quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Agora, há privilegiados até na Previdência destinada oas trabalhadores privados: 3% da Previdência vai para pobres e 41% para os mais ricos, segundo O Globo.

Vejam como quando se aceita determinados pressupostos retóricos, a desgraça vai se disseminando  até que a injustiça do argumento atinja a todos!! No artigo intitulado "Apenas 3% dos benefícios pagos pela Previdência Social v]ao para os mais pobres" o que é falado? Qual é o objetivo? Quais os pressupostos da informação? Recrimina-se o sistema previdenciário de ser desigual para em breve dizer que é melhor que seja privatizado.


Veja o trecho que selecionamos:


"O documento mostra, por exemplo, que 41% dos benefícios pagos pela Previdência Social beneficiam os 20% mais ricos da sociedade. Ao mesmo tempo, apenas 3% dos recursos vão para os mais pobres. Os dados foram antecipados pela colunista Míriam Leitão, em seu blog .



“Por isso, reformar a Previdência, com foco na redução de privilégios, é uma medida de redução da desigualdade”, diz o texto.



Os técnicos da Fazenda apontam que um programa como o Bolsa Família, por outro lado, tem o efeito inverso. “Os grupos mais pobres recebem parcela maior do benefício. Este sim é um programa público distributivo. Infelizmente é a exceção, pois a ampla maioria das políticas públicas do governo federal não chega nos mais pobres e acaba acentuando a desigualdade de renda”." 


Primeiramente, o grupo da Fazenda que realizou o estudo respondia ao Eduardo Guardia. Eduardo Guardia é homem do mercado financeiro, Ministro da Fazenda do Governo Temer, o mesmo que apresentou a Reforma draconiana da Previdência Social que foi barrada pelo Congresso. Seria natural que viesse um viés crítico da Previdência.


Agora veja, é normal que que uma massa percentual menor de benefícios seja paga a uma parcela de pessoas mais pobres que é a maioria da população? Sim, é. Por quê? Porque a maioria da população desconta sobre o salário mínimo enquanto só as pessoas que têm mais educação e salários melhores recolhe sobre valores maiores até o teto da Previdência que são cinco salários mínimos.


Se 100 pessoas recebem 1.000,00, o gasto do pagamento de benefícios para estas 100 pessoas é de 100mil reais para a previdência. Mas se 20 pessoas recolheram sobre o teto, por exemplo, essas 20 pessoas exigirão um pagamento de R$5 mil, arredondando, para cada um do INSS, o que gerará uma despesa de 1000 mil reais. Nessa conta, o mesmo valor pago a 100 pessoas foi destinado "desigualmente" para meros 20 outros "igualmente" contribuintes. E foi injusto?


Senhores e senhoras, a continuar esse raciocínio, e é assim que fazem, condenam-se todos os que contribuem acima do valor mais baixo do INSS, ou seja, se você contribui acima do salário mínimo, você é um PRIVILEGIADO!!! AHUAHUAHUAHUAHAA


Veja que nessas contas, os servidores que contribuem sobre o total de seus salários atuais, que variam, de R$3mil a R$33.900, naturalmente são pessoas privilegiadíssimas!!! Mas todos esses que contribuem acima da base do salário mínimo passará a ser elemento que "desvia a política de maior igualdade para os benefícios pagos pelo INSS e pelo sistema previdenciário brasileiro".


Hoje, o estudo não diz, mas foram criados três fundos de previdência complementar fechada para os servidores do Executivo, Legislativo e Judiciário, que tenta implantar o sistema de capitalização na previdência dos servidores públicos. A grande quase não fala deles. No Judiciário chama-se Funpresp-Jud (acesse em http://www.funprespjud.com.br/), comemorou recentemente 5 anos.


Esse sistema é adequado à alteração constitucional que determinou que no serviço público o máximo do salário pago pelo Fisco a título de benefício previdenciário seja o teto pago pelo INSS, complementado por Fundo próprio composto pela contribuição dos servidores novos que foram contratados a partir de quando o Fundo ficou ativo, no caso em exemplo, em 2013.


