terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Republicação do OPP: "Os 15 países com mais servidores públicos no mundo"

O Observatório de Políticas Públicas da Universidade Federal do Ceará traz, desde março de 2019, uma lista dos 15 países com mais servidores públicos no mundo, demonstrando que o Brasil está muito distante disso.

Cumprimos dever de qualquer cidadão em republicar aqui, fornecer o link original para acesso público e tonar público todo o acesso a essa informação, a qual, aliás, publicamos há mais de 9 anos, de que países de IDH superior investem muito mais em serviços públicos a seus habitantes o que é o contrário do que o governo Bolsonaro parece intentar fazer.

O serviço público não é problema da economia, mas, sim, é a solução. Mas isso só pode acontecer diante de debates sérios sobre a eficiência do serviço público e da prestação desse serviço à  população.

Transcrição:

"OS 15 PAÍSES COM MAIS SERVIDORES PÚBLICOS NO MUNDO
Qual País com maior número de funcionários públicos no mundo?


Será que a relação de servidores públicos pela população de um País é indicador chave de sucesso ou insucesso ?
De maneira geral, nós brasileiros entendemos que quantos menos servidores públicos melhor. Contudo muitos países de primeiro mundo tem um número expressivamente maior que o nosso em termos de servidores públicos / população.
A OECD – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico publicou um estudo com os países que mais possuem servidores públicos no mundo, o numéro é sobre o percentual ta população total.
Este estudo foi realizado em 2015 e o link para o artigo completo está no final deste post.
15 – Japão – 5.9 % da população é composta por funcionários públicos.
14 – Coréia do Sul – 7.6 %
13 – Alemanha – 10.6 %
12 – Turquia – 12.4 %
11 – Itália – 13.6 %
10 – Estados Unidos da América – 15.3 %
9 – Espanha – 15.7 %
8 – Reino Unido – 16.4 %
7 – Grécia – 18 %
6 – Canada – 18.2 %
5 – França – 21.4 %
4 – Finlândia – 24.9 %
3 – Suécia – 28.6 %
2 – Dinamarca – 29.1 %
1 – Noruega – 30 %

E no Brasil, quantos servidores públicos existem ?
O Brasil possui cerca de 3,12 milhões de servidores públicos. O que significaria cerca de 1,6% da população brasileira.
Fonte: http://www.oecd.org/gov/government-at-a-glance-22214399.htm
Fonte: http://www.valor.com.br/brasil/3046800/ibge-funcionarios-publicos-eram-16-da-populacao-brasileira-em-2012
Fonte: https://www.superlistas.net/os-15-paises-com-mais-servidores-publicos-no-mundo/
Fonte: Super Listas
Postado por: Jorgeanny Linhares"

Acesse o original em https://oppceufc.wordpress.com/2019/01/17/os-15-paises-com-mais-servidores-publicos-no-mundo-2/comment-page-1/?unapproved=819&moderation-hash=1f92f5e1fe5f525274041b137f924240#comment-819
Parabéns à Jorgeanny Linhares e ao site Observatório de Políticas Públicas. Esse tipo de publicação traz a verdade à sociedade e cria o risco de, um dia, quiçá, termos a condição de vida de europeus. Temos o dinheiro. Mas precisamos da visão. E essa visão não virá da grande mídia, mas somente de Blogs Sociais e alguns canais de mídia, como Le Monde Diplomatique e outros, que realmente focam no bem público e no interesse público. 

Acesse alguns de nossos artigos publicados desde 2012 em mesmo sentido em:

1 - http://www.perspectivacritica.com.br/2012/07/qual-quantidade-ideal-de-servidores.html 

2 - http://www.perspectivacritica.com.br/2014/08/ocde-comprova-paises-de-maior-idh-e.html




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Servidores parasitas e empregadas domésticas sem viagem: um governo cada vez mais para ricos

É... gente... fica cada vez mais evidente que o governo cuida mesmo é da classe mais abastada. Classe média e pobres devem encarar seu lugarzinho miúdo na sociedade... essa é a cada vez mais aparente faceta do governo Bolsonaro.

Somente com o tempo esse tipo de noção pode ser corretamente delineada, pois como em um namoro ou casamento, a realidade da relação somente se apresenta com o tempo e quanto maior for esse tempo, mais se apresenta a relação em contornos mais claros e delineados.

