi o Blog Perspectiva Crítica que disse isso... rsrs. Foi o Procurador da República que investiga a corrupção no Carf e concluiu que nas mãos de servidores públicos concursados o Carf estaria melhor. Por que será? Creio que a estabilidade, por exemplo, aliado à carreira que a pessoa queira seguir na instituição alimentaria o compromisso com o interesse público e a finalidade institucional do Carf muito mais do que pessoas da área privada que são nomeadas, mas que não são eu, você, ou alguém que você conheça que não tem interesses nas empresas que lá recorrem, mas são advogados e representantes de empresas que, com poder político e econômico, conseguem as nomeações e, naturalmente, com prazo para exercer o mandato e depois tendo de voltar ao setor privado, tratam-se de pessoas que dificilmente agirão com imparcialidade nos julgamentos do CARF e,ainda, propiciam fatos triste como estes de corrupção investigados e punidos na Operação Zelotes.

Não é questão de que as pessoas da área privada são corruptas, como a grande mídia fala massivamente e generalisticamente de servidores públicos concursados, mas entender a que se destina um cargo público. Entender como e porque existem as características de cargos públicos como estabilidade, inamovibilidade e vitaliciedade, cem cada caso. Entender como nos utilizarmos deste instrumento para a realização do interesse público que é o Estado, são os órgãos públicos e são os cargos públicos, para que possamos obter o máximo de eficiência da simbiose profícua entre o setor público e o setor privado.

Qualquer abordagem generalista e diferente dessa é descomprometida com a melhor eficiência do Estado e do setor privado e tem interesse na má administração pública, a prejuízo da sociedade e do País.

Corrupção Privada, Prejuízo Público: Representante da Confederação Nacional da Indústria no CARF é preso por pedir propina ao Itaú

Em mais um exemplo de prejuízo à sociedade que pode causar a corrupção na área privada, um membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) foi preso em flagrante por oferecer vantagens no Tribunal ao Itaú em troca de propina. Isso foi publicado hoje, 07/07/2016, no Globo On Line. Veja os trechos selecionados abaixo.

"Em uma ação autorizada judicialmente, a Polícia Federal (PF) prendeu, na noite de quarta-feira, em um café do Shopping Iguatemi de Brasília, o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) João Carlos de Figueiredo Neto. Ele é o representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no tribunal administrativo ligado ao Ministério da Fazenda.

Figueiredo Neto havia procurado um funcionário do Itaú para oferecer vantagens no tribunal em troca de propina de R$ 1,5 milhão. Mas o caso foi denunciado à polícia, que criou uma situação para que o conselheiro fosse preso em flagrante."


Acesse a íntegra do artigo em http://oglobo.globo.com/economia/policia-federal-prende-em-flagrante-conselheiro-do-carf-19661618#ixzz4DjtTh9Q3
É muito importante que se perceba o que está dito nesta questão. O CARF é um órgão público, mas além de servidores públicos, há membros que são indicados pela área privada que fazem parte do Tribunal. Foi um desses indicados pela área privada, representante da Confederação Nacional da Indústria, que tentou achacar o Banco Itaú.

Agora, veja bem. O Tribunal não tem culpa. Ele é vítima deste senhor preso em flagrante. A Confederação Nacional da Indústria não tem culpa de tê-lo indicado. Ela teve prejuízo de sua imagem com essa indicação, porque a pessoa de sua confiança cometeu crime. E o Banco Itaú foi igualmente vítima desse senhor. E, muito mais importante aqui em nossa exposição, os servidores públicos e o órgão público Carf nada tem a ver com o ato criminoso do Membro do Carf indicado pela CNI.

A corrupção, como sustentamos, é ato pessoal de quem corrompe e é corrompido. As publicações sobre corrupção muitas vezes têm um tom irresponsabilíssimo quando é para criar nódoas, manchas, na imagem de órgãos públicos e de servidores públicos, mas quando os criminosos são da área privada o tratamento é bem diferente, com enfoque na individualidade do ato.

Por exemplo, o Fundo de Previdência dos Correiros, o Postalis, teve prejuízo. A não ser por um ou dois artigos publicados, todos os demais deixaram claro que que a culpa era do Postalis, enfatizando sua natureza pública, mas não destacaram que quem prejudicou foi uma entidade privada que o administrava, o BNY Mellon.
Veja um trecho que selecionamos e que você mal leu em manchetes, porque não houve essa manchete... rsrsrs.

"O economista José Carlos de Oliveira, ex-presidente do banco BNY Mellon, admitiu a responsabilidade da instituição em perdas sofridas pelo fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis. O fundo cobra, na Justiça, indenização de R$ 250 milhões.

As declarações foram dadas ontem (10.dez) em depoimento reservado à CPI dos Fundos de Pensão da Câmara, que investiga supostas irregularidades nos fundos de 4 estatais brasileiras. Além do Postalis, o colegiado apura denúncias na Funcef, da Caixa; na Previ, do Banco do Brasil; e no Petros, da Petrobras.