Agora veja, o importante é você como é feita a "conta da desigualdade no destino dos valores pagos pela previdência social (pública e privada)" pela Grande Mídia: pagou acima do teto, você não tem direito de receber pelo que contribuiu, porque vira elite do sistema previdenciário.


Aí só tem um jeito de "barrar" essa discriminação": baixar ao máximo o limite pago a título de teto a ser pago pela previdência social privada ou pública e empurrar a todos para a previdência complementar. Onde está a previdência complementar? Na área privada!!!! À medida em que se recrimina quem contribui mais sobre um salário maior para a PRevidência pública ou privada, empurra-se esse cidadão para contribuir o mínimo para a Previdência Social e recolher valores na Previdência privada, a qual aufere lucros extravagantes dos valores que você investe.


O Funpresp-Jud, se você verificar suas tabelas de rendimento, são maiores do que os mais conhecidos investimentos da área privada e muito maiores do que os de Fundos de Previdência Privada, provavlemente, porque revertem o lucro em investimento para os próprios servidores.


Veja:


  
 As informações que estão nessa tabela do Funpresp-Jud estão acessíveis em http://www.funprespjud.com.br/participante/rentabilidade/ 


Então, veja bem, o que se quer é acabar com o sistema previdenciário público porque ele retira todo esse investimento e lucro dos bancos e instituições financeiras. Ao invés do lucro ser revertido em benefício dos seus contribuintes, irá para bancos.


Assim que acabarem como o INSS e com o Servidor Público e sua previdência, em seguida ocorrerá o mesmo para a PREVI, para a PETROS, para a FUNCEF e todos os programas de complementação de aposentadorias de estatais, com a nivelação cada vez mais por baixo do pagamento de todos os benefícios previdenciários para que tudo vá para bancos.


O canal para isso ocorrer é desprestigiar o sistema previdenciário. Deve ser dito que ele é meramente deficitário, que há privilégios, que ele discrimina os mais pobres. Não se pode dizer que quem recolhe por valores maiores deve receber benefícios maiores. Não se deve contextualizar historicamente a receita do regime dos servidores e estatais  para que a população entenda como há fundos bilionários estatais que são o acúmulo de décadas de parte do salário desses servidores e funcionários de estatais e nem como se chegou a um déficit grande no Regime de Previdência dos Servidores Públicos (RPPS).


O importante é, por todo meio, descredenciar os sistema público de previdência social que gera riqueza para todo o brasileiro, renda, que tem lucros do sistema revertidos para o benefício do próprio contribuinte, para que todos paguem o mínimo para o sistema público e todo o capital gerado com essa economia e investimento do cidadão, trabalhador privado (RGPS), trabalhador de estatais (fundos complementares próprios de previdência - PREVI e similares), bem como o servidor público (RPPS) seja revertido para bancos e instituições financeiras para que os lucros que revertem em seu benefício, trabalhador contribuinte de RGPS, RPPS ou Fundos de Previdência Complementar de Estatais, seja lucro a ser auferido por eles, as instituições financeiras.


Fica aqui nossa denúncia.


Como estamos em momento de sanha do mercado para aprovar a Reforma da Previdência esse ano, antes de o Bolsonaro entrar, veremos mais artigos escabrosos e infames desta natureza. Estaremos atentos para denunciar.

A seguir sem obstáculos essa retórica de que "há privilégios de todos os que contribuem acima de salário mínimo para o INSS", o mercado conseguirá legar para o Brasil o que o Chile sofre no momento com a privatização de seu sistema previdenciário há trinta anos atrás: 93% dos beneficiários recebem um salário mínimo e estão pressionando o orçamento público agora porque não conseguem comer e se medicar normalmente. Mas os lucros dos bancos alcançados com a medida foi ótimo no Chile e o "déficit público" baixou muito à época da privatização. Por quê? Porque não havia mais sistema público de previdência, nem benefícios a serem pagos e os lucros que revertiam para os beneficiários foram para os bancos.


É para se pensar.

Um comentário:

  1. É impressionante o malabarismo retórico que esses colunistas da grande mídia fazem.

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