Na campanha política para a presidência houve muitas boas promessas: combate à corrupção, não ao "toma-lá-dá-cá" do Congresso, nomeação de Ministros com independência, diminuição do número de Ministérios (já está em praticamente 22, contando com Supersecretarias e eram 29 com Temer), corte de 18 mil cargos públicos (extinguiu 18 mil cargos comissionados - isso não muda nada - e somente 3 mil cargos públicos), diminuição do IR de 27,5% para 20%, instituição de cobrança de 20% de taxa sobre distribuição de lucros e dividendos (não houve sequer correção inflacionária da tabela do Imposto de Renda), reforma previdenciária seguida de reforma tributária (botaram a reforma administrativa antes da tributária..), dentre outras coisas...

Algumas coisas interessantes ocorreram: fechamento de acordo Mercosul e União Européia (que foi negociada em grande parte e de forma mais dura nos governos petistas e que foi fechada porque foi decidido entregar os pontos remanescentes exigidos pela Europa... (ainda bem que os governos anteriores deixaram poucos pontos graves de fora), aprovação da reforma da previdência (que já estava em discussão há mais de dois anos e já tinha relativo consenso na sociedade e no Congresso de que tinha que ser fechada em virtude da gravidade das contas públicas), defendeu na ONU que as queimadas da Amazônia também derivavam de questões naturais e que ocorriam em outras partes no mundo (correto, mas está diminuindo as defesas jurídicas ambientais, facilitando plantação em área de floresta, diminuindo equipes de fiscalização do IBAMA, cancelamento determinações anteriores de destruição de máquinas usadas em crimes ambientais que não pudessem ser apreendidas como tratores etc..) ... mas de resto estamos vendo descumprimento de promessas e, aí o tema do artigo, uma atuação e expressão governamental contra ícones da classe média e da população mais carente.

Além de colocar, até o momento, o ônus do déficit fiscal nas costas de servidores públicos, aposentados e pensionistas (abordagem do déficit exclusiva pelo lado da despesa), inverteu a prioridade após a reforma da previdência (que era a reforma tributária, com chance de se discutir a desigualdade contributiva e exigir um pouco mais de ricos e ajudar o déficit pelo lado da receita, como hoje se faz e discute nos países ricos), passando a querer a reforma administrativa (para achatar mais direitos de uma classe representante da classe média brasileira), bem como passou a deixar claro seu desprezo por alguns direitos e cidadãos: Guedes chamou servidores públicos de parasitas, disse que empregadas domésticas não podem viajar para a Disney e Bolsonaro chamou os governadores do Nordeste de Governadores de "Paraíbas".

Vejamos bem, o que significa isso? Isso é muito grave. Mesmo Hamílton Mourão, a quem reputamos equilíbrio e aparente capacidade administrativa e evidente capacidade e habilidade política e diplomática, disse que hoje há "muitos brasileiros criados somente por mães e avós" como demérito para a formação de valores desses brasileiros, repetiu conceitos do século XIX e XX de que negros são malandros e índios indolentes... E, por fim, coroamos tudo isso com o vídeo do Secretário de Cultura, Roberto Alvim, plagiando Goebbels (Ministro de Hitler), com música alemã clássica ao fundo, tom sombrio, dizendo que a cultura seria revista, revigorada, fortalecida, de nova estética triunfalista brasileira.

É importante ser dito aqui, sem papas na língua, que NINGUÉM FALA OU FAZ COISAS DESSE GÊNERO SEM QUE NO GOVERNO, E ESPECIALMENTE NA FIGURA DE BOLSONARO, TENHA RESPALDO.

Ninguém esperava ver ou ouvir tudo isso. Os eleitores não têm culpa disso. Mas não é possível se fechar os olhos para um grande vereda de atos e posturas dentro do Governo Federal, por inúmeros Ministros, em que você tem um misto de culpa de problemas do Estado largado sobre as costas de servidores, aposentados, pensionistas, desempregados, trabalhadores, além de uma visão preconceituosa e classista da sociedade, negando-se o direito de trabalhadores de ter direitos (quiseram tirar o décimo-terceiro e não corrigir salário mínimo), de pobres de terem acesso a avião e à Disney, de trabalhadores jovens em ter direitos trabalhistas integrais (sugestão da carteira verde e amarela sem direitos integrais trabalhistas a primeiros empregados), e o tratamento indecoroso, chamando uma grande parte da população, os nordestinos, de "paraíbas".

Não há cumprimento de promessas que tenderiam a diminuir desigualdades sociais. A isonomia de pagamento de impostos, com IRPF, IRPJ de pejotizados e taxa de distribuição de lucros e dividendos serem igualados a 20%, nem sequer é mais mencionado.

CPMF, ou imposto que o valha, é a única guerra que o governo tenta e que seria realmente bom porque é ótimo instrumento fiscal, inclusive, além de atingir a todos, ricos e pobres e empresas. Mas, não sei se notaram, Guedes já admite que esse imposto viria substituindo os tributos sobre empresas, PIS/COFINS, CSSL... empobrece pobres, desempregados, celetistas e esvazia fundos públicos voltados aos trabalhadores (FAT, FGTS e outros).