As informações são do repórter do UOL André Shalders."


Acesse a íntegra em http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2015/12/11/ex-bny-mellon-admite-responsabilidade-em-perdas-do-fundo-dos-correios/

Então veja, a culpa é da "Administração Pública"? Não. Foi uma administração privada que prejudicou um Fundo de Previdência Público.

Isso desconstrói completamente toda a falácia de que servidores públicos e o Estado são falíveis e corruptos por natureza e de forma endêmica. Pessoas são falíveis e corruptas e muitas vezes são da área privada, criando prejuízos públicos, ao patrimônio público, estatal e à sociedade, mas isso não é publicado assim.

Sergio Naya, engenheiro, construiu um prédio com areia da praia, de forma irregular, que ruiu e matou 8 pessoas. Sua empresa e alguns funcionários foram condenados. O médico rico e super conhecido Roger Abdelmassih abusava de suas clientes e foi preso. Bernard Madoff roubou seus clientes e foi preso nos EUA, arruinando centenas de vidas. Corrupção na Fifa, com risco de condenação de Platini, Messi condenado por crime fiscal.  O que é isso? Lavagem de dinheiro pelo mundo organizada por bancos, a manipulação da taxa Libor, a privatização da saúde norteamericana nos anos 70 que legou mais de uma geração de americanos à falta de atendimento médico que somente agora está sendo consertado com o Obama Care.

Os prejuízos que a  corrupção criada pela área privada na área pública geram são incalculáveis aos países e à sociedade. Mas a culpa não é da "área privada" e a solução não é "estatizar tudo"!! A culpa são de pessoas. Não é da Fifa, mas de Platini e Blatter. E por ser de Platini e Blatter, não quer dizer que todos os trabalhadores da Fifa sejam corruptos e que a Fifa deva ter sua organização estatizada para evitar a corrupção. Assim também uma eventual corrupção na área pública não indica que a privatização solucionará nada e nem  que todos os servidores de tal órgão ou classe são corruptos.

Então, a corrupção não é pública, do setor público ou dos servidores públicos. Ela é de pessoas. Somente isso. Os jornais não cuidam do tema assim. O que nós do Perspectiva Crítica percebemos é que quando a corrupção é privada, é tratada como individualizada e sem destaque para a origem privada da corrupção. mas quando é em meio público o escárnio é irresponsável, apontando o Estado como iminentemente corrupto, órgãos públicos como demonstração de inutilidade e perda de dinheiro público e servidores como uma gangue, praticamente. É triste e é ofensivo à imagem do Estado, dos órgãos públicos e aos servidores, tanto quanto é ofensivo á verdade e à boa-fé pública.

Não esperamos que algum dia os jornais da grande mídia enalteçam servidores públicos, claro. Se nem mesmo Sérgio Moro e os Procuradores da República, Delegados Federais e agentes federais que tornaram possível a Lava Jato (já recuperaram 3,9 bilhões de reais), maior operação contra a corrupção em todo o País, são chamados de heróis, que servidor público será enaltecido por algo? Mas que ao menos a grande mídia pare de atacar a imagem do Estado, dos órgãos públicos e dos servidores públicos de forma generalizada e que passe a tratar do tema corrupção, como um crime, em que essa ou aquela pessoa comete, seja servidor público, seja da área privada; esta última a qual, é bom que se diga,  é a grande maioria da procedência dos casos de corrupção no país.

Quem sabe, mais para frente a grande mídia considere até que servidor público tem direito à correção inflacionária de seus salários anualmente, conforme determina a Constituição. Mas aí, rsrs, já reconhecemos que é demais.

Façamos o seguinte; publicando a verdade, já ficamos satisfeitos. Neste caso em epígrafe, tratando do tema do título do artigo, a verdade é que um indicado da confiança da Confederação Nacional da Indústria se aproveitou de seu cargo em um Tribunal Público (Carf) para achacar uma instituição financeira privada, o Itaú, e foi preso em flagrante pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Alguém oriundo da área privada tentou prejudicar o trabalho do órgão público e exigiu propina de uma instituição privada. É o roubo da área privada em prejuízo a todos, mais uma vez.

