quarta-feira, 30 de julho de 2014

Israel, a Comunidade Internacional e o Brasil:comprovado o desrespeito ao Brasil por Israel

Senhores e senhoras, o tema de política interna e internacional é abordado neste Blog sempre que há influência sobre atos e fatos econômicos, políticos e sociais que repercutam na qualidade de vida do brasileiro.  Portanto, como já pudemos falar por outras vezes, não é objeto precípuo de artigos deste Blog questões meramente políticas sem impacto direto e real na vida do brasileiro.

Entretanto, a resposta desprestigiosa que o representante de Israel deu ao Brasil sobre sua posição de chamar o Embaixador para consulta, o que é uma atitude grave na diplomacia internacional, sobre os atos de guerra israelenses contra os palestinos da Faixa de Gaza geraram interesse em amigos e leitores sobre a posição do Blog no caso, em especial de Bruno Lima e Fabiano Rocha. Então, aqui vai nossa análise da situação.

O Brasil perdeu uma oportunidade de ficar quieto? Ele agiu corretamente? Ele se excedeu? E o representante israelense? Deu boa resposta? Foi correto ou se excedeu?

Bem, o artigo publicado hoje no Jornal O Globo intitulado "ONU acusa Israel de atacar outra escola e matar 15 civis", acessível pelo endereço http://oglobo.globo.com/mundo/onu-acusa-israel-de-atacar-outra-escola-em-gaza-matar-15-civis-13427604, dá notícia de que a ONU denuncia abuso, excesso e violação do Direito Internacional por Israel e que o Chile e o Peru  também chamaram seus Embaixadores apra consulta. Observe, a posição do Brasil, portanto, foi acompanhada pela ONU e pelo Chile e Peru.

O Chile, inclusive, é membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU e veja o que falou sobre sua postura no caso, em trecho que destacamos do artigo mencionado acima:

"O Chile observa com grande preocupação e desalento que as operações militares não respeitem as normas fundamentais do Direito Internacional Humanitário, como mostram as mais de mil vítimas civis, incluindo mulheres e crianças, como também o ataque a escolhas e hospitais", disse a chancelaria chilena em um comunicado."

Observem, a postura do Brasil foi correta a nosso ver. O Brasil não tem que ficar quieto. O Brasil é um país importante no contexto mundial. Nós não damos essa importência, porque dizem que somos irrelevantes a nós mesmos, cotidianamente, inclusive em nossos próprios jornais, mas somos a sétima potência econômica, a terceira maior democracia mundial, com estabilidade política, potência militar média e, mais do que isso, temos 130 anos de histórico de paz com nossos vizinhos, sempre primamos, independente das partes envolvidas em conflito, pelo princípio da soberania e direito de autodeterminação dos povos, defesa dos direitos humanos e da ecologia (com talvez a melhor preservação de patrimônio ambiental no mundo).

Nossa posição em questões internacionais é sempre vista atentamente pela comunidade internacional porque nossas atitudes, nossos posicionamentos e nossas ações nunca são volúveis e fruto do interesse do momento. Não são posições somente políticas, mas com forte embasamento em princípios e ideologias de direito internacional. Até hoje, por tradição, as aberturas de trabalhos anuais na ONU são efetuadas por representação e declaração da Chancelaria brasileira, porque na primeira sessão histórica da Liga das Nações, precursora da atual ONU, o único que tinha a declaração pronta para ser apresentada era Rui Barbosa, nosso representante e assim o fez e assim continuamos fazendo.

O Brasil ainda está protagonizando a alteração da geopolítica mundial, pois durante o Governo de Lula e sob sua influência e trabalho hercúleo do Itamaraty foi institucionalizado o G-20 que apagou do mapa o G-7. Além disso, nesses últimos 20 anos, o Brasil cresceu sua autonomia de inserção internacional com a criação do Mercosul e sua história de real e efetivo sucesso (para quem procura esse tipo de informação.. rsrsrs), além de criação do BRICS, criação de um cinturão de riqueza Sul-Sul, em concorrência ao cinturão de riqueza completamente fechado a novos sócios do norte integrado por EUA-Europa- Japão. O Brasil também é protagonista na criação do Banco do Brics, que será sim um concorrente, por mais que politicamente se diga que será um complemento, ao FMI e ao Banco Mundial.

O Brasil, para quem não sabe, também é um dos únicos cinco países a possuir tecnologia para construção de submarinos, adquiriu tecnologia para construir submarino nuclear (a tecnologia do motor nuclear, o mais novo e eficiente no mundo, já foi criada por nós mesmos, através de pesquisa e projeto 100% da Marinha do Brasil). Também adquirimos tecnologia para a construção de drones, de um caça supersônico (Gripen NG) e de uma avançada bateria de mísseis russos. E fizemos missões de paz pela ONU exitosas, como o caso de Timor Leste e do Haiti. Israel, nunca fez isso. Temos tecnologia para construção de mísseis e não construímos mísseis com alcance superior a 300 Km e a bomba atômica única e exclusivamente porque não queremos. Todos sabem disso (se for necessário, em poucos meses terminamos essas tecnologias).

O Brasil pode se posicionar, sim, em relação a qualquer fato internacional, como membro das Nações Unidas e como país autônomo e soberano que é. Foi correto em apontar o desrespeito a normas de direito internacional. Sua posição foi a favor da vida e da paz e do respeito aos procedimentos políticos e diplomáticos que devem ser esgotados antes de atos de ataque unilateral e sem apoio da ONU a outros países. E o representante de Israel foi inábil e pouco diplomático ao dizer que o Brasil é um "anão diplomático" e que desproporcional seria uma "derrota por 7 x 1". Isso não é resposta de diplomata.. isso é resposta de um cidadão sem insígnia diplomática.