Gente, tudo bem que o governo é de direita. Mas, assim como um governo de esquerda não pode quebrar o país com excesso de subsídio e medidas anti-cíclicas, concessão de excessos insustentáveis de direitos aos cidadãos, um governo de direita não pode desfazer o Estado, inviabilizar o serviço público que existe (a não contratação de servidores para substituir os que se aposentam no INSS gerou fila de 2 milhões de pedidos de aposentadoria não analisados), somente colocar o custo de diminuição do déficit fiscal nas costas de pessoas físicas, acabar com direitos previdenciários e trabalhistas dos cidadãos e ainda declarar que nordestino é "paraíba" (termo depreciativo) e que pobre andar de avião e ir à Disney não é desejável e é indicativo de distúrbio econômico SEM SOFRER REVESES EM SUA IMAGEM DE GOVERNO.

É importante termos a real dimensão de que o governo está muito atento para tirar direitos e ofender cidadãos e segregá-los, assim como se empenha em nada exigir das classes mais abastadas em contribuição para equalizar o déficit público e entende que a sociedade deva sim respeitar uma estratificação social mais rígida (talvez o Bolsonaro  goste do sistema indiano de castas sociais.. rsrsrs).

Quem vê cidadãos como desiguais não vai dar valor aos instrumentos jurídicos que trabalham a diminuição de desigualdade social e regional. Isso é um risco para o país que conhecemos e almejamos.

Esperamos que a crítica contundente a estes atos tragam o governo para rumos mais republicanos e democráticos. Mas não acreditamos nisso.  Acreditamos que o governo se evidencia como um governo classista que privilegia ricos e grandes empresas, segrega trabalhadores, pobres, classe média, servidores e todas as pessoas físicas, tentando por umas contra as outras, dizendo, por um lado, que a culpa do déficit fiscal é do pagamento a servidores e aposentados, que a culpa do desemprego é a existência de direitos trabalhistas, não dando revisão de teto de isenção para o Imposto de renda, e por outro lado, o dos ricos e grandes empresas, não criando concorrência no nosso sistema bancário (não deixando que bancos estrangeiros entrem) que cobra o maior juros bancários no mundo, não cobrando IPVA (ou tributo equivalente) de jatinhos e iates, não cobrando taxa sobre lucros e dividendos, não aumentando imposto sobre heranças superiores a 20 ou 30 milhões de reais, não regulamentando o Imposto sobre grandes fortunas e outras "cositas más"("más", por um acaso, na hipótese, pode ser usado na acepção original em espanhol e ainda na acepção portuguesa da mesma palavra.. rsrsrs).

O governo cada vez mais expõe sua faceta protetora de eleitores do governo (policiais e militares), criando segregação em sociedade, e protetora da classe abastada e grandes empresas e bancos e deixa evidente que trata "peão" como "peão". Ainda não vimos defenderem o "darwinismo social" mas achamos que isso pode estar próximo.   

P.s. de 13/02/2020: Texto revisado e ampliado. 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Reforma Tributária do Chile em 2019/2020: ricos pagarão 60% dos novos encargos. E o Brasil? E os EUA?

O Chile passou por uma convulsão social (e ainda passa) para perceber o óbvio: quem ganha mais deve contribuir mais para saldar dívidas públicas com saúde, educação, previdência (inexistente lá, exceto a privada) e assistência social.

É importante a leitura do artigo publicado em 30/01/2020 no jornal O Globo On line, intitulado "Chile aprova reforma tributária que aumenta impostos para mais ricos e beneficia idosos". Essa é a linha que sugerimos que a reforma tributária brasileira adote para se antecipar e impedir que cheguemos naquele estado de convulão social.

Veja os trechos que destacamos:

"SANTIAGO — O Congresso do Chile aprovou, na noite de quarta-feira, uma  reforma tributária, uma das principais promessas do presidente Sebastián Piñera, que aumenta as taxações sobre os mais ricos, entre outros aspectos. O texto original do projeto, elaborado antes dos protestos que tomaram as ruas do país no final de 2019 e deixaram ao menos 26 pessoas mortas, sofreu adaptações, excluindo um de seus pontos mais polêmicos: o fim da redução de impostos para grandes empresas.


"A nova regra busca aumentar a arrecadação anual de impostos em US$ 2,2 bilhões (R$ 9.307.320.000) — 55% dos quais virão exclusivamente de impostos aplicáveis aos mais ricos. O dinheiro, segundo o Palácio de La Moneda, será utilizado para bancar a agenda social apresentada para tentar conter as manifestações que começaram no dia 18 de outubro de 2019, em repúdio ao aumento da tarifa do metrô, e rapidamente ganharam demandas sociais mais amplas."