Sem a consciência disso, é difícil tratar o problema.


p.s. - Texto revisto.

p.s. 2 - A solução para a corrupção no CARF, segundo o Procurador da República responsável pela Operação Zelotes que apura tráfico de influência no Tribunal, é o fim de indicações para os cargos de Conselheiros e realização de concurso público para todo o staff do Tribunal. Veja em http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/505741-PROCURADOR-DEFENDE-MUDANCAS-NA-COMPOSICAO-DO-CARF-PARA-EVITAR-CORRUPCAO.html
Isso não sairá publicado em jornal da grande mídia.. rsrsrs. Tenha certeza disso.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Corrupção Global de bancos gera condenações na Inglaterra: a manipulação da taxa Libor - Comentários

Nós estamos mais acostumados a ligar intrinsecamente a palavra "corrupção" a outras três palavras: "governo", "Estado" e "servidores públicos". Esse mantra, entretanto, que não resiste à mais básica pesquisa em países desenvolvidos e democráticos, sempre foi objeto de crítica pelo Blog Perspectiva Crítica e agora ganha a companhia da comprovação do peso da corrupção na área privada na forma de condenações a ex-operadores do Banco Barclays, na Inglaterra, em virtude de atuarem em uma "conspiração global" (termos utilizados em artigo do Jornal O Globo) para manipular da taxa Libor e obrigar a todos os comerciantes do mundo a pagar mais do que deviam, o que influenciou o preço pago por todos os consumidores do mundo em seus produtos que foram de uma forma ou outra foi objeto importação ou exportação entre países.

Observe teor dos trechos selecionados do artigo  "Três ex-operadores do Barclays são culpados por manipular Libor - Conspiração global que forçou bancos a pagarem US$9 bi em multas":

"Três ex-operadores do Barclays foram considerados culpados por um júri em Londres de conspirar para manipular a taxa global de referência de ativos financeiros Libor, em um sinal de alerta a novatos profissionais de bancos e uma grande vitória para os reguladores financeiros do Reino Unido.

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O veredicto eleva para cinco o número de pessoas consideradas culpadas em Londres por fazerem parte de uma conspiração global que forçou bancos a pagarem US$ 9 bilhões em multas, gerou descrédito em taxas de referência do mercado como a Libor e abalou a confiança pública no setor bancário."


Leia a íntegra em   http://oglobo.globo.com/economia/negocios/tres-ex-operadores-do-barclays-sao-culpados-por-manipular-libor-19640863#ixzz4DTVvrDm0

É importante que a sociedade consiga enxergar que em países democráticos, em especial, há um percentual muito grande de corrupção oriunda da área privada provavelmente muito maior do que a que ocorre na área pública.

Isso é possível de se afirmar porque para que haja corrupção na área pública, em 99,9% das vezes há a necessidade de alguém que corrompa que normalmente é da área privada. Observe-se, por exemplo a Operação Lava Jato que tem 140 envolvidos. Por enquanto há 4 servidores públicos e 136 empresários e/ou políticos. E quem investiga, descobre os crimes, denuncia e pune? Servidores públicos.

A corrupção na área pública é mais visível e é bom que assim seja. Os jornais estão dispostos a publicar, todos querem essa publicação, inclusive os servidores honestos, a absoluta maioria. Mas a grande publicação de atos envolvendo estatais, governo e Estado dá a impressão que de só existe corrupção porque existe o Estado. E veja aí a prova em sentido contrário!

Uma conspiração de 30 bancos em todo o mundo gerou a manipulação da Libor e gerou o descrédito do setor bancário em todo o mundo. Mas isso foi pouquíssimo publicado. Operadores estão sendo condenados, bancos já pagaram mais de 9 bilhões de dólares em multas, mas você só lê que corrupção é de governos, servidores e do Estado. Importante esta consciência.

E é o único caso? Em hipótese nenhuma. Bancos lavam dinheiro pelo mundo, de sonegação, de tráfico, de ditaduras africanas e outras, do tráfico de pessoas. Mas não só. A Siemens, recentemente teve de responder por corrupção em licitação para reparo de trens em São Paulo. Praticamente todas as grandes construtoras do Brasil mordiam o Estado distribuindo propina para participar de obras para a Petrobrás. Concessionárias e Montadoras estão sendo investigadas por pagarem ao governo para aprovarem Medidas Provisórias que estendessem isenção de IPI aos produtos que fabricavam. E um Grupo Privado envolvido com produção artística desviou talvez R$180 milhões da Lei Rouanet.

Mas foi só isso? Claro que não. A crise financeira internacional derivou do flagrante excesso de "liberdade" dos bancos em criarem títulos subprime, a partir da leniência das autoridades financeiras norte-americanas em impedir a circulação de tais títulos. E por quê? Porque as autoridades foram boazinhas com os bancos. Bom, acredite no que quiser, mas é óbvio que o sistema e gigantismo da área privada a níveis ilimitados inibem a atuação das autoridades.

Ninguém foi ainda condenado pelas operações com os títulos subprime nos EUA, mas há investigações sobre o tema. Bancos abriram mão de seus limites de segurança, agências de rating não apontaram os riscos das operações.. houve um conluio... expresso ou tácito não importa, mas o sistema ali se corrompeu e quem sofreu as consequência foram mais os cidadão que ficaram sem casas e sem emprego.

Temos de prestar atenção à realidade que nos publicam e a que realmente existe. A falência da Enron.. as contas auditadas pela área privada eram manipuladas para enganar a sociedade, a fiscalização e os investidores. E o que são as punições aos planos de saúde e operadoras de telefonia no Brasil? Defesa da sociedade pela área pública contra abusos da área privada.