Não é que não se entenda que, diante da constatação de que há centenas de túneis construídos da Faixa de Gaza em direção ao território de Israel, há risco real para a paz e segurança de cicdadãos israelenses. Não é que não se saiba que deve haver resposta para centenas de morteiros lançados pelo Hamas a seu território. Pode haver resposta sim. Mas o que não pode é um país, integrante da ONU, praticar atos unilaterais de guerra contra outro integrante da ONU, sem alguns passos anteriores. E mesmo assim, não pode haver atos que retirem vidas de civis inocentes. Foi isso que criou a violação internacional de Israel e foi isso que o Brasil criticou, seguido depois por ONU, Chile e Peru, e tantos outros.

Portanto, o Brasil agiu corretamente. O Brasil, que cada vez mais se insere autonomamente no cenário internacional, seja economicamente, seja politicamente e seja militarmente (humildemente aqui.. rsrsrs e dentro de nossos limites e interesses de defesa e apoio à paz), tem o direito e até o dever de se posicionar em questões internacionais sempre que quiser e puder.

Israel é que, na figura de seu representante, foi tristemente inábil e desrespeitoso com a chancelaria do Brasil e está sendo inábil na condução da defesa de seus cidadãos e de seu território.

Essa é nossa opinião.

p.s.: texto corrigido e ampliado.

p.s.2: Em tempo, o Jornal do Commercio publicou em 30/07/2014, em sua versão on line, que 80 organizações civis pedem boicote militar e comercial a Israel. Acesse: http://www.jcom.com.br/noticia/149539/Mais_de_80_organizacoes_pedem_que_Brasil_rompa_relacoes_com_Israel

Críticas e palmas na avaliação de cinco colunistas do Globo: Merval, Miriam, George Vidor, Flávia de Oliveira e Antônio Gois

Muito importante este acompanhamento dessas colunas e colunistas, pois são muito influentes no País. Importante colocarmos, como já o fizemos antes, nossa opinião sobre a atuação desses grandes jornalistas, para que o leitor do Perspectiva Crítica possa ter uma opinião sobre a atuação desses jornalistas. E também é bom para os próprios jornalistas, porque, na verdade, apesar de eles criticarem o governo e dizerem que com isso o governo tem a oportunidade de se repensar, o que é verdade, não há quem possa fazer esse serviço pelos nobres jornalistas.

Assim, o Blog Perspectiva Crítica, mais uma vez, se apresenta preenchendo uma lacuna na sociedade de informação brasileira. Assim como Ali Kamel lançou um livro sobre o exercício da presidência por Lula, intitulado "Dicionário Lula, um presidente exposto por suas próprias palavras", muito interessante e com profissionalismo, trazendo uma forma de se pesquisar o idealismo, a teleologia política do governo, através da análise de declarações presidenciais, o que segundo Kamel, já era um tipo de literatura comum nos EUA, acho interessante podermos fazer o mesmo com nossos jornalistas e tentar desvendar suas crenças e para o quê e com que pano de fundo escrevem nossos jornalistas, para podermos entender de que forma vamos encarar suas letras quando nos escrevem sobre a realidade brasileira.

Não vou fazer análise profunda, pois teria de escrever um livro para cada jornalista, o que parece interessante, a título de proposta futura de trabalho (rsrsrs), e nem caberia isso em um artigo do Blog, pois artigos do Blog devem ser objetivos e de fácil leitura. Ao invés disso, vou fazer um comentário sobre cada jornalista, principalmente em face de publicações recentes e tecer uma consideração sobre eles que de certa forma complementam o nosso artigo já escrito com este teor intitulado "Ranking de jornalistas x credibilidade de seus artigos", acessível em http://www.perspectivacritica.com.br/2010/11/ranking-de-jornalistas-x-credibilidade.html.

George Vidor - Recentemente houve a primeira oportunidade em que o Blog Perspectiva Crítica pôde discordar de George Vidor. Depois de quatro anos em que em nenhuma publicação de George Vidor pudemos criticar ou apontar erro de avaliação, em 21/07/2014, à pg. 16 do Jornal o Globo, ele conclui equivocadamente seu brilhante artigo, com o qual concordamos integralmente exceto a conclusão, dizendo que "Resumo da ópera: o Copom não pode ser criticado por ter decidido manter as taxas básicas de juros em 11% ao ano." Bem está certo que estamos num dilema. A inflação está resistente e o crescimento está caindo. E a estrutura produtiva do Brasil tem um histórico de se fundamentar em bases, como a barata e pouco educada mão-de-obra, que agora rareia e se torna mais educada e cara, mas o Copom tem culpa sim de baixar o crescimento econômico por manutenção de uma taxa de juros alta e incompatível com a estrutura econômica brasileira atual. O correto seria, ao nosso ver, o combate à inflação ser efetuado com aperto no depósito compulsório, o que ataca a disponibilidade de valores ao consumidor sem criar aumento de dívida pública e gastos com juros, e assim o juros básico poderia ser mais baixo e equilibrado, não punindo o investimento. Depósito compulsório mais alto inibe consumo, mas não inibe o investimento tanto quanto aumento de juros. Então o Copom errou e erra ao ter chegado a 11% e ao manter esse juros altos. Mas esta foi a primeira vez que pudemos criticar o Vidor. Essa conclusão equivocada, a nosso ver, não destitui toda sua caminhada e apresentação como analista sério de economia a bem da informação e da economia e não a bem de um projeto de Estado ou projeto de poder, ou projeto de atuação política da mídia. George Vidor é um excelente jornalista que pode ser lido sem medo. Sua atuação é em prol da boa informação. Então, sua atuação é em prol do País e aumenta a credibilidade do veículo de mídia que o contrata. Esta nossa análise. O leitor ganha. A empresa jornalista que o emprega ganha. A sociedade e o País ganha.