"A reforma, apresentada há 17 meses, foi o projeto discutido por mais tempo no Congresso chileno desde 1990: 524 dias. Entre as medidas que entrarão em vigor estão impostos maiores sobre propriedades que custam mais de 400 milhões de pesos chilenos (R$ 2.152.297) — algo que deverá trazer US$ 156 milhões (R$ 659.950.000) para os cofres públicos. Outro ponto é o aumento de 40% nos impostos cobrados sobre rendas anuais superiores a 184 milhões de pesos (R$ 975.698) ou 146 milhões mensais (R$ 79.540) — o governo estima que a arrecadação sobre a medida seja de US$ 241 milhões (R$ 1.019.550.500). Segundo o ministro da Fazenda, Ignacio Briones, seis em cada dez pesos arrecadados com o novo projeto virão dos mais ricos."

Acesse a íntegra em: https://oglobo.globo.com/mundo/chile-aprova-reforma-tributaria-que-aumenta-impostos-para-os-mais-ricos-beneficia-idosos-24219086.

Esta abordagem de reforme tributária é justa, é necessária e é o que resolve a longo prazo, mas a grande mídia brasileira e o mercado financeiro impedem que o debate da reforma tributária se dê nestes termos.

Um consenso sobre a necessidade de se realizar a reforma tributária já existe e devíamos aproveitar isso para realizar uma reforma tributária com peso de diminuir desigualdades sociais.

Observe-se que o termo "taxar ricos" não pode adquirir no Brasil a conotação de perseguição contra a classe de ricos e super empresas. Mas é assim que acaba sendo tratado. A incrível concentração de renda a que o mundo vem sendo levado pelo sistema financeiro, sistema econômico, sistema produtivo atual está criando disfunções sociais e disfunções econômicas. Não se pode continuar no caminho em que 1% da população tenha 50% da riqueza ou mais no mundo ou em determinado país.

Nos Estados Unidos esse debate já ganha relevo com uma candidata, Elizabeth Warren, às prévias do Partido Democrata para a Presidência da República sugerir que todos aqueles que ganhem ou possuam acima de R$50 milhões de dólares anualmente paguem um imposto específico de 2% sobre o que sobeje este valor. A cada 1 dólar além de 50 milhões de dólares, o americano teria de pagar 0,02 dólar, ou seja, dois centavos de dólar para ajudar o orçamento americano, a assistência social, tudo. Quem pode ser contra isso?!?! Que milionário ou bilionáro poderia achar isso excessivo sem expor que é uma pessoa que pouco se importa com o coletivo?

Veja o trecho do artigo que separamos sobre esse debate nos EUA:

"Imposto é debatido nos EUA A tributação de fortunas é assunto nos Estados Unidos, onde políticos estão em campanha para as eleições primárias presidenciais. No partido Democrata, de oposição ao presidente Donald Trump, a senadora Elizabeth Warren tem como uma de suas principais bandeiras a criação de um imposto de dois centavos para cada dólar que passar de US$ 50 milhões no patrimônio de alguém, uma vez por ano. A proposta é criticada por alguns, mas a candidata tem ido bem nas pesquisas. Segundo o jornal "The New York Times", Elizabeth Warren alcançou o segundo lugar na disputa para ver quem será o candidato democrata, atrás apenas de Joe Biden Jr., que foi vice-presidente de Barack Obama. (...)"

Acesse o artigo da UOL Economia na íntegra em: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/20/imposto-sobre-grandes-fortunas-reforma-tributaria-proposta-oposicao-camara.htm

Copiamos este conteúdo de dois artigos somente para que vocês vejam como há o debate sobre a grande questão sobre tributação de ricos e que o Brasil está muito defasado e na verdade omisso e alheio a este mal que é espremer classe média e pobres para contribuírem para o combate ao déficit público e NUNCA EXIGIR UMA CONTRAPARTIDA DOS RICOS QUE ELES TÊM TOTAL POSSIBILIDADE DE PRESTAR AO PAÍS PELO BEM DE TODOS.

Guedes sempre diz, em termos de reforma da previdência, que "quem recebe mais, deve contribuir mais"... certo... isso só alcança a diferença entre quem se aposenta com mil reais e quem se aposenta com 5 mil reais no sistema geral do RPGS/INSS? Ou entre estes e quem ganha de 5 mil a 30 mil, comparando-se com os aposentados do RPPS/Previdência dos Servidores Públicos?