Ongs que traficam nossa fauna e flora... cooperativas e organizações sociais que substituem servidores públicos para achacar o Estado, aumentar o gasto do Estado, financiar os políticos que os contratam... tudo isso é a área privada avançando sobre o interesse do cidadão e também sobre o Estado.

O Estado não deve ser gigante, mas como fará sua parte se for mínimo? É uma pergunta que devemos fazer. A corrupção privada é gigante, e provavelmente maior, mas menos publicada, do que a corrupção na área pública. Sem alimentar o preconceito de que tudo na área privada é maravilhoso para a sociedade, você pode ler uma notícia dessas, de que 30 bancos prejudicaram o comércio internacional manipulando a taxa Libor, conferir a condenação de parte dos envolvidos e constatar que a corrupção é de pessoas, de seres humanos, sejam da área privada ou da pública, e que o ideal é que haja Estado o suficiente para que a fiscalização da corrupção - seja ela suficiente para caracterizar crime, seja ela abuso de direito - exista e que seja investigada, descoberta e punida.

Somente a visão sem preconceito sobre o Estado pode nos levar a avançar para um mundo mais honesto e de qualidade de vida com menos roubo, furto e corrupção em todos os países.

Dê um basta à corrupção, Privada ou Pública!

p.s. de 05/07/2016 - Texto revisado.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mais um aniversário do Blog Perspectiva Crítica: 6 anos de notícias verdadeiras!!

Com felicidade vimos compartilhar com os seguidores e leitores o 6º ano de aniversário do Blog Perspectiva Crítica!!

É um caminho sem volta. São mais de 221.000 acessos desde o início das publicações em 21/06/2010. Os acessos mensais que estrearam no montante de 900 no mês de julho de 2010, em grande parte advindos da Alemanha, hoje estão na média de 4.500 a 5 mil acessos mensais provenientes de mais de 40 países. Hoje, ao meio dia, por exemplo, os acessos provinham em sua maioria da França, consideradas as últimas 24 horas até meio dia de hoje, 23/06/2016.

São mais de 850 artigos à disposição do público, todos inovando na pauta de discussão social e/ou criticando artigos de jornais e revistas desinformativas, apontando os erros que cremos encontrar em tais publicações da grande mídia e apontando nossas fontes que nos autorizam a afirmar em tal sentido.

Para ilustrar origens de acessos e artigos mais acessados, separamos os gráficos do Google Analytics para os períodos "Dia" (ultimas 24 horas contadas de meio dia do dia 23/06/2016), "Semana" (últimos sete dias desde meios dia do dia 23/06/2016), "Mês" (últimos 30 dias desde meio dia de 23/06/2016) e "Tudo" (todo o período de acessos, desde 21/06/2010 até o meio dia do dia 23/06/2016).

Observe:

Origens de Acessos por

Dia


Semana


  Mês


Tudo



E agora, fornecemos os dados analíticos de acessos por postagem em tais períodos, para que se possa observar a variedade de perfil de acesso a artigos por tais períodos já determinados, quais sejam, por dia, por semana, por mês e em todo o período de vida do Blog. Vejamos:

Dia


Semana



Mês

Tudo



Nesses dados, pelo que pudemos observar, somente há uma correção a fazer: na lista de artigos mais acessados em todo o período de vida do Blog, ou seja, este último acima, não consta o artigo "OCDE comprova: países de maior IDH têm até três vezes mais servidores do que o Brasil", que já possui mais acesso do que o artigo "CGU cassa 53 aposentadorias (...)". Mas nada é perfeito, não é mesmo? Rsrs. Já reclamamos do erro para a administração do Google.

O Blog Perspectiva Crítica se recusa a publicar a mesmice. Se o artigo publicado pela grande mídia é normal, não comentamos ou criticamos. Só são comentados artigos ótimos ou ruins e péssimos, explicando nossos motivos para entender em tal ou qual sentido. Nós temos a missão de fazer diferença na comunicação social brasileira.

E todas essas informações e todos esses acessos só nos encorajam a continuar esta vereda. Construímos juntos esse canal de comunicação que sem você não existiria.

Obrigado pela sua confiança e obrigado pelas críticas, comentários e elogios.

Acessem ainda nosso canal do Youtube e nossa Fan Page. Repliquem os artigos que entendam dignos de seu compartilhamento e valorosos para serem noticiados e sabidos por seus familiares e amigos. A notícia que beneficia e enriquece o cidadão somente chegará a ele por nossas pequenas, mas numerosas, mãos.

Nossa omissão cria um mundo que privilegia a perspectiva de bancos e grandes empresas e menospreza nossa qualidade de vida.. a qualidade de vida que nossos filhos, sobrinhos, primos e netos viverão. Não se omita!