Flávia de Oliveira - Nós queremos aplaudir essa recente colunista do Globo. Sua atuação é neutra, como a de Vidor. E mais, ela foi uma das poucas jornalistas de economia da grande mídia que publicou contra o pessimismo econômico, dizendo o que é deveras certo: alimentar o pessimismo é uma forma de concretizar suas profecias pessimistas. Essa mulher é uma patriota. Nós podemos notar isso de suas palavras e de sua atenção à pauta de temas e à forma de abordagem dos temas. Ela também foi uma das pouquíssimas jornalistas da grande mídia a criticar as críticas estrangeiras e nacionais contra a capacidade brasileira de realização da Copa e apontou pontos positivos da realização da Copa e de nossos preparativos, em relação a outros eventos realizados em outros países. Sua atuação é digna de palmas e essa mulher engrandece a comunicação social da empresa em que trabalha, além de engrandecer os conhecimentos do leitor sobre a realidade que o cerca e contribuir para uma discussão séria sobre fatos e necessidades econômicas do País e de nossa sociedade. Fantástica.

Antônio Gois - Está aqui porque tem tocado recentemente em um assunto importantíssimo: a educação. Mas apesar disso, não se apresenta como um grande propositor de soluções. Analisa e disse, por exemplo, com muita propriedade, que não adianta instituir bônus para o professor por resultados na educação, como propõe Aécio, pois isso gerou problemas em países ricos que o instituíram, já que incentivou os professores não a educar, mas a preparar alunos para os testes que subsidiariam a política de bonificação. Ficamos impressionados com esse artigo publicado no mês de julho entre 15 e 28 de julho de 2014, pois era uma crítica a uma proposta inovadora do principal concorrente de Dilma. Mostra que esse jornalista veio para colaborar com uma crítica sincera e não para fazer coro a uma opção da edição de um jornal da grande mídia. Isso significa que quando criticar o governo eu poderei encarar sua crítica como algo sério. Ficamos felizes de compartilhar isso com você, leitor.  Infelizmente ele cai no erro de todos os que falam sobre educação na grande mídia: não fala que para um sistema educacional de nível, somente a definação de plano de carreira e salários altos é a solução definitiva. Isso é um minus, mas que não podemos dizer que seja culpa dele. Ele parece ser da linha de "melhor gestão para a educação", o que é interessante, mas, senhores e senhoras, é possível ter melhora definitiva com base somente em "melhor gestão"? Vamos a um exemplo: O Jornal O Globo, a Embraer e o Banco Itaú seriam o que são se tivessem boa gestão mas pagassem a seus funcionários metade do que pagam hoje? Claro que não. O que nunca é dito é que dentro do conceito de "melhor gestão" está "gestão de recursos humanos" e dentro deste item está "plano de carreira" e "política de remuneração". Nisso o jornalista Moreno uma vez foi claro: há que se pagar mais a professores. Professor europeu ganha bem e tem dignidade e reconhecimento social de seus status. Ele não é pedinte mal remunerado como professor brasileiro. Não é porque mesmo com baixos salários temos alguns excelentes professores que temos de achar que podemos deixá-los ganhando mal. E não é porque há casos de sucesso de diretores e professores de escolas públicas de interior, pessoas abnegadas e fantásticas, que vamos deixar que continuem ganhando mal!!!! Isso é uma covardia! O salário de professor deveria ser dos mais altos na sociedade, eis que não existiria Juiz sem professor, nem médico, nem engenheiro, nem advogado, nem sociólogo ou torneiro mecânico!!! Então, Antônio Gois parece não inovar nessa seara tanto quanto poderia, mas suas críticas foram interessantes e inovadoras sim. Parabéns a ele. Estaremos acompanhando mais de perto seus artigos.

Miriam Leitão - Ótima jornalista. Escolhe bem seus temas diários. O único problema para o Blog  Perspectiva Crítica é que dá eco à compreensão dos fatos econômicos pelo prisma do mercado financeiro. E veja, não se trata de dizer a opinião do mercado financeiro, comentá-lo e dar sua opinião. Ela muitas vezes, talvez por crença pessoal, acredita e defende a perspectiva de mercado mesmo. Já foi muito mais partidária do mercado. Hoje, talvez depois de muitas críticas alheias e ponderações pessoais, vejo uma tentativa de manter-se menos parcial e mais informativa, mais neutra, mas é muito difícil isso para ela, que é próxima de pessoas do mercado no histórico do exercício de sua profissão. Mas nós acreditamos no seu potencial de autocrítica e vemos que desde que fizemos a primeira análise de sua atuação, no artigo do nosso Blog mencionado acima, ela mudou um pouco de postura, para melhor. Mas ainda é um importante canal da voz do mercado financeiro. E isso é diferente de ser uma voz da sociedade pelo prisma de empresas industriais e comerciais (que t~em sua perspectiva propagada mais pelo Jornal do Commercio e Monitor Mercantil, p. ex.), assim como é diferente de ser uma voz da sociedade pelo prisma do cidadão, contribuinte individual, o que é o caso específico deste Blog. Ela dá o tom da perspectiva econômica sob a direção e sentido ideológico da Edição do Jornal O Globo. É legítimo. Mas é assim que vemos e assim que deve ser encarado seus artigos, a nosso ver. Nesse sentido concordamos normalmente com 50% no mínimo do que ela publica, mas às vezes concordamos com até 90% do que ela publica.