Mas isso não se aplica à reforma tributária no que concerne à ecatômbica diferença entre a riqueza dos 1% dos brasileiros e os 99%?!?! Isso não se aplica a quem recebe de 400 mil a um 1.000.000 (um milhão) de reais por mês ou por ano e todos os demais trabalhadores de classe baixa ou média no país? E a diferença entre quem tem nada e quem tem patrimônio de 50 milhões de reais? E a diferença entre alguns da classe média que ganham 30 mil mensais (topo da carreira pública) e aqueles que ganham 400 mil a um milhão de reais por mês? Entre quem tem 200 mil de patrimônio, 2 milhões de patrimônio, até, digamos 20 milhões de patrimônio e quem tenha 50, 100, 400 milhões de patrimônio ou até bilhões de reais de patrimônio?!? Estes não devem contribuir mais?!?!

Ficam aqui os exemplos do Chile e dos EUA e nossa contribuição ao debate para evitar que nossa reforma tributária vire somente reforma de nome de impostos sem alteração na desigualdade contributiva de nossa sociedade.

Em cálculo feito por nós, a cobrança de metade do que se cobra de ricos no exterior levaria a uma arrecadação de até 2,5 trilhões de reais em dez anos, 2,5 vezes maior do que o resultado que o Ministro da Economia Paulo Guedes queria atingir com a Reforma da Previdência, atingindo quem estoca valores no banco e não quem paga aluguel e supermercado, diga-se.

O déficit público atual, que está superdimensionado como chantagem para a perda de direitos trabalhistas, previdenciários e tributários do cidadão pobre e da classe média no Brasil, imediatamente viraria um tremendo superávit fiscal, somente com essa medida de diminuição da desigualdade contributiva.

Seguimos com essa bandeira: FIM À DESIGUALDADE CONTRIBUTIVA! Cobre-se IPVA ou tributo congênere de jatos e iates! Cobre-se 20% de Imposto de renda de pejotizados! Baixe-se o IRPF a 20% para os trabalhadores celetistas e servidores públicos civis e militares! Cobre-se 20% sobre distribuição de lucros e dividendos! Cobre-se CPMF de 0,28% de todas as movimentações bancárias (atinge todos os que não pagam impostos e em especial contas de milionários, bilionários, grandes empresas, pejotizados e autônomos que não pagam imposto de renda a 27,5%)! Regulamente-se o Imposto sobre Grandes Fortunas, parado no Congresso há anos! aumente-se o imposto sobre heranças de 4 a 8% para 20% nos casos em que a herança for superior a 20 milhões de reais!!! As contas públicas e os investimentos públicos que enriquecem empresas privadas por todo o país não podem ter como fonte exclusiva o salário e patrimônio da classe média e pobre! 

p.s. de 30/01 - texto revisado e acrescido.   

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Comentários sobre as reformas da previdência, tributária, administrativa e pacto federativo

Pessoal,

é muito importante, mesmo que não se aprofunde em um único artigo os temas importantíssimos das reformas que se encaminham, que cheguem ao cidadão umas informações básicas sobre as mesmas, para que a péssima informação publicada pela grande mídia de mercado tenha um contraponto, sob a perspectiva do cidadão, da pessoa física, enfim, do brasileiro real, como nós e vocês.

Esse é o objetivo deste artigo e para atingi-lo, faremos os comentários a partir de cada tema, de forma bem objetiva e em bloco. Vamos a eles.

Reforma da Previdência

Sobre esta reforma já escrevemos algumas vezes. De tempos em tempos uma reforma desta natureza deve ser feita, naturalmente, como já ocorreu mais de uma vez na França. Nossa pirâmide etária mudou. Seria insustentável o pagamento de aposentadorias daqui a duas ou três décadas.

Mas, nós do Blog, deixamos patente que a proposta original do Governo era acabar com a previdência social, na prática, porque o regime de capitalização geraria o que ocorreu no Chile há trinta anos atrás. Acabaria praticamente a relevância da Previdência Social no Brasil, todos esses valores iriam migrar, na prática, para bancos privados através de investimento em previdência privada, mas muitíssimos mais brasileiros simplesmente não fariam esta poupança e acabaria o Brasil daqui a 30 anos como acabou o Chile hoje: 95% de aposentados ganhando ATÉ UM  SALÁRIO MÍNIMO. Um crime.

Não era uma reforma para salvar a previdência. Era uma reforma para acabar com a previdência e o maior objetivo era acabar com toda a contribuição de empresas ao regime previdenciário (equivalente a 40% de todos os instrumentos de transferências de renda no país), pois no regime de capitalização cada cidadão cuida do seu fundo para a previdência. Haveria uma contrapartida de empresas e do governo, mas seria mínimo.