Criemos um mundo melhor para as pessoas. Critiquemos a realidade dos fatos políticos, sociais e econômicos sob a perspectiva do cidadão. Usemos o Estado para o bem das pessoas, assim como os bancos e empresas sempre o usaram para seu próprio, e muitas vezes exclusivo, bem. Apoderemo-nos do orçamento público, como políticos vagabundos e grandes empresários e banqueiros sempre o fizeram, destinando recursos para o que nós entendermos que melhora nossa vida e de nossos filhos.

Empresários e bancos não fizeram mal. Fizeram legitimamente e legalmente o que lhes cabia como parcela de suas liberdades em atuar em seus favores e benefícios. Mas eles não votam. E melhor ainda, agora não podem mais financiar campanhas de políticos, segundo recente decisão do STF já aplicável ao pleito municipal deste ano de 2016. O voto é só das pessoas como você.

Cabe a nós nos organizarmos, debatermos e encontrarmos a forma para que, ajustando a máquina pública e descobrindo quais servidores dão mais retorno social por remuneração paga, possamos garantir os investimentos precisos em áreas públicas, assim como a exclusão do Estado onde realmente não seja necessário, para obtermos a maior eficiência da atuação do Estado a favor do mercado, a favor da produção, mas principalmente a favor do cidadão e sua família.

Qual o retorno social do policial? E do professor? E do médico? E do auditor? E do Juiz? E do Promotor? Não há esses dados. Mas nós tentamos produzir esses dados para que você possa ver que esse ou aquele servidor, nesta ou naquela quantidade gera retorno social por salário pago!!! E com esses dados poderemos concluir realmente qual o tamanho que o Estado deve ter ao invés de ficar repetindo mantra liberal de Estado Mínimo ou mantra socialista de Estado Máximo.

Sejamos inteligentes. Pensemos. Critiquemos. É isso que fazemos: nós do Blog Perspectiva Crítica e você. E quanto maior for esse nosso grupo, mais rápido o Brasil poderá chegar ao nível sócio-econômico da Suécia, Alemanha, França e Inglaterra.

Não faça isso por você. Faça isso por seus queridos amigos, por seus familiares e pelos seus concidadãos brasileiros, todos eles os únicos que realmente se preocupam com você nesse mundo em que vivemos. Um Brasil forte é bom para todos nós e até para o mundo.

Grande abraço

Blog Perspectiva Crítica

p.s. de 24/06 - texto revisto e ampliado.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Comentário ao artigo "Desanuviou", de George Vidor

Como sempre, é possível encontrar o equilíbrio e a verdade econômica nas palavras de George Vidor, um dos únicos jornalistas econômicos que acompanhamos e de quem nunca pudemos discordar em suas avaliações, críticas e apontamentos sobre economia.

Em seu mais novo artigo, intitulado "Desanuviou" ele comenta, como nós já comentamos, sobre o fato de que o horizonte econômico está se abrindo para ao Brasil. Ou seja, não há caos econômico à frente.

Observe o trecho selecionado:

"A política continua complicada, mas ao menos na economia o clima já melhorou.

Os problemas continuam os mesmos, mas a mudança da equipe econômica promovida pelo presidente em exercício Michel Temer parece que desanuviou o país. Ao menos no que que se refere à economia. A política permanece complicada, com revelações quase diárias na operação Lava Jato. No entanto, todo esse tumulto não tem impedido o Congresso de aprovar medidas necessárias para que as finanças públicas comecem a entrar nos eixos, entre elas a que desvincula parte das receitas da União dos percentuais de gastos obrigatórios.

(...)

A mudança de ambiente sem dúvida ajudará a economia a respirar um pouco no segundo semestre. A diferença em relação ao ano passado é que nessa fase de 2015 a velocidade com que o país estava descendo a ladeira acelerava. Alguns indicadores já começam agora a ser positivos, embora outros ainda estejam deteriorando, o que deixa os analistas financeiros confusos sobre se já batemos no fundo do poço ou não. Ainda que tímida, a sensação de recuperação da economia será maior dependendo da trajetória da inflação no segundo semestre. Se der uma trégua, o Banco Central terá condições de reduzir as taxas básicas de juros (simbolicamente, apenas como um sinal de que a “fera” está de fato controlada).  É o sinal que os bancos esperam para destravar o crédito. Com os juros no nível em que estão, não há quem deseje tomar empréstimos, e nem banco que queira emprestar, com receio de calote."  
Veja a íntegra em http://blogs.oglobo.globo.com/george-vidor/post/desanuviou.html

Naturalmente ele deu mais ênfase ao reflexo de confiança a partir das decisões políticas de nomeação de expoentes conhecidos do mercado a cargos-chave na estrutura governamental referente ao setor econômico (o que foi importante mesmo e fundamental), mas comenta que o horizonte do segundo semestre é no sentido oposto do que ocorreu no segundo semestre de 2015, ou seja, de melhora, de recuperação e não de piora e imersão em mais caos.