Merval Pereira - Está aí um grande jornalista com o qual dificilmente podemos concordar. A nosso ver Merval, que é ótimo jornalista, infelizmente é um jornalista que é convicto de que os EUA é um grande país a ser copiado. Além disso, ele também, na nossa humilde opinião, é entusiasta do Estado Mínimo e um liberal a favor dos dogmas econômicos que informam o Consenso de Washington. Suas opiniões, a nosso ver, são absolutamente alinhadas com uma perspectiva internacionalista, na linha adotada pelos centros financeiros internacionais e é um grande porta-voz brasileiro da forma de pensar da Edição do Jornal O Globo e do mercado financeiro nacional e internacional. É legítimo. É honesto em sua convicção. Não vemos má-fé na sua atuação. Ele acredita que tudo isso de Estado Mínimo e mercado totalmente livre e coisas desse gênero, na linha norte-americana e do The Economist realmente é bom para o País. Mas tem prisma diametralmente oposto ao desse Blog, e portanto chamamos a atenção do leitor que quer entender a realidade brasileira e que quer o enriquecimento da população brasileira e o aumento de sua qualidade de vida, que Merval propaga a perspectiva liberal que historicamente cria, como criou nos EUA, grande competição desigual no mercado de trabalho, em prejuízo à masa de trabalhadores, abandono de investimentos no serviço público, diminuição do Estado, diminuição de contratação de professores, médicos e de servidores para toda a máquina do Estado, no intuito de se "aumentar a eficiência do Estado e diminuir seus gastos". Então, tudo isso, repetimos, que entendemos que é a linha defendida pelo mercado financeiro, pela grande mídia no Brasil, é legítimo, mas é objeto de nossa respeitosa crítica, pois, a nosso ver, que adotamos uma perspectiva da realidade sob o ponto de vista do cidadão, empobrece o cidadão e diminui sua qualidade de vida. Dificilmente, a não ser quando trata de questões sobre ética na política ou sobre crítica em relação a desvio de verba pública (apesar de não direcionar essas críticas ao PSDB ou DEM, que tenhamos visto... rsrsrs), concordamos com Merval, inclusive e principalmente quando fala sobre economia, cujos dados e conclusões, em total consonância com a perspectiva dos centros financeiros internacionais, quando discordamos praticamente 100% de suas conclusões e informações, praticamente 100% das vezes. Nesse sentido, Merval a quem respeito como profissional, inclusive de quem conheço pessoa próxima que o adora, é um opositor da perspectiva do Blog e é um canal da difusão e disseminação da perspectiva da Edição do Jornal O Globo e dos centros financeiros internacionais sobre como anda e como deve andar a política e a economia brasileira. Essa é nossa opinião. e neste caso, acho difícil mudar, pois usa postura é pessoal, profissional e é sua marca. Lê-lo é saber o que os centros financeiros internacionais, a elite dos EUA e o mercado financeiro brasileiro pensam sobre a economia e política do Brasil, em nossa opinião.

Fica aqui mais essa contribuição para a crítica da produção jornalística da grande mídia brasileira. Infelizmente fica muito focada no Jornal O Globo, pois não temos tempo de ler muitos mais por dia. Dessa vez não falamos muito dos colunistas do Jornal do Commercio e do Jornal do Brasil, porque nossa opiniõa não mudou em relação a eles, desde o artigo publicado intitulado "Ranking dos jornalistas x credibilidade de seus artigos.

Até a próxima.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Crítica ao artigo "Redução de consumo traz alívio para o setor (elétrico)", publicado em 21/07/2014, no Jornal O Globo

Como o tema vem a reboque do artigo anterior que escrevemos, poderemos ser curtos. O artigo publicado ontem no Jornal O Globo, na página 15, intitulado "Redução de consumo traz alívio para o setor" traz uma informação que está correta no título e um conceito mentiroso, a nosso ver: o racionamento branco e  a inexistência de racionamento por conta da venda de energia das indústrias ao mercado de energia elétrica à vista.

Veja, é verdade que, naturalmente, se as indústrias deixam de consumir energia elétrica, há economia desta parcela de energia não consumida. Isso é óbvio e tautológico. Entretanto, a sofisticação do nosso mercado de energia é que proporcionou esse tipo de saída para a indústria, ou seja, existir estrutura para oferta de energia não consumida no mercado à vista.

Então, o artigo está correto em dizer que a "opção de grandes empresas por vender energia - em vez de usá-la na sua produção - tem como contrapartida um alívio no setor elétrico". Também está correto o artigo ao informar que, como disse pedrosa, presidente executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Livres (ABRACE) "Ao fazer isso (vender energia no mercado à vista), a indústria acaba colaborando para não deixar o preço subir e não faltar energia", e ainda que "A situação da indústria brasileira é de muita dificuldade ((pouca demanda) e essa saída (de vender energia) acaba funcionando como efeito colateral positivo". Mas nada disso autoriza dizer que trata-se de "racionamento branco" ou que, segundo Raimundo Batista, diretor da comercializadora Enecel Energia, "Não fosse essa redução espontânea de consumo de energia pelas indústrias, já teríamos um racionamento mesmo".

Racionamento não é espontâneo. E deriva de falta de energia. O caso é de opção voluntária de grandes empresas por vender energia não consumida porque não há demanda pra produtos que ela produziria, caso usasse essa energia. Isso é totalmente diferente de "racionamento".  

E dizer que por conta dessa opção estratégica das indústrias e grandes empresas consumidoras de energia elétrica é que não houve racionamento é a maior mentira e irresponsabilidade para com a real situação do setor, pois com as recentes chuvas, índices de hidrelétricas que estavam em 12% de reserva de águas em barragens, subiram para 34%. Os reservatórios  das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste,  as piores até então, estavam com 34,91% e as do Nordeste com 34,4%. Caíram um ponto percentual desde 1º de julho, como informa o artigo, mas subiram muito se comparado a março de 2014, ápice do baixo registro desses reservatórios. Na cantareira, em São Paulo, se não me engano, chegou a 9%!!