Então, a verdade é que o objetivo de Guedes e Bolsonaro foi de acabar com a previdência, enriquecer bancos privados, empobrecer o cidadão, principalmente mais pobre, e acabar com custo de empresas do financiamento da previdência para aumentar seus lucros. Que isso fique claro. O argumento de atacar o déficit da previdência foi subterfúgio a este objetivo torpe de encerrar a previdência social brasileira.

Mas o Congresso, normalmente inútil, não deixou e defendeu o povo brasileiro. A reforma não saiu tão ruim, não, em vista do fim do mundo que poderia ter sido. Nosso aplauso, principalmente, além dos partidos de oposição, PSOL, PT e REDE e aos políticos sérios e independentes, ao Senador do PSDB-CE, Tasso Jereissati, que abrandou muito o crime que em parte se fez ao brasileiro. Esse Senador terminou resgatando um pouco da dívida moral do PSDB, fazendo, ao menos nesse caso, o que um partido social-democrata realmente deve fazer.


Reforma Administrativa

Cabível. Com o passar do tempo, muitas coisas que deviam existir num passado distante, como contratação direta de garçons em 1940, ficam obsoletas, diante da modernização da sociedade, aumento da educação da população, novas formas de trabalho e prestação de serviços.

Também gratificações e benesses que antes podem ter sido concedidas para compensar baixo valor da moeda brasileira, alta inflação, incapacidade do governo dar reajustes e correções aos salários para atrair servidores, após um período de correção desses valores e aquisição pelo Brasil de estabilidade da moeda, pode tornar anacrônicos alguns mecanismos de valorização do servidor, que antes se justificavam, como por exemplo chegar no fim da carreira em 15 anos, haver diferença de 10% entre valor inicial da carreira e valor final da carreira, haver direito de incorporar gratificações para levar para a aposentadoria ou ter número de férias incompatíveis com todos os demais trabalhadores.

Mas ponderamos e concluímos que a reforma foi pensada para acabar com o Estado brasileiro. Isso fica claro quando se analisa a proposta de fim da estabilidade, baixar valores de servidores de cúpula, como Advogados da União e congêneres a R$5.000,00 reais iniciais, criar um sistema de "shut down" (mais uma americanização desnecessária que o governo pretende) com facilitação de demissão de servidores além das hipóteses que já existem em nossa Constituição sob pretexto de salvar o orçamento, implantação de controles totalmente opacos em seus métodos para averiguar a "produtividade" de servidores com vistas a demitir o "improdutivo", etc...

Já há previsão constitucional e na Lei de Responsabilidade Fiscal para que haja demissões de servidores estáveis em caso de excesso de limites de despesas do Estado. O que ocorre é que os chefes dos Poderes do Executivo não executam a demissão para não perder votos e não ter manchetes sobre "a que ponto chegou o descontrole do Estado na mão daquele chefe de Poder Executivo", seja Prefeito, Governador ou Presidente da República.

Tudo o que está sendo apresentado em roupagem de como se fosse garantir eficiência administrativa, na verdade esconde o objetivo de desfazer a máquina pública e nesse sentido deve ser combatida. Uma Reforma honesta preveria o corte de 25 mil cargos em comissão federais (não em funções comissionadas como Bolsonaro fez e que se destinam a servidores de carreira e não a indicados políticos) e mais de 300 mil em todo o país. Uma Reforma honesta tentaria questionar onde existe e onde não existe inchaço da máquina pública e contrataria servidores onde há necessidade destes, como na área de saúde e previdência. Somente cortar funcionário, como Guedes vem fazendo, gera filas de espera delongadas a pobres e integrantes da classe média em busca de prestação de serviço público.

Veja o INSS. Guedes disse que não reporia servidores que se aposentassem. O INSS chegou a precisar de 13.500 servidores e agora tem uma fila de 2 milhões de benefícios que não são analisados e entregues ao cidadão. E qual foi a sugestão de solução do Bolsonaro? Contratar militares da reserva sem experiência em procedimentos previdenciários para que ganhassem mais 30% e a população continuasse esperando eles aprenderem o ofício que ao menos mais 8 mil servidores contratados fariam até se aposentarem, mantendo regular o serviço de forma permanente ao cidadão. Isso é eficiência adminstrativa? Não. É eficiência eleitoral para parte dos eleitores de Bolsonaro.

Criticamos que a reforma não tem como objetivo a melhora da máquina pública, mas a destruição da máquina estatal, o que significa do Estado. Senão respondam: como haveria operação lava jato se não houvesse estabilidade aos servidores públicos que atuaram na Polícia Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal, Procuradoria da Fazenda e no Judiciário? E não nos digam que estes servidores não teriam a estabilidade cortada.. isso é que nem fio de novelo.. começa em um lugar e termina por desfazer todo o novelo.