Não houve abordagem d a incongruência informativa em torno do fato de que ao enfatizar o caos nos últimos dois meses, não se atentava para o crescimento do IED (investimento direto estrangeiro de US$80 bilhões nos últimos dois meses, contra média de 60 bilhões de dólares nos últimos cinco anos), nem recordes de exportação (ultrapassando um bilhão de toneladas/ano), nem para o fato de que desemprego com juros altíssimo gerariam decréscimo evidente da inflação, bem como decréscimo do dólar.. o mercado chegou a dizer que comparar dólar a R$4,00 era pechincha e houve os que dissessem que o dólar chegaria a R$7,00!!!

Pois é.. nada disse parece mais estar no horizonte do mercado para o Brasil.. nem a queda do PIB em 4,8% e inflação a 7,5%.. mas os erros do governo anterior, que não desfez as medidas anticíclicas desde ao mesmo segundo semestre de 2013 (medida que seria a correta), aliada ao azar econômico internacional para o Brasil de desde 2013 o minério de ferro e o petróleo atingirem as mais baixas cotações históricas (minério - de US$138,00 a tonelada para US$38,00 a tonelada / petróleo - de US$ 120,00 o barril brent para US$ 28,00 o barril brent), aliada ainda à estagnação do crescimento dos EUA e Europa e à queda do crescimento econômico da China, deixaram um resultado bem negativo: em dois anos houve aumento da relação dívida/pib de 54% para 68%, desemprego de quase 10%, déficit fiscal de 8% e juros de 14,5%, com perda de PIB de 3,3% em 2015 e provavelmente 1,5% este ano de 2016.

Não se observa, no entanto, que o prejuízo dos Europeus e americanos com a crise internacional de 2008 foi muito mais intensa e pior do que esses números e por período muito maior.

Então, ficamos satisfeitos que mais essa notícia, vinda de um jornalista econômico de respeito e bem avaliado por este Blog, venha no sentido de indicar para os brasileiros com certa antecedência de que não há caos econômico. Há fatos econômicos desfavoráveis que, em meio à situação atual, vêm apresentando condicionalidades e fatos que favorecem a economia brasileira para que ela se recupere e continue a se recuperar durante esse ano e os próximos.

Em breve falaremos do mercado imobiliário que continua fraco, em movimento de continuidade de esvaziamento da bolha imobiliária que tanto apontamos por anos antes de ela ser reconhecida e atingir a manchete do Jornal O Globo, bem como para entender e explorar os limites dessa tendência de baixa de valores de imóveis e seus aluguéis, que já dura mais de dois anos, com ênfase a partir do segundo semestre de 2015.

Agora é ver onde se encontra o fundo do poço. Para nós, será o fim do ano de 2016, com estabilidade de preços por mais uns 12 meses a dois anos, período em que dívidas de longo prazo das famílias diminuirão e em que, aguarda-se, o crescimento econômico mundial será retomado.

Por enquanto é só. Parabéns ao George Vidor. É bom contar com outros cidadãos brasileiros que se preocupam em noticiar fatos e a verdade e não os distorcer a serviço de sabe-se lá quem ou de uma visão de mundo que, a nós, é evidentemente artificiosa. 


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Mentira de teoria de caos econômico em 2016 já começa a ser revelada

Como o Blog Perspectiva Crítica já falara desde o início do ano e  antes, o segundo semestre de 2016 e, em especial, o fim do ano não iria repetir os péssimos números do final de 2015.

À medida em que a realidade bate às portas, a previsão do caos começa a se adaptar para as "surpresas dos analistas com a recuperação da economia".. rsrsrsr.

Esse é o teor da publicação de hoje, 10/06/2016, do artigo do Jornal O Globo On Line intitulado

"Analistas começam a prever reação mais rápida da economia

Confiança maior, estoque baixo na indústria e setor externo explicam revisões "


Veja o trecho que selecionamos:

"Os bancos começam a ver uma recuperação mais rápida da economia brasileira, com recessão em 2016 menor que aquela até então estimada. Ontem, Itaú Unibanco e BNP Paribas divulgaram previsões melhores para o Produto Interno Bruto (PIB). A do Itaú Unibanco passou de queda de 4% para recuo de 3,5%, enquanto o BNP Paribas mudou de perda de 4% para 3%. Na semana passada, o Bradesco já tinha alterado a estimativa de recessão de 3,5% para 3%."

Acesse a íntegra em em http://oglobo.globo.com/economia/analistas-comecam-prever-reacao-mais-rapida-da-economia-19477823#ixzz4BC38OQtL

Que interessante, não é? Há uma semana a publicação era do caos, com queda do PIB em 4,8%!!! Agora, uma semana depois é a previsão de melhora desta previsão em quase 40%, ou seja, para 3% de queda do PIB do Brasil em 2016. É uma palhaçada.

Nós alertamos isso em nosso artigo intitulado "A exploração da teoria do caos econômico, o quanto antes. A destruição do Estado. O maior roubo do orçamento da história do país.", acessível em http://www.perspectivacritica.com.br/2016/06/a-exploracao-da-teoria-do-caos.html, bem como em vários outros artigos econômicos anteriores.

A previsão do início do ano também era de inflação em torno de 7,8% e previsões até superiores, mas já admitem 6,8%. Nós já dissemos que aparentemente a inflação ficaria entre 7% e 6,5%, provavelmente em 6,5%, porque com juros em 14,5% ao ano e desemprego em quase 10%, realmente grandes inflações ficam difíceis de se vislumbrar em um mundo normal.

E o dólar tem que arrefecer mesmo, o que arrefece a inflação mais uma vez, porque, apesar de pouco publicado pela mídia, o investimento direto estrangeiro (IED) bate recorde e em 12 meses está além de 80 bilhões de dólares, sendo que a média dos últimos 5 anos tem sido 60 bilhões de dólares anuais para o Brasil, mantendo-nos entre os cinco a nove países de maior destino desses investimentos saudáveis na economia em todo o mundo, o qual tem pouco mais de 200 países e 33 países mais industrializados e ricos, integrantes da OCDE.

E por que investem assim, desde os últimos dados de novembro de 2015 que flagraram investimentos de 72 bilhões de dólares em IED, mesmo durante o governo Dilma? Porque o Brasil tem bons fundamentos (de longo prazo). Porque nosso mercado consumidor é gigante. Porque há trabalhadores de bom nível e a preços baixos (baixos salários). Porque, apesar do problema orçamentário e econômico, temos reservas de 380 bilhões de dólares. E porque o dólar estava e está caro e isso aumenta o poder de compra e de retorno por dólar investido no Brasil, além, claro, das taxas de juros sem igual em lugar nenhum no mundo.

A exportação brasileira baterá recordes. Esse ano não teve problema de energia elétrica porque choveu e chove. Então, tudo o que botaram na conta do governo, se desfaz naturalmente com o desenrolar da vida do mercado. Nós já havíamos dito isso nos artigos econômicos anteriores. Mas por que a grande mídia não o fez e não o faz?

Primeiramente, há um interesse político-mercadológico em desconstituir um governo de esquerda, mas que realmente cometeu gafes econômicas e até republicanas e federativas. Até agora não acredito no Decreto 8.243/2014, praticamente bolchevique. Triste. Foi quando o Blog Perspectiva Crítica se viu obrigado a romper com apoios maiores e adotar postura mais crítica, porque não há avanço econômico e social que justifique retrocesso na democracia. E em seguida houve a lama de desvios de verbas públicas, Operação Lava Jato e toda a lama que pega PT, PMDB, PP, PSDB... Enfim.

Mas muito pegou o PT. Então o governo e o PT deram margem para serem atacados. Isso era bom para o mercado e a oposição e a grande mídia, que estão juntos em defesa de mesmos valores liberais de mercado, Estado Mínimo, contra servidores públicos, contra estabilidade de servidores públicos, a favor da regulamentação da terceirização, a favor do fim do emprego e direitos trabalhistas e previdenciários. Não à toa, houve publicação recente do Edmar Bacha nesta linha, inclusive falando de diminuição de gastos (reajustes inflacionários de servidores) e da estabilidade do servidor. Esse o grande interesse: desconstrução do Estado de forma a termos Estado Mínimo que não existe na Suécia, na França, Alemanha e nem nos EUA.

Então, a grande mídia viu a oportunidade de ouro: explorar o fim do mundo, o caos econômico, não dimensionar  a queda do petróleo e minério de ferro no mercado internacional e o impacto para as contas dos Estados e da União. Não dimensionar o retorno do capital estrangeiro para os EUA e Europa depois do fim dos piores momentos da crise financeira internacional. Não publicar a manipulação do preço do petróleo internacional pela Arábia Saudita como forma de diminuir a concorrência pelo petróleo de xisto americana, afetando o nosso pré-sal e as contas da Petrobrás em cheio. Não. Nada disso foi falado. E houve publicação sobre o fato de que parte do problema da alta da energia elétrica se deu por causa da maior seca que acometeu o Brasil nos últimos 89 anos? Também não.

A culpa tinha que ser toda do governo. E assim foi publicado. A Dilma, infelizmente, foi açodada e nomeou o Lula ilicitamente (obstrução da justiça denunciada pelo Blog Perspectiva Crítica antes de o PGR formar convicção neste sentido) e ainda pegou avião da Presidência para ver o Lula (improbidade administrativa), quando ele foi conduzido coercitivamente meramente para testemunhar em inquérito criminal, ainda como testemunha. E, enfim, a situação e ambiente criado pelas burrices do governo e pela roubalheira de grandes figuras do PT criaram o clima para a aprovação do pedido de impeachment, por um presidente da Câmara acuado por inquérito tramitante no STF. Ele também quis pressionar a presidente a salvá-lo.

Agora vejam, tudo isso criou excelente oportunidade para retirar um governo de esquerda e não importa como os fatos se deram, o que até aqui, institucionalmente é completamente legítimo (impeachment legítimo, segundo o STF e nossa análise), o fato para o nosso artigo é que a grande mídia mentiu sobre a economia e agora está mostrando para você um link para dizer que a economia no fim do ano não será tão ruim como prevista no início do ano. Como sempre faz, inclusive, porque todo período de dezembro a março é de pressão inflacionária por causa das festas de fim de ano, ano novo e carnaval, além de aumento de custos escolares e de muitos contratos na sociedade.

Esses argumentos que antes eram só de cunho econômico, sempre para legitimar a manutenção dos extorsivos juros básicos da economia brasileira, em grande parte responsáveis pela queda da economia (o que também não é publicado), agora, entre 2015 e 2016 tomam ares de grande importância e interesse político na retirada de um governo de esquerda, não sem muita razão e mediante procedimento constitucional legítimo. Então, a grande mídia não pode falar a verdade para você.

Mas nós temos interesse somente na verdade passível de ser alcançada com os dados reais da economia e por isso publicamos como publicamos. O que dissemos em janeiro de 2016 é igual ao que é dito agora, ou, se não é idêntico porque alguns dados de mercado alteram no tempo, é na mesma linha: inexistência de caos econômico.

Essa nossa linha informativa, como sempre dissemos, cria menos surpresas ao leitor e vende menos jornal, se fosse adotada pela grande mídia. Então aí temos outro motivo para a grande mídia explorar sobes e desces constantes e tão impressionantes como uma montanha russa: o interesse comercial. Uma pena. O compromisso com a boa informação deve perder espaço para a exploração comercial da produção e venda de notícia. Lamentável.

Mas nós estamos aqui para mostrar a você porque e como isso ocorre. E fazemos isso. Nosso maior objetivo é que você se conscientize deste método de produzir informação da grande mídia, torne-se mais crítico e, quiçá, num mundo futuro, a grande mídia veja que não engana mais ninguém, que suas publicações enviesadas são lidas e desveladas pelo leitor e que sua credibilidade acabará abalada caso não passe a publicar de forma mais comprometida com a realidade mais fria dos fatos.

Será um sonho? Pode ser. Mas continuaremos nessa missão. E em seu curso realizamos nossa mais grata e valorosa missão cívica: informar o cidadão com o que há de melhor, garantindo um porto seguro, ou pelo menos muito mais seguro do que proporciona a grande mídia, para o conhecimento, debate e dissecação dos fatos políticos, econômicos e sociais do Brasil e do mundo, sob uma perspectiva do cidadão e não só de empresas e bancos; uma Perspectiva Crítica.

É sempre um grande prazer quando podemos mostrar para você a prova de que informamos com mais qualidade e menos sobressaltos e que a grande maioria de nossas previsões se confirmam ao longo do ano e dos anos, enquanto a grande mídia publica "surpresas e sobressaltos", de três em três meses, e, às vezes, mensalmente, quando não diariamente.

Grande abraço.

p.s. de 15/06/2016 - Texto revisado e com alteração de redação em alguns trechos para garantir maior clareza do texto.

p.s. 2 - Observe que publicar determinadas coisas sob determinada perspectiva e não publicar outras é uma opção da grande mídia que é legítimo para ela exercer a atividade dela segundo o que ela entende melhor para ela, mas não é o melhor para você e para sua ciência sobre a realidade que te cerca. Neste sentido, publicamos, por exemplo, sobre a falta de abordagem e embate da mídia acerca do nível de juros da dívida pública que pagamos e como isso prejudica valores que poderiam ir para a saúde, educação e outros serviços públicos que restam, assim, negados ao cidadão. Acesse: http://www.perspectivacritica.com.br/2014/03/a-prova-do-roubo-de-qualidade-de-vida.html

p.s. 3 - Há uma depressão econômica? Há. Isso é agudo? É. É um problema? Sim, com certeza. Mas nos insurgimos contra a falta de informação sobre as reais causas desse problema, já abordado por nós em artigos econômicos anteriores, em especial na última "Análise Econômica Interna e Externa". Sem entender que este momento é reflexo de uma situação maior econômica mundial também, somos manipulados pela grande mídia a achar que o problema é meramente político ou de governo e isso não ajuda a defender as melhores soluções para nossa crise. Não há caos. as causas são conhecidas e devem ser dimensionadas e ainda não afetaram irreversivelmente a estrutura econômica brasileira. Aliás, os problemas externos se dissipam (petróleo, minério de ferro aumentam e a economia europeia e americana não estão tão ruins) e, assim, a luz no fim do túnel fica cada vez mais clara, o que justifica o aumento alto de IED aplicado no Brasil entre 2015 e 2016. Eles, os estrangeiros, sempre à frente... para nossa mídia publicar que "tudo mudou", de repente, quando você não puder mais se posicionar para melhorar aproveitar a mudança de maré. É contra isso que nos insurgimos.