Então, com média de 34% nos até então piores reservatórios, mais castigados por falta de chuva, não é possível afirmar que justamente uma economia de grandes empresas da energia que consumiriam e sua disponibilização no mercado à vista de energia é que impediram a ocorrência de racionamento de energia elétrica no País. Isso é um absurdo.

p.s.: A primeira vez que se falou em sério racionamento de energia elétrica este ano foi quando as hidrelétricas do Sudeste e Sul estavam muito baixas. Neste momento, foi dito por técnicos da Aneel, ONS ou da EPE (empresa de pesquisa elétrica) que o índice médio de 14% dos reservatórios exigiriam medidas concretas de racionamento.  E na mesma época, informaram que o índice de 33% nas hidrelétricas é o mínimo para garantir normalidade de oferta. Então, mais uma vez, a afirmação de um diretor de uma comercializador de energia elétrica não pode dizer que com média de 34% nos reservatórios, com certeza teria tido racionamento se as indústrias não diminuíssem voluntariamente seu consumo. Isso é factóide.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Comentário Econômico julho de 2014 - parte 2 - inclusive sobre a queda do PIB, queda da produção e venda de energia elétrica pelas indústrias

O artigo "Com freio no PIB e alta na tarifa elétrica, indústrias ganham R$289 milhões vendendo energia", acessível em http://oglobo.globo.com/economia/com-freio-no-pib-alta-na-tarifa-eletrica-industrias-ganham-289-milhoes-vendendo-energia-13322826, está muito interessante. A abordagem também não foi a comum, alimentadora do caos, como o Globo costuma fazer.

Observem, esse movimento, como é dito no artigo, é uma boa opção para as indústrias, neste momento de previsão de baixa do PIB. Vamos analisar algumas questões em torno disso.

O preço da energia elétrica no mercado à vista disparou. Por quê? Somente por causa da mudança de marco regulatório pelo governo? Não. A mudança dos contratos, que não foram de forma autoritária como dizem os jornais e nem sem fundamento, como já pudemos ver em outros artigos, criou uma conta para a União, sim, em um primeiro momento. Mas se houvesse a construção das usinas hidrelétricas e nucleares, além de normalização de chuvas, haveria produção de energia que diminuiria ou acabaria com esse valor deficitário inicial de 8 bilhões de reais.

Então a causa do déficit financeiro no sistema elétrico, para quem quert informar a população, deriva de: (a) mudança nos contratos e diminuição das tarifas somado a (b) falta de construção de mais geradoras, (c) grande período de seca que prejudicou a produção normal de energia elétrica via hidrelétricas e obrigou o fornecimento por período muito grande de energia via termelétricas.

Estes fatos somados reduziram o fornecimento de energia no mercado à vista, gerando aumento do preço da energia no mercado à vista.

Entendidas as causas do aumento do preço da energia à vista. De quem é a culpa por esta situação?

Observem, primeiramente eu culparia o governo, se houvesse dados sobre o eventual benefício/malefício que a mudança de tarifa de energia elétrica proporcionou ao crescimento do PIB e à criação de emprego, bem como em relação à respectiva arrecadação de tributos e sustentabilidade do déficit de 8 bilhões de reais em 2013 e de 13 bilhões de reais em 2014. Mas esses dados não existem. Então, a culpa do governo por simplesmente tentar beneficar a sociedade e diminuir custo Brasil da forma que o fez, fica dífícil de ser defendida como única e certa.

As condições climáticas com certeza têm culpa. pois que se houvesse chuva normal, ao que parece, o déficit financeiro poderia já ter sido compensado e até zerado. Por quê? Porque haveria mais fornecimento de energia e com cresicmento do pib, o aumento de consumo geraria também aumento de massa de energia contratada. Mais quantidade consumida poderia compensar a abixa do proço e equilibrar as finanças do sistema elétrico.

Então, neste momento, é possível ver que mais produção ajudaria todo o sistema. E por  que não há mais produção? Por causa de falta de chuva, mas, principalmente por causa das barreiras que verdes xiitas e muito principalmente a mídia causou com a política de contestação e impedimento da construção de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, além das usinas nucleares (essas últimas com prazos mais longínquos de término de construção).

Somos a favor da defesa do meio ambiente. Somos a favor do deate público para construção de hidrelétricas. Somos a favor da publicação livre da imprensa sobre o assunto.. mas sejamos sinceros.. no início chegou-se a uma paranõia verde tão grande e irrazoável em relação à construção das hidrelétricas  que são muito menores dao que a que a China constrói em "Três Gargantas", que até astros de Holiwood vieram ao Brasil, sob a trilha sonora e pano de fundo do filme "Avatar" para posar de defensores da natureza... nossa mídia adorou. E ao invés de gerar o debate sério sobreo o problema, passou a atacar, a apoiar o impedimento das construções, todos em sintonioa pela defesa do verde.. sem pensar no crescimento do Brasil e da necessidade de geração de energia elétrica para nosso crescimento, claro.

Então, temos aí o rol de culpados e a mídia está dentre eles. Somente a Rede Bandeirantes fez uma série de reportagens comentando as vantagens da construção das usinas e o desçenvolvimento local que tais construções estavam proporcionando, além das vantgens para o Brasil em tais construções. Faça-se justiça.

Visto isso, e a recente opção de indústrias em vender energia ao invés de produzir? è boa para o Brasil?

Sim. Excelente! O PIB está caindo. Por quÊ? Porque, senhores, a economia mundial está mal. O último semestre os EUA teve queda de 3% do PIB. 3%. Valor anualizado.. só pode ser. A França está em recessão. Alemanha também teve queda do PIB. E aí, o Brasil vai vender para quem?! Se não vende, baixa PIB, senhores.