E saibam: implantação de controle de produtividade, que já existe hoje, é bom que se diga, é bonito de ouvir, mas sem método para proteger o servidor, pode gerar a exclusão de servidores independentes e comprometidos com o interesse público que se negam a fazer o que os chefes, quando são inescrupulosos, mandam fazer contra a lei ou normas institucionais. Muitas vezes esses chefes são indicados políticos ou de outra autoridade e entrou sem prestar concurso público e deve ao padrinho que pode ser inescrupuloso. Então, é muito complicado e a mídia não trata do tema com profundidade e seriedade que deveria ser exigida. Então, vemos risco e não só "oportunidade de modernizar o Estado", como fala a grande mídia, na Reforma Administrativa que se avizinha.


Reforma Tributária

Nessa reforma o problema é mais simples e fácil de ver do que os interesses sorrateiros que estão por trás da Reforma Administrativa: a grande mídia em conluio com o mercado financeiro não ousa falar sobre redistribuição de peso contributivo tributário entre ricos e pobres no Brasil. A grande mídia só fala em diminuir o número de tributos porque gerará "mais eficiência tributária" e "menos horas de trabalho e custos de empresas para recolherem tributos".

Uma reforma tributária digna deveria instituir o imposto sobre distribuição de lucros e dividendos, que daria 250 bilhões de reais em dez anos à sociedade brasileira. Só o Brasil e a Letônia não tributam isso. EUA, França, Inglaterra, Alemanha e todos os países ricos tributam  a distribuição de lucros e dividendos. As famílias donas da Globo, Bradesco e Itaú recebem bilhões de reais anuais sem pagar imposto sobre esta distribuição, por exemplo. É justo?

Uma reforma tributária aumentaria ou discutiria o aumento do imposto sobre a herança no Brasil. Na França a média é de 40%. Nos EUA varia de 3,5% a 77%. Bill Gates pagará 77% sobre a herança que dará aos filhos quando morrer. É claro que ele paga seguro de vida que devolverá o dinheiro à família, mas o fato é que em países de IDH elevado há mecanismo de equilíbrio da desigualdade entre gerações de compatriotas. E aqui? Bill Gates pagaria de 4 a 8%. Isso é paraíso fiscal.

Perguntamos: Não pode a herança acima de 20 milhões de reais pagar 20%?!?!? O potencial de arrecadação pode ser de mais centenas de bilhões de reais em dez anos para equilibrar o orçamento. Vimos uma vez ( e escrevemos sobre) que o Imposto sobre Grandes Fortunas no Brasil daria mais 1 bilhão de reais ao ano ao orçamento. É outro imposto muito menos amplo do que o que aqui mencionamos, mas é arrecadação que combate déficit fiscal. Por que não se fala disso?!?!?! Porque é melhor tungar pobres e classe média na previdência no valor de 840 bilhões em dez anos. Só se discute combate ao déficit fiscal brasileiro pelo lado do corte de despesa e não se discute o lado da arrecadação.

Uma reforma tributária séria tentaria fazer ricos e milionários pagarem imposto equivalente ao IPVA sobre jatos particulares, helicópteros e iates.. mas não é sobre o que a grande mídia publica para essa reforma tributária. Sabe quanto seria a arrecadação desse imposto, leitor? A UOL Economia calculou em 4,7 bilhões anuais, o que equivale a 47 bilhões de reais em dez anos. Mas tira de dinheiro de rico e no Brasil não pode. O Brasil tem que espremer pobre e classe média.

Uma reforma tributária não torna despicienda/desnecessária a reforma da previdência e reforma administrativa, mas enquanto estas tungam mais de 840 bilhões de reais de pobres e classe média (198 milhões de brasileiros), em dez anos, a reforma tributária poderia entregar mais de 2,5 trilhões de reais ao orçamento público do Estado Brasileiro em dez anos, tungando muito menos brasileiros (500 mil brasileiros a 2 milhões, no máximo); e os tungando muito menos do que os ricos e milionários estrangeiros o são em seus países ricos dos mais elevados IDHs  no mundo. Fizemos esse cálculo em artigo específico, há poucas publicações atrás (acesse: http://www.perspectivacritica.com.br/2019/10/o-chile-de-hoje-em-caos-e-o-prenuncio.html).

E a CPMF ou outro imposto que lhe faça as vezes? Pode arrecadar 50 bilhões por ano. Por que não deixam? Você não pagaria 0,25% de todas as suas movimentações financeiras para acabar com déficit de valores na Saúde? Seu plano de saúde poderia ficar mais barato. Claro que você pode. Mas a guerra contra esse tributo é porque ele é o maior instrumento de fiscalização contra sonegação de grandes empresas e pejotizados ricos e autônomos no país. Ricos que não pagam tributo pelos dividendos, que receberam de sua mega empresa, teriam de pagar CPMF, quando movimentassem esse dinheiro no banco. É por isso que não pode.