Além disso, passamos por uma abusrda onda de arrocho financeiro com aumento consecutivo da Selic por quase um ano. Estamos em 11%, pagando juros reais maior do que Venezuela, Argentina, Grécia, Espanha, qualquer um. Mas pergunto, há risco de não pagarmos dívidas internacionais? Não. Estamos em recessão? Ainda não. A inflação alta era baseada no quÊ? Demanda geral? Não. A inflação não está mais disseminada em vários produtos e setores. Ninguém publica isso... agora. Quando esteve disseminada por vários setores por dois ou três meses, isso foi publicado diariamente. Então, onde se concentrou a inflação que o jros alto atual quis controlar? Em alimentos e petróleo, combustíveis... isso nem é considerado para calcular inflação nos EUA, pois não tem a ver com demanda, mas com condições climáticas e com, no caso de petróleo, uma variável complicada, que depende de guerras.. etc.. o preço não tam oscilçaçaõ normal de oferta e demanda, produção e consumo.

Então, com base nessa inflação em grande parte devida a alimentos, os juros selic foram levados à estratosfera. Tudo bem que a inflação de serviços foi mais resistente.. mas isso devido à política de valorização do salário mínimoi e ao baixo desemprego. E qual o percentual dessa inflação de serviços no índice geral? Parece que menor do que o de alimentos e combustíveis juntos.

Então, voltamos a dizer, os juros altos criaram um grande problema. Pois ele atrai dólares. Isso baixa a cotação do dólar, o que ajuda a baixar inflação mas incentiva importação, que prejudica a produção industrial. Então o juros alto atraiu dólares, está baixando inflação e produção industrial. Daí a baixa do PIB. Além disso, o juros alto garante retorno financeiro alto no Brasil, desestimulando o industrial e a classe produtiva a produzir.  Assim, ao invés de investimentos e aumento de taxa de investimento, temos dinheiro indo para bancos. E isso baixa produção industrial e o PIB. Segunda consequÊncia negativa dos juros altos em 11% no Brasil, e ambas determinando baixa de inflação, baixa de produçao e baixa de PIB. E baixa de produção e de PIB leva a quê? A diminuição de contratação e depois a aumento de taxa de desemprego. Isso estará ocorrendo.

Mas não é só isso. As pessoas compraram muitos carros e imóveis. Estão endividadas e já há tempos a família brasielira naão consome demais. Então o PIB vem encolhendo desde 2010, quando chegou ao crescimento de 7,5%, no ápice das medidas anticíclicas adotadas pelo governo para impedir aqui a recessão que ocorria nos EUA e Europa por conta da crise de 2007/2008. Então, as pessoas já endividadas desde 2010, estavam comprando menos. E isso gera menos demanda. E isso também sinaliza que as empresas devem produzir menos. Chegamos então a hoje.

Hoje, com esta configuração de coisas, a energia elétrica à vista está cara, não há previsão de deamanda para produtos produzidos pelas indústrias e estas decidiram diminuir produção e vender energia elétrica. Isso não é propriamente ruim e só é possível devido ao grau de sofisticação que o mercado de energia apresenta hoje. Hoje as indústrias podem parar de produzir e ganhar dinheiro com isso. Quais as consequências reais?

A inflação pode cair com menos negócios. As indústrias podem adequar seu ritmo de produção, com menos prejuízo. e pode haver um pequeno aumento de oferta de energia no curto prazo e baixar o preço da enegia elétrica a curto prazo. A intensidade de tudo isso, com perda de postos de trabalho, impacto inflacionário final, impacto no crescimento econômico, ficaremos sabendo no fim do ano, mas colocar toda a culpa da queda do PIB e da diminuição da criação de postos de trabalho na alteração do marco regulátório do sistema elétrico efetuado pelo governo é muita simplicidade de causa para algo com pelo menos mais duas causas: altos e desnecessários juros básicos a 11% e falta de chuva e auemnto de produção de parque de geração de energia elétrica hidrelétrica e nuclear... e nisso, até a mídia teve culpa.

p.s. de 25/07/2014 - alterado título do artigo para demostrar que é o segundo comentário econômico de julho de 2014.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Ranking dos maiores e importantes juros reais em julho/2014, segundo lista publicada no O Globo e comentário sobre nossos juros reais exorbitantes

Finalmente uma publicação do Jornal O Globo exclusivamente dizendo que não há porque continuar o juros real atual brasileiro porque isso atravanca o crescimento econômico.

Veja a lista apresentada sobre os juros reais no mundo em julho/2014:

Ranking dos juros reais em julho
(Considera a projeção da inflação para os próximos 12 meses)

Brasil 4,21%
China 3,41%
Índia 2,27%
Rússia 1,51%
Hungria 1,39%
Indonésia 1,22%
Polônia 1,08%
Colômbia 1,07%
Taiwan 0,87%
Turquia 0,79%
Grécia 0,55%
Bélgica 0,30%
Coreia do Sul 0,20%
Suécia 0,15%
Filipinas 0,10%
Malásia 0,05%
Suíça -0,10%
Chile -0,14%
Espanha -0,15%


Veja o artigo orignal e a fonte desses dados em  http://oglobo.globo.com/economia/mesmo-com-manutencao-da-selic-juro-real-do-brasil-o-mais-alto-do-mundo-13287875#ixzz37lKbZMJo

O interessante é ver que Estados em situação econômica muito, mas muito, muito pior do que o Brasil, pagam juros reais muito menores. Isso é estarrecedor.

Veja, se o juros que se paga é para compensar o risco da economia, como o Brasil pode pagar mais do que Grécia, Espanha e Hungria?

É claro que não é só isso.. claro. Os juros básicos também servem para controlar inflação, a qual se não existe ou está despressionada, não exige juros básicos altos para contê-la. Pode ser isso que ocorre no caso. Como o desemprego nessas regiões é gigantesco e há recessão econômica, não há inflação e os juros podem ser baixos, em relação ao Brasil. Como no Brasil há crescimetno econômcio e giro econômico com inflação, precisa de juros básicos maiores..

Mas mesmo assim... juros maiores é diferente de juros reais maiores... se há deflação na Grécia, por exemplo, de 0,5%, um juros de 1,05% garante um juro real de 0,55%. E no Brasil, se a inflação está atualmente na média de 5,5%, então, juros básicos em 6,05% seriam suficientes para remunerar nosso título em relação ao título grego. Vê? E com menos risco para o investidor, pois nossa economia vai muito bem, obrigado. ainda mais em relação à Grécia!!! Mas não.. pagamos 11% de juros básicos e 4,21% de juros reais.

Observe, é claro que pelo menos o dinheiro pros nossos títulos são obtidos livremente em mercado e os títulos dos gregos e espanhóis estão muito mais na conta da troika do que do mercado livre, mas mesmo assim... à toda a evidência, pagamos juros absurdos em face do tamanho, capilaridade, dinamismo e força de nossa economia.

E com essa sugação de valores públicos, justificado como custo do "Risco Brasil" (só rindo), temos esfriamento absurdo da economia, menos geração de empregos e aumento de dívida pública sem justificativa real proporcional a esse custo para país.

É claro que esse artigo publicado hoje no Jornal O Globo On line, acima mencionado, fica perdido em meio a um mar de artigos no sentido de justificar juros altos no Brasil e ainda pedir mais, que é a tônica da grande mídia, na defesa dos interesses exclusivos de bancos e do partido de oposição ao governo, ao invés de pubblicar a realidade dos fatos, o que seira muito melhor para o bem do País.

Esperamos mais publicações da grande mídia no sentido da verdade, como ocorreu neste momento.

p.s.: E observe, meu caro leitor, se a Grécia e Espanha, países semi-falidos, estando sob gerência da troika (Fundo Europeu, Banco Europeu e FMI), com riscos sistêmicos gigantes, estão tendo a exigência de custo de 0,55% e 0,15% de juros reais para suas dívidas e financiamento de suas dívidas.. porque o Brasil, sem nenhum deses problemas, deve pagar 4,5% de juros reais?!?!?! Algo vai errado, não? E se a resposta é que eles estão submetidos a regime de austeridade profunda, com reflexos em altas taxas de desemprego, bom... então, gostaria de saber qual a opinião de gregos ou espanhóis: melhor pagar mais juros e ter mais inflação e empregos ou melhor pagar menos juros e ter menos emprego e inflação, neste momento? De qualquer forma, há que se pensar.. pois há incongruência nesses números.. Brasil nunca poderia estar como o maior juros reais do mundo.

Comentário à inflação, ao juros em julho de 2014 e ao artigo "Fitch confirma bom rating do Brasil, com perspectiva estável", do Jornal do Commercio de 11, 12 e 13 de julho de 2014

Senhores, enquanto a manchete do Jornal O Globo do dia 17 de julho de 2014 é "Para 69% dos brasileiros, preços subiram muito", o Jornal do Commercio já publicou em 30 de junho que, em onze anos, junho de 2014 foi o menor índice de IGP-M, que já apresentava deflação há dois meses, e publicou na edição de fim de semana de 11, 12, 13 de julho que a Ficth, agência de rating internacional, vai manter a classificação de longo prazo do Brasil como "BBB" com perspectiva estável, ou seja dentro da faixa de grau de investimento.

Apontou a Ficth que há problemas "endividamento relativamente elevado do governo, baixo nível de poupança e de taxas de investimento, e progresso limitado na melhoria da competitividade e flexibilidade fiscal". Agora, vejam, se essa águia do capitalismo que deveria ver o pior em todos os atos de governança do Brasil não apontou descontrole total de orçamento, descontrole total de inflação, loucuras econômicas, bolivarianismo, descontrole total de contas externas ou descontrole cambial, quem vai apontar isso?

Essa manchete não saiu no Globo, nem outras sobre o controle da inflação. Por isso, quem lê o globo fica sem entender porque o Banco Central não elevou mais uma vez o juros ontem, quarta-feira, dia 16/07/2014, e manteve o juros básico em 11%.

Isso ocorre porque a inflação está cedendo mê a mês, desde março de 2014. Isso ocorre porque com juros altos a 11%, concedendo o maior juros reais do mundo, empresas estão adiando investimentos e preferindo deixar dinheiro nos títulos do governo. Isso baixa taxa de investimento. E por causa disso, ou seja, da atração de dinheiro para a ciranda financeira e baixa taxa de investimento, o crescimento também está minguando. Isso tudo aponta um esfriamento da economia e o objetivo de aumento de juros é esfriar a economia. Se a economia já está esfriando, não é possível continuar a se aumentar os juros, por mais que o mercado financeiro e os bancos queiram ou apontem "riscos virtuais para o aumento da inflação" ou os jornais de direita apontem que " o povo sente a alta da inflação".

Então, como dissemos nos artigos anteriores, apesar de a grande mídia alimentar informações sobre caos econômico e inflacionário, não há pressões internas ou externas para aumento da inflação e esta está cedendo mês a mês, mesmo que a soma dos últimos 12 meses exceda 6,5% em 0,02%, e isso seja considerado "gravíssimo" por essa mídia.. rsrsrs

França está em deflação. Alemanha não consegue crescimento econômico. A Europa está com recuperação lenta. China Cresce a 7%, mas já cresceu a 11%. Os EUA não têm grandes recuperações, sendo que a taxa de desemprego mais baixa parece ser muito mais porque os trabalhadores desistiram de procurar do que propriamente tenham conseguido trabalhar. Essa foi informação que colhemos também no Jornal do Commercio, que no momento é o melhor canal de informação mais neutra sobre economia. O Valor Econômico também é bom. E o Monitor Mercantil também.