Então, senhores e senhoras, vejam, a Reforma Tributária que poderia estar contribuindo para diminuir a desigualdade social entre indivíduos e entre gerações, que poderia arrecadar trilhões de reais em dez anos e acabar de vez com o déficit fiscal brasileiro (que hoje já é ficção orçamentária, é bom dizer, principalmente depois da queda da selic a 4,5% ao ano), será uma peça de reestruturação da forma dos tributos, não chegando nunca nos ricos, grandes corporações e bancos (exceto a reforma da previdência que criou uma contribuição específica pra bancos, mas é pouco). Ou seja, a reforma tributária sugerida existe pra reproduzir a desigualdade contributiva que existe hoje e deixar toda a carga do déficit fiscal do Estado Brasileiro a recair sobre as costas de pobres e classe média, na forma da reforma da previdência, reforma trabalhista e reforma administrativa.

Somos 197 milhões de otários para manter bancos, grandes corporações, a grande mídia, pejotizados ricos e ricos, milionários e bilionários brasileiros sem pagar impostos e sem contribuírem para o superávit fiscal do país, bem como deixar o país sem o investimento que seria disponibilizado em saúde e educação e bem-estar social com esses valores que poderiam ser arrecadados como o são em países ricos.


Pacto Federativo

Senhores e senhoras, aqui não iremos nos delongar. Guedes quer que todo o sistema construído por décadas de vinculação de receitas tributárias a gastos sociais e de bem-estar social, em especial em educação e saúde, seja desfeito. Ele quer todo o dinheiro da arrecadação na mão dos políticos para que eles decidam o que pagar, como e quanto e a quem. Ele chama isso de devolver soberania ao Congresso e Câmaras Legislativas Estaduais e Municipais.

Perguntamos: se você fosse um político vagabundo, ladrão mesmo, você estaria feliz ou triste com essa medida do Guedes?!?! Soltando fogos!!! Botar o orçamento livre na mão dos políticos!!! Imagine só! Primeiro o dinheiro iria para pagamento de campanhas, como já tá sendo direcionado via aumento de fundo eleitoral!!!! Segundo, iria para empresas que ajudassem os políticos, como ocorre nos EUA. Depois iria para bancos, a título de pagamento antecipado e "responsável" da dívida pública, diria o mercado e a mídia. Gente, o dinheiro seria minguado para a Saúde e Educação ano a ano até acabar em convulsão social.

O assim chamado Pacto Federativo é o maior crime contra a sociedade brasileira. Ele intenta acabar com os investimentos obrigatórios  que o país, estados e municípios têm de efetuar em saúde, educação e bem-estar social.

Essa reforma descaracteriza a Constituição, ataca a Constituição Cidadã de 1988, que é a maior riqueza do brasileiro, quando obriga o Estado a cuidar do cidadão. Essa Reforma do Pacto Federativo é integralmente perniciosa. Somente a discussão sobre desfazimento de Municípios que não se sustentam é interessante, e mesmo assim é muito difícil, pois não é questão simples.

Para nós, todo o Pacto Federativo pode ser arquivado a bem do Brasil.


CONCLUSÃO

Encerramos essa análise superficial. Cada tema pode ser muito aprofundado, mas entendemos que essas perspectivas criam um mínimo de debate honesto sobre os temas que estão sendo tratados de forma ridícula e enviesada pela grande mídia, em benefício da classe mais abastada da população. E não falamos aqui de classe abastada porque ganha 20 salários mínimos ou 30 salários mínimos..., estamos falando da classe intocada da população, ou seja, aqueles que ganham 100, 200, 400 mil reais por mês, no mínimo, empresas que faturam bilhões de reais por ano, famílias que recebem bilhões de reais de dividendos por ano.

A conclusão fácil é a de que todas as reformas sob a tutela do Guedes e Bolsonaro estão reproduzindo desigualdade contributiva, estão impondo os custos do orçamento deficitário brasileiro exclusivamente sobre as costas de pobres e da classe média, aposentados, servidores públicos e pensionistas e trabalhadores celetistas.

Infelizmente, apesar de necessárias algumas reformas, seu encaminhamento pelo governo é criminoso aos interesses do cidadão e sua família. E temos agora de confiar no Congresso, vejam bem, nos políticos, para que nos salvem. Duro.

Continuamos acompanhando.


p.s. de 24/01/2020 - texto revisado.