Internamente a safra recorde brasileira chega aos supermercado e em junho gerou bom impacto positivo inflacionário, aliviando a taxa de junho e ainda chega, segurando preços mesmo com o aumento de demanda causado pela Copa e pelo contingente de turistas que não frequentaram hotéís. E agora, se foram.

Então, senhores, enquanto um jornal continua a alimentar o caos econômico inflacionário, o Joranl do Commercio noticia que segundo a Ficht, tudo vai bem. Rsrsrsrs Escolham a opinião e artigo que lhes pareçam melhor. Nossa análise nos leva a acompanhar a Ficht, desta vez, e os artigos do Jornal do Commercio, sobre o tema inflação e juros, publicados atualmente.

domingo, 13 de julho de 2014

Expressiva parte do atual déficit da balança comercial é de remessas de lucros de multinacionais

Muito importante destacar essa informação. Os aumentos de déficits brasileiros na balança de transações correntes vêm sendo abordados pela grande mídia como mais uma evidência, como tudo de ruim que possa acontecer, de falha do governo. No entanto, uma abordagem séria evidencia que a crise financeira internacional aliada ao relativo sucesso da economia brasileira nesse mesmo período e, consequentemente o sucesso de multinacionais estrangerias em nosso território, é que são as grandes causas do aumento desse déficit.

A hipótese de grande remessa de lucros serem um motivo para o déficit na balança de pagamentos já tinha sido aventada pelo Blog Perspectiva Crítica em artigos anteriores. Segundo o artigo intitulado "Remessa de lucros chega a US$ 171 bi", publicado em 09/12/2014, na capa do Jornal Monitor Mercantil, o Dieese informa que "depois de registrar superávit entre 2003-2007, nas transações correntes (comércio de serviços). com o estouro da crise global, o país voltou a registrar déficits". E segundo o Dieese neste estudo, "uma das principais pressões sobre as contas externas (...) veio das remessas de lucros das multinacionais para as matrizes", como noticiado no referido artigo pelo Monitor Mercantil.

Depois do período vertiginoso com superávits nas contas externas entre 2003-2007, somente em "2008 as remessas de lucros e dividendos responderam por 95% do déficit nas transações correntes do Brasil com o exterior", informa o artigo. E esse percentual de participação de remessas de lucros e dividendos no déficit das contas externas brasileiras permaneceu muito alto nos anos seguintes: 77% (ano de 2009); 51% (2010); 55% (2011); 40% (2012) e 30% em 2013.

Senhores, isso é muito diferente de informação superficial de que "o déficit em contas externas é símbolo da incoompetência de governo". Não falo isso para defender o governo. Falo isso, como sempre, para colocar os pingos nos "is". Para resolvermos um problema é necessário entendê-lo. Se trocar governo resolvesse tudo, seria ótimo e simples. Mas isso não resolve a crise financeira internacional, nem a remessa de lucros!!

Então é importante mostrar que no quadro atual internacional fica evidente que há uma natural pressão por remessa de lucros ao exterior. Por quê? Porque as empresa estrangeiras enfrentam uma desgraça econômica local e além de terem de conter valores para investir nas filiais em outros países, incluído o Brasil, eles aplicam política de grande recebimento de lucros de suas filiais. Isso, no Brasil, gerou uma pressão forte sobre nossa balança de transações.

Só que isso não é totalmente ruim. Isso é consequência da liberdade econômica que vivemos e do ambiente favorável ao investimento estrangeiro, que pressupõe liberdade em remessa de lucros também. Gera um problema momentâneo de contas externas para o Brasil, mas o estrangeiro confirma o retorno de seus investimentos e o respeito à ordem jurídica, contratos e à liberdade econômica. Isso estimula reinvestimento no Brasil. E é por isso que em 2013 o Brasil foi o quinto maior destino do investimento estrangeiro, atrás de China, EUA, ? e Inglaterra.

O fato de mantermos por anos do terceiro ao quinto lugar em investimentos diretos estrangeiros, sempre por volta de US$60 bilhões anuais, é algo a ser festejado, mas tem o lado de uma pressão sobre contas externas com base em remessa de lucros e dividendos.

Visto dessa forma, fria, sem partidarismos, podemos ver que é importante adotar medidas que anulem o efeito negativo de grandes remessas de lucros e dividendos das multinacionais estrangeiras para suas matrizes. Quais medidas? Criar oportunidades de investimentos para atrair mais investimento estrangeiro no Brasil. Licitação de blocos para exploração de petróleo, licitação para concessão de construção e exploração de aeroportos, portos, rodovias e linhas de trens e metrôs. Estímulo para criação de mais fábricas e indústrias. Isso é o que resolve a pressão negativa sobre a balança de pagamentos que é causada pela grande remessa de lucros e dividendos de multinacionais estrangeiras.

E mais: estímulo à compra de empresas estrangeiras por empresas brasileiras, financiamento de compra de serviços e produtos brasileiros pelos estrangeiros (exemplo: obras do porto de Mariel em Cuba, rodovias na República Dominicana, obras em vários países da América do Sul), apoio à expansão de empresas e indústrias brasileiras no exterior, para que tenhamos também remessas de lucros e dividendos do exterior para o Brasil.

Muito disso já está sendo feito, aliás. Mas pode sempre ser melhorado. A própria criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics pode ser mais um instrumento para fortalecer esse tipo de política expansionista do comércio e da indústria brasileira no exterior, em benefício às contas externas brasileiras.

Então, senhores, fica aqui uma abordagem séria e verdadeira sobre causas e consequências do déficit atual brasileiro em contas externas, com propostas apartidárias para mudança desse quadro. Esse é e sempre será o dever do Blog Perspectiva Crítica. A solução da remessa de lucros, sem impedi-la, resolveria imediatamente de 30% a mais da metade do problema do déficit das contas externas do Brasil que se apresenta nos últimos 6 